Clima desafia produtividade da soja de Norte a Sul do país

Fernanda Toigo

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Imagem: reprodução/pensaragro

Um estudo publicado em 2024 na revista Theoretical and Applied Genetics, com participação de pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da Embrapa Arroz e Feijão, apresentou um modelo que combina informações ambientais, dados geográficos e resultados de experimentos para estimar o comportamento de diferentes genótipos em locais ainda não testados diretamente.

A tecnologia também avança em outras culturas. Pesquisa publicada em 2025 na revista Advanced Science, utilizando dados de milho, registrou melhoria de até 28,42% na precisão das previsões genômicas após a inclusão de parâmetros ambientais. O resultado representa maior capacidade de previsão dos modelos, e não aumento equivalente na produtividade das lavouras.

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Para o produtor brasileiro, a aplicação prática desses conhecimentos está na escolha de materiais adaptados às condições da propriedade. Uma cultivar que apresenta elevado potencial em áreas com boa distribuição de chuvas não será necessariamente a melhor opção para regiões sujeitas a veranicos frequentes. Da mesma forma, a genética escolhida para solos mais arenosos pode exigir avaliação diferente daquela recomendada para áreas com maior capacidade de retenção de água.

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), os resultados de ensaios regionais e o histórico de produtividade da propriedade são instrumentos importantes nesse processo. Eles ajudam a definir a época de semeadura e a identificar condições mais favoráveis para cada cultura, embora não eliminem os riscos climáticos.

A expansão da agricultura para regiões com características ambientais distintas amplia a importância dessas ferramentas. No Matopiba, onde a soja ocupa milhões de hectares e continua avançando, a combinação entre genética adequada, manejo do solo e planejamento da semeadura será decisiva para sustentar o crescimento da produção.

A principal conclusão das pesquisas é que não existe uma cultivar capaz de expressar seu máximo potencial em todas as condições. Em um país que produz soja do Rio Grande do Sul a Roraima, conhecer o ambiente onde a semente será plantada é tão importante quanto conhecer sua capacidade genética. Para o agricultor, essa diferença pode representar mais estabilidade na colheita, melhor aproveitamento dos investimentos e menor exposição aos riscos do clima.

(Com Pensar Agro)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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