Sindicatos rurais fortalecem a gestão e o futuro dos produtores

“Eu não sabia nem ordenhar uma vaca”, relembra Carmen Lucia Soldan Martins, de 78 anos. Em 1994, a aprendiz de produtora rural desembarcou em Irati, na região Sudeste paranaense, sem saber como dar o primeiro passo para administrar uma propriedade. Ao lado do marido, Armelindo Massoni, Carmen havia deixado para trás a rotina em Santos, no litoral de São Paulo, para começar uma nova vida, dedicada à agropecuária.
O casal decidiu iniciar com gado de leite e milho para silagem (armazenado em silos, para alimentação do rebanho). Pouco a pouco, com apoio do sindicato rural do município, ampliaram o cultivo do grão e passaram a plantar, também, soja e feijão.
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“Fomos escalando muito. Começamos com 48 hectares de terras arrendadas e chegamos até 390 hectares”, conta Carmen. “Sempre que a gente tinha dúvidas ou precisava de ajuda, recorria ao sindicato”, relembra.
Entre outros serviços utilizados pelo casal, estavam o auxílio para o registro de funcionários e o cálculo de folha de pagamento e de tributos.
“Chegamos a ter uma produção de mil litros de leite por dia, com quatro funcionários trabalhando na propriedade. Naquela época, ainda não tínhamos experiência nisso”, relata a produtora.
Com o tempo e a expansão das atividades, Carmen passou a integrar a diretoria do Sindicato Rural de Irati, onde trabalha até hoje — agora, como mobilizadora de campo. A função exige dedicação constante, diz ela, mas retribui com um sentimento de satisfação frente aos resultados atingidos em cada propriedade da região, seja por meio do apoio sindical nas atividades administrativas, seja pelos cursos oferecidos pelo Sistema FAEP.

“Vou de casa em casa levando a informação de que é preciso se capacitar. Depois, agradecem. Não tem preço ver o conhecimento que o pessoal adquire com os cursos e palestras”, afirma a mobilizadora.
Após o falecimento de seu marido, Carmen manteve apenas uma produção de pequena escala de alimentos como mandioca, abóbora e batata-doce, concentrando sua atuação no sindicato. “Faço isso com carinho, porque sei o que é sofrer como agricultora e dar a volta por cima, com ajuda do sindicato rural”, diz.
A história do Sindicato Rural de Irati remonta a 1967, ano de sua fundação. Naquela época, Antonio Cumin estava lá, participando da mobilização para a criação da entidade. Hoje, aos 86 anos, ele lembra com carinho do período em que a existência de uma instituição representativa era um desejo coletivo, prestes a ser concretizado.
“Tinha bastante produtor precisando de ajuda. Então, a gente se reunia e ajudava. Eu morava a 14 quilômetros de distância de onde fica hoje o sindicato, mas participava sempre”, conta Cumin, que cultivava, naquela época, milho, feijão e batata. Depois de décadas de trabalho, ele arrendou as terras e vive, atualmente, com a filha, Natália. “Ele continua indo em todas as reuniões até hoje”, garante a herdeira.

Histórias como as de Carmen e Antonio exemplificam o crescimento do interesse pela sindicalização entre produtores. Esse aumento está retratado no projeto Sindicato Protagonista, criado pelo Sistema FAEP, voltado ao desenvolvimento, modernização e estruturação dos sindicatos rurais paranaenses. Na edição mais recente, que se iniciou em 2025 e encerrou em junho de 2026, a iniciativa contou com a adesão de 105 entidades. Ao longo do período, o número de associados saltou de 12.690 para 14.511, crescimento de 14%.
Esse cenário indica que os produtores rurais buscam, cada vez mais, ter acesso às facilidades e serviços oferecidos pelos sindicatos, como consultoria jurídica, assistência técnica, capacitações e suporte em emissões de documentos e obrigações fiscais. Há entidades que ofertam mais de 50 tipos diferentes de atendimentos, que incluem locação de máquinas e equipamentos, emissão de certidões e serviços contábeis e ambientais, além dos 259 cursos do Sistema FAEP. Mais que isso, o produtor rural associado a um dos 163 sindicatos faz parte de uma estrutura sindical robusta e tem o Sistema FAEP trabalhando para defender seus interesses junto aos representantes dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.
“Essa representatividade do setor garante que as demandas dos nossos agricultores e pecuaristas sejam ouvidas. Lutamos por pautas importantes, como a busca por melhores linhas de crédito, a valorização da agropecuária enquanto setor que impulsiona a economia e o aprimoramento das políticas agrícolas para quem está no campo”, diz Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.
Há quase 30 anos em contato com novidades

Desde 12 de dezembro de 1997, Pedro Jesuíno Lucin está associado ao Sindicato Rural de Paranavaí, na região Noroeste do Estado. Ex-pecuarista, ele agora cultiva mandioca. Muitas das informações necessárias para o sucesso da produção foram aprendidas durante o curso de Mandiocultura do Sistema FAEP. Além deste, Lucin já fez diversas outras capacitações oferecidas pela entidade, incluindo Manejo de Solo, Irrigação, Tratorista, Manejo Bovino e Inseminação Artificial de Bovinos.
O produtor ressalta a importância de outros serviços aos quais os associados aos sindicatos têm acesso, como palestras, visitas a exposições e participação em eventos rurais, como as caravanas para a Agrishow e o Show Rural Coopavel.
“Além de termos as informações necessárias para o dia a dia, temos essas experiências únicas”, diz Lucin. “Aprendemos muito para o nosso trabalho na fazenda, sempre em contato com novidades e inovações.”
55 anos de assistência administrativa
Plínio André Bérgamo, de 90 anos, é associado ao Sindicato Rural de Astorga, no Norte do Paraná, desde 1971. Na época, observando as dificuldades da atividade agropecuária, ele decidiu se sindicalizar para obter apoio de colegas do setor. O auxílio veio em muitos momentos, ao longo dos 55 anos de associado, incluindo no período em que decidiu fazer uma transição do cultivo de milho e soja para a pecuária.
“O sindicato é um espetáculo. Quem não é associado passa apuro”, diz o produtor.
Ele cita a ajuda na emissão do Certificado de Cadastro do Imóvel Rural (CCIR) e no preenchimento do Imposto de Renda (IR) como alguns dos serviços que mais utiliza até hoje. O sindicato também teve atuação importante quando um de seus funcionários sofreu um acidente durante o trabalho: caiu do dorso de um animal e quebrou a clavícula. A entidade prestou assistência administrativa e fez todos os procedimentos necessários junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“Ali, eu vi que existe uma assistência global”, afirma Bérgamo. “Com a proteção do sindicato você dorme tranquilo”, ressalta.
Seu filho, Plínio André Bérgamo Júnior, também é agricultor. Morador de Arapongas, cidade próxima, produz milho e aveia para silagem. O agricultor seguiu os conselhos do pai e oficializou sua sindicalização há cinco anos. “Foi a melhor escolha”, garante o pai.
16 anos com acesso à informação

Em Londrina, região Norte do Paraná, Everton Dutra atua na gestão da propriedade rural onde a família cultiva soja, milho e aveia, além da criação de bovinos. Associado ao sindicato rural do município desde 2010, o produtor destaca como principal benefício o acesso à informação.
“O sindicato sempre nos atualiza e mantém informados sobre o que está acontecendo na agropecuária, principalmente em relação a mudanças na legislação e rotinas trabalhistas”, comenta. Segundo Dutra, sempre que algo novo surge, o sindicato repassa as informações em palestras, reuniões e informativos.
“Isso tem impacto direto na gestão da propriedade”, diz ele, que elenca a sucessão familiar no campo como um dos temas importantes discutidos pelo sindicato.
Outro ponto relevante, como sinaliza Dutra, é o apoio e a segurança jurídica que o sindicato fornece. “Um sindicato forte e atuante é importante por dois motivos: primeiro, quanto às questões trabalhistas, pela atuação e defesa nas negociações coletivas; segundo, pela mobilização no processo legislativo, defendendo os interesses dos produtores rurais”, pontua.
Décadas de mobilização e capacitação
Em Prudentópolis, região Centro-Sul do Paraná, Romildo Salanti produz milho, soja, feijão e, no inverno, também um pouco de cevada. Além de cuidar da propriedade e da própria lavoura, na diretoria do sindicato rural do município ele trabalha pela defesa dos interesses de outros mais de 160 produtores associados.
“Sou tesoureiro do sindicato desde 2002, mas já sou associado desde muito antes disso. De lá para cá, muita coisa mudou”, diz.
A principal mudança, conta Salanti, foi o aumento da capacidade de mobilização e das capacitações. “Hoje temos muitos cursos e treinamentos que fazem toda a diferença e ajudam muitos produtores rurais da região”, afirma.
A cooperação entre o Sistema FAEP e sindicatos também contribui, segundo o produtor, para o fortalecimento das entidades. “Quanto mais gente tiver, melhores são os nossos resultados, as nossas conquistas.”

(Com FAEP)











