AGRICULTURA

Falhas no uso das máquinas elevam custos e corroem a margem do produtor

Falhas na regulagem das máquinas, consumo excessivo de combustível e interrupções durante a safra podem elevar o custo por hectare e reduzir a margem do produtor. Publicações técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sobre custos de mecanização e materiais do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) sobre operação e manutenção mostram a importância de acompanhar o desempenho dos equipamentos. Parte das perdas fica diluída nas despesas da propriedade e só se torna evidente quando o gasto é relacionado à área trabalhada, ao tempo empregado e à qualidade do serviço.

Na mecanização, perdas pequenas por operação podem se acumular ao longo de centenas ou milhares de hectares. Trajetos mal planejados, regulagens inadequadas e demora no abastecimento reduzem o rendimento das máquinas. Para o produtor, a consequência é precisar de mais tempo e recursos para concluir a mesma tarefa.

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O diagnóstico começa pela maneira de medir o trabalho. Saber quanto combustível foi comprado ou quantas horas o trator funcionou oferece uma visão incompleta. É preciso relacionar esses números à área efetivamente trabalhada, à qualidade da operação e às condições encontradas no campo.

O consumo de diesel por hora, isoladamente, pode levar a conclusões equivocadas. Uma máquina que gasta mais combustível nesse intervalo pode apresentar menor consumo por hectare se concluir uma área maior, mantendo a qualidade exigida. Da mesma forma, um consumo horário baixo pode esconder rendimento insuficiente e prolongamento do serviço.

A comparação deve considerar operações semelhantes. Tipo de solo, relevo, umidade, implemento e velocidade de trabalho interferem no desempenho. Sem essa referência, diferenças naturais entre talhões podem ser confundidas com falhas do equipamento ou do operador.

Nas máquinas com telemetria, o registro de funcionamento ajuda a localizar períodos de espera, deslocamentos e consumo elevado. Esses dados permitem investigar, por exemplo, se a perda de rendimento está no conjunto trator-implemento ou na logística de abastecimento. Nas propriedades sem esse recurso, anotações organizadas por talhão e atividade já oferecem uma base para o acompanhamento.

Outro foco é a sobreposição desnecessária. Em pulverizações, sistemas de orientação e controle automático de seções podem reduzir aplicações duplicadas ao desligar partes do equipamento sobre faixas já tratadas. O benefício depende da configuração correta e da conferência do funcionamento em campo.

A regulagem também tem efeito econômico. No plantio, profundidade, distribuição e quantidade de sementes precisam corresponder à recomendação agronômica e às condições da área. Uma operação mal executada pode comprometer o estabelecimento da lavoura e exigir correções. Aumentar a velocidade para cumprir o calendário perde sentido quando o ganho de tempo vem acompanhado de falhas.

Uma quebra durante o plantio ou a colheita tem consequências que ultrapassam a oficina. Além do reparo, pode haver equipe ociosa, contratação emergencial de serviços e atraso justamente quando o clima oferece condições adequadas de trabalho. A extensão do prejuízo depende da duração da parada e da etapa da produção.

Por isso, manutenção e planejamento operacional precisam ser tratados em conjunto. Revisões conforme as orientações do fabricante, identificação de componentes desgastados e organização das intervenções antes dos períodos críticos ajudam a reduzir a exposição a interrupções.

Há ainda uma parcela da conta que não gera desembolso imediato: a depreciação, que representa a perda de valor do equipamento ao longo do tempo e do uso. Metodologias de custos agrícolas também consideram despesas como seguro e remuneração do capital investido. Uma frota pouco utilizada pode distribuir esses custos por uma área menor, encarecendo cada hectare.

Essa análise importa nas decisões de compra. Antes de ampliar a frota, o produtor precisa avaliar se a limitação está na capacidade das máquinas disponíveis, na organização do trabalho ou nas condições de operação. A aquisição pode resolver um gargalo real, mas exige que o ganho esperado justifique o investimento.

O acompanhamento pode começar com poucos registros: hectares concluídos, combustível consumido, horas de trabalho e motivos das paradas. Ao comparar essas informações durante a safra, a fazenda consegue direcionar manutenção, treinamento e ajustes para os pontos de maior impacto. O resultado aparece quando cada operação passa a entregar o trabalho necessário com menos desperdício e dentro do prazo agronômico.

(Com Feagro)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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