AGRONEGÓCIO

Restrição do crédito rural impulsiona busca por alternativas para investir no campo

A redução na oferta de crédito rural tem levado produtores a buscar novas formas de financiar a modernização e a expansão de suas propriedades. Em um cenário marcado por juros elevados e maior cautela na liberação de recursos, o consórcio começa a ganhar espaço como alternativa para a aquisição planejada de tratores, colheitadeiras, implementos, veículos pesados e imóveis rurais.

Levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), baseado em dados do Banco Central, aponta que a área custeada pelo crédito rural caiu 25,8% em 12 meses. O volume passou de 34,2 milhões de hectares financiados em julho de 2025 para 25,4 milhões no mesmo mês de 2026,  uma redução de aproximadamente 8,8 milhões de hectares.

Bioinsumos e fertilizantes são alternativas viáveis

Para Guilherme Lamounier, gerente nacional de Vendas da Multimarcas Consórcios, a dificuldade de acesso ao crédito não elimina a necessidade de investimento do produtor, mas exige maior organização financeira.

O produtor rural não pode simplesmente interromper os investimentos, porque a renovação de máquinas e a incorporação de tecnologia são fundamentais para manter a produtividade. Diante de um crédito mais caro e restrito, cresce a procura por alternativas que permitam planejar essas aquisições sem comprometer todo o caixa da propriedade”, afirma Lamounier.

Consórcio cresce como opção para investimentos planejados

O consórcio aparece principalmente como solução para investimentos que não precisam ser realizados imediatamente. A modalidade permite que o produtor escolha uma carta de crédito compatível com o equipamento ou imóvel que pretende adquirir e organize o pagamento das parcelas de acordo com seu planejamento financeiro.

Diferentemente do financiamento tradicional, não há cobrança de juros bancários. O contrato, entretanto, inclui taxa de administração, possíveis fundos adicionais e regras para a atualização da carta de crédito.

Não se trata de substituir completamente o crédito rural, que continua tendo uma função importante no custeio e em determinadas operações. O consórcio funciona como uma ferramenta complementar, especialmente quando o produtor consegue antecipar suas necessidades e planejar a compra de um equipamento ou a ampliação da propriedade”, explica.

Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) demonstram o avanço da modalidade no campo. Em 2025, as máquinas agrícolas representaram 51% dos participantes do segmento de veículos pesados, reunindo 467,22 mil consorciados ativos, alta de 7,7% em relação ao ano anterior.

Ao longo do período, foram comercializadas 100,94 mil cotas voltadas à aquisição de máquinas agrícolas. O volume de créditos vendidos chegou a R$ 25,46 bilhões, crescimento de 14,2% sobre os R$ 22,30 bilhões registrados em 2024.

Planejamento precisa acompanhar o ciclo produtivo

Como a receita do agronegócio está diretamente relacionada aos ciclos de plantio, colheita e comercialização, a organização financeira é determinante para a escolha da modalidade. No consórcio, a contemplação ocorre por sorteio ou lance, o que exige planejamento e torna a opção mais adequada para compras programadas.

Após a contemplação, a carta de crédito possibilita a negociação do bem como uma compra à vista, dentro das condições previstas no contrato. Antes da contratação, o produtor deve avaliar o valor necessário, o prazo, as regras de contemplação, os custos administrativos e a regularidade da empresa perante o Banco Central.

O produtor precisa olhar para os próximos anos e identificar quais máquinas, veículos ou estruturas serão necessários para sustentar o crescimento da propriedade. Quando essa necessidade é antecipada, o consórcio permite transformar um investimento futuro em uma estratégia financeira organizada no presente”, conclui Guilherme Lamounier.

(Com Assessoria)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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