Inteligência artificial leva dieta sob medida a bois e suínos

Sensores, câmeras, inteligência artificial e grandes bancos de dados estão mudando a forma como bovinos e suínos são alimentados. As novas ferramentas permitem acompanhar consumo, ganho de peso e comportamento dos animais, além de ajustar as dietas às condições de cada propriedade.
Na suinocultura, a evolução genética elevou o potencial produtivo dos animais, mas também tornou mais complexas suas necessidades nutricionais. Modelos baseados em uma única formulação para todo o lote podem não acompanhar as diferenças entre fases de crescimento, baias e indivíduos.
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A nutrição de precisão procura reduzir essa distância. Sensores instalados nos comedouros registram o consumo, enquanto câmeras podem estimar peso e movimentação. Microfones e outros equipamentos ajudam a identificar alterações de comportamento e possíveis sinais de desconforto.
A inteligência artificial organiza os dados e aponta mudanças que poderiam demorar a ser percebidas pela equipe. Uma redução no consumo, por exemplo, pode indicar problemas ambientais, nutricionais ou sanitários antes que ocorra perda significativa de desempenho.
Com essas informações, o fornecimento de nutrientes pode ser ajustado por fase, grupo ou animal, conforme a estrutura da granja. O objetivo é evitar tanto a deficiência quanto a oferta excessiva de ingredientes.
Nos confinamentos bovinos, a tecnologia atua principalmente no cruzamento de informações zootécnicas e econômicas. Sistemas analisam consumo de matéria seca, ganho diário de peso, conversão alimentar, características dos lotes e preços dos ingredientes disponíveis em cada região.
A partir desses dados, os programas simulam diferentes combinações de milho, soja, caroço de algodão e coprodutos da indústria de etanol. A proposta não é encontrar a dieta mais barata, mas aquela que oferece o melhor retorno financeiro.
Uma formulação de menor custo por tonelada pode reduzir o ganho de peso ou aumentar o período de confinamento. Em sentido contrário, uma dieta mais cara pode ser economicamente vantajosa quando melhora suficientemente o desempenho dos animais.
A disponibilidade regional também interfere na escolha. Em áreas próximas às indústrias de etanol de milho, por exemplo, os coprodutos podem substituir parte dos ingredientes tradicionais. Essa possibilidade depende do preço, do valor nutricional, do frete e da regularidade do fornecimento.
Além do possível ganho econômico, o fornecimento mais preciso contribui para reduzir desperdícios. Nutrientes oferecidos acima das necessidades dos animais elevam os custos e aumentam sua eliminação nos dejetos, sem assegurar crescimento proporcional.
A tecnologia, entretanto, não substitui o acompanhamento de nutricionistas e veterinários. A qualidade das recomendações depende da confiabilidade dos dados, da calibração dos equipamentos e da correta interpretação das informações.
Para o produtor, o avanço representa a possibilidade de substituir fórmulas gerais por decisões mais próximas da realidade de cada granja, confinamento ou lote. Com dados confiáveis e assistência técnica, a nutrição de precisão pode melhorar a conversão alimentar, reduzir custos e ampliar a eficiência da produção de carne.
Fernanda Toigo
Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.
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