AGRONEGÓCIO

Prévia do PIB de julho indica recuo do agro

O Banco Central divulgou o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de julho, que mostrou um recuo de 0,2% na economia brasileira. O indicador é considerado uma prévia do PIB e a queda foi puxada por uma variação para baixo do setor agropecuário (-1,2%).

Os dados também indicam uma diminuição na variação do trimestre (maio a julho). De acordo com o Banco Central, houve uma queda de 0,3% na comparação com o período anterior (fevereiro a abril). Nessa mesma janela de análise, a agropecuária teve um recuo de 0,6%, sendo o pior desempenho entre os setores da indústria e de serviços.

Canetas emagrecedoras geram oportunidade para o agronegócio

Diferentemente do indicador do PIB feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IBC-Br tem um conjunto menor de análises, mas traz um retrato mais rápido. Conforme o próprio Banco Central, ele “ajuda a entender o ‘agora’ da atividade econômica”, além de ajudar na tomada de decisões, como a taxa básica de juros.

Queda em momento de incertezas na renegociação das dívidas

O quadro apresentado pelo indicador do Banco Central ocorre em meio à execução da Medida Provisória 1.376/2026, que trata da renegociação das dívidas rurais. A iniciativa não tem cumprido o seu papel e entidades representativas têm apontado problemas.

Em uma carta aberta divulgada na última semana, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a implementação da MP. O documento lista uma série de obstáculos que os produtores têm vivenciado no momento de buscar as linhas de repactuação.

“Entre os principais entraves estão a exigência de laudos agronômicos para a comprovação de perdas passadas, custos adicionais, a revisão de garantias, a cobrança de entrada de produtores que já não possuem capacidade financeira e restrições que podem comprometer o acesso ao crédito para a próxima safra”, indicou a bancada.

Conforme o último levantamento divulgado pelo Banco Central, a carteira de crédito rural atingiu, em julho, R$ 881,7 bilhões. Desse montante, cerca de 23,5% (R$ 207,4 bilhões) correspondem a operações consideradas problemáticas — em atraso, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas. Somente a inadimplência alcançou R$ 45,8 bilhões, o maior nível das últimas safras.

A vice-presidente da FPA, senadora Tereza Cristina (PP-MS), classifica o momento como uma crise e chama de “tempestade perfeita” a conjuntura de fatores que vêm pressionando o setor.

“Hoje o agro, apesar de toda a pujança, de puxar o PIB brasileiro, vive um momento muito difícil. As fábricas de máquinas agrícolas não estão vendendo, os produtores não estão conseguindo comprar os fertilizantes pelo preço. E nós temos aí um problema dos juros que são altíssimos. Então isso leva a um problema de crédito. Muitos produtores inadimplentes e muitos pedindo recuperação judicial. Além disso, nós plantamos a safra com o dólar a R$ 6 e hoje o dólar está a R$ 5,20. Então isso também traz um prejuízo, já que a nossa produção é vinculada, também, ao dólar”, disse.

Endividamento acelera necessidade de avanços no Seguro Rural

A senadora também afirma que uma forma de evitar esse quadro grave no setor é um Seguro Rural mais robusto. “É o instrumento que pode trazer mais tranquilidade para o produtor”, pontuou.

Apesar disso, o indicativo para 2027 não traz alívio. Como mostrado pela Agência FPA, a proposta orçamentária do ano que vem encaminhada pelo governo federal prevê um montante de R$ 1,2 bilhão para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Porém, mais de 70% dos recursos não estão garantidos, dependendo de aprovação complementar ou de uma arrecadação extra.

Caso esse arranjo orçamentário se confirme, será o terceiro ano seguido de incertezas sobre o PSR. Isso porque, em 2025, apenas R$ 581 milhões de R$ 1,06 bilhão foram executados. Neste ano, bloqueios e cortes deixaram disponíveis para o programa R$ 473,8 milhões de uma previsão inicial de R$ 1,01 bilhão.

O efeito mais sensível é uma baixa adesão à proteção, o que gera um ciclo vicioso, como produtores vêm relatando. O também vice-presidente da FPA, senador Jaime Bagattoli (PL-RO), disse que uma cobertura maior poderia diminuir a verba para subvenção do crédito e lembrou do papel do seguro em outros países.

“No Brasil, no ano de 2025, menos de 3,5% de toda a área plantada tinha Seguro Rural. Nos Estados Unidos, são 90%, sem falar de um seguro garantidor de preço que eles têm. Então, quer dizer, eles estão anos-luz à nossa frente”, comentou.

Uma solução encaminhada pela FPA foi o Projeto de Lei 2.951/2024. A proposta moderniza e dá novas bases para o Seguro Rural no Brasil, por exemplo, com a operacionalização do Fundo de Catástrofes. A matéria foi aprovada no Senado no último esforço concentrado e aguarda sanção presidencial para virar lei.

(Com Agência FPA)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

Recent Posts

Canetas emagrecedoras geram oportunidade para o agronegócio

Popularização dos medicamentos tem mudado hábitos de consumo entre as pessoas, aumentando o interesse por…

setembro 18, 2026

Frimesa recebe Embaixador do Japão para discutir cooperação e expansão comercial

A sede da Frimesa, em Medianeira (PR) foi palco de uma reunião estratégica entre lideranças…

setembro 18, 2026

Frente fria e baixa pressão levam chuvas e temporais a 11 estados

Uma área de baixa pressão e o avanço de uma frente fria vão levar chuva…

setembro 18, 2026

Cotações Agropecuárias: Produção de ovos atinge recorde no 1º semestre

A produção brasileira de ovos para consumo voltou a crescer no segundo trimestre deste ano.…

setembro 18, 2026

Grupo que comercializava loteamentos rurais clandestinos é alvo de operação

O Ministério Público do Paraná cumpriu nesta semana dez mandados de prisão contra pessoas denunciadas…

setembro 18, 2026

Seca não é mais registrada no Paraná

Os volumes de chuva acima da média favoreceram o desaparecimento da seca fraca que ainda…

setembro 18, 2026

O site SOU AGRO utiliza cookies e outras tecnologias

Leia Mais