Pode haver episódio de chuva de até 300 mm até fim de agosto

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Pensar Agro

A MetSul Meteorologia adverte para um novo período de chuva volumosa a excessiva que poderá atingir o Estado até o fim de agosto. A chuva volumosa poderá desencadear novas inundações e alagamentos, condições típicas de inverno sob influência do El Niño. Além da chuva, destaca-se o elevado risco de tempestades que irão acompanhar a instabilidade na segunda metade desta semana.

Após uma janela de tempo seco associada a uma massa de ar frio o tempo começa a se instabilizar a partir da quinta, dia 27. A MetSul Meteorologia antecipa cenário sinótico complexo no final do mês com elevado potencial para eventos muito expressivos de chuva e risco de tempo severo.

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Diferente do último episódio de chuva volumosa, a expectativa é desse evento de chuva impactar com mais força os municípios do Centro e Norte do Estado. É preciso destacar que ainda haverá alguns ajustes por parte dos modelos quanto a volumes exatos o que é de se esperar com essa antecedência. Por outro lado, a configuração de fenômenos traz um indicativo forte de que essa região deverá ser a mais impactada pelos altos volumes de precipitação.

Inicialmente uma corrente de jato de baixos níveis com vento Noroeste irá transportar ar muito quente para o Estado em contraste com o ar frio que avança para o mar. Uma frente fria chega na sexta, mas o bloqueio no centro do país impede que o fenômeno avance muito além de Santa Catarina. Na sequência um sistema de baixa pressão avança do Paraguai favorece que a chuva ganhe força. O centro de baixa faz com que a instabilidade retroceda com comportamento de frente quente na direção do centro do território gaúcho. Já no último dia do mês a baixa pressão no mar irá acelerar o deslocamento da então frente fria na direção de Santa Catarina e Paraná.

Portanto, a chuva passará por vários estágios e terá como causa múltiplos fenômenos que dentro desse cenário atmosférico complexo elevam risco de volumes altos que podem elevar o risco de alagamentos e inundações. O período chuvoso sobre as bacias hidrográficas da parte Norte e Leste do estado deverá ser monitorado nesses dias.

 

Projeção de anomalia de temperatura do modelo GFS/METSUL que aponta uma potente corrente de baixos níveis a 1500 metros do solo na direção do Estado no final do mês.

TEMPORAIS IRÃO ACOMPANHAR A CHUVA

Na sexta-feira, dia 28,  uma forte corrente de jato de baixos níveis acelera na direção do Rio Grande do Sul.  Esse jato converge na direção do estado transportando ar quente e úmido nos baixos níveis da atmosfera elevando o risco de temporais e tempo severo localizado. O ar quente é importante ingrediente para formar temporais e divergência do vento poderá deflagrar eventos extremos isolados.

Como resultado pulsos de chuva, forte a torrencial, podem ocorrer com vendavais localizados, muitos raios e granizo. As áreas da Metade Norte tendem a ser mais impactadas. Entre os dias 29 e 30 de agosto a frente fica semi estacionária e por horas seguidas poderá gerar chuva com volumes altos em municípios da Metade Norte. O risco de temporais se mantém por conta da interação de ar quente na dianteira da frente. Por outro lado, municípios do sul e oeste podem ter melhorias e menor potencial de chuva. A temperatura tende a cair nessas áreas aumentando o contraste térmico entre o sul e o norte.

ACUMULADOS DE CHUVA PROJETADOS

O modelo europeu indica que as faixas Norte, Noroeste e Leste  e parte Sul de Santa Catarina devem concentrar os maiores acumulados de precipitação no período. Preocupa o curto período de chuva com volumes que podem superar a média histórica do mês de agosto. A chuva começa no dia 27 mal distribuída na Metade Sul, no dia 28 se espalha e nos dias 29 e 30 fica restrita e intensa entre o Centro e Norte do estado.

Há certo consenso por parte dos diferentes modelos que o acumulado do período deverá oscilar ao redor de 100 a 200 mm, com alguns pontos de acumulado entre 200 e 300 mm. O modelo europeu (mapa acima) concentra esses acumulados entre o Planalto e a Serra gaúcha, com contribuição nas bacias do Taquari Antas, Caí, Jacuí e Sinos. O que será revisado e atualizado nos próximos dias. Ressalta-se que pela rodada dos modelos deste domingo, os dias mais críticos quanto a volumes diários  de chuva serão os dias 28, 29 e 30 com volumes que podem somar ao redor de 50/100 mm em poucas horas em cidades da Metade Norte e Leste com risco algo de alagamentos e inundações em áreas urbanas e elevação de arroios e rios de pequeno porte se essa projeção se manter.

Por outro lado, as projeções dos modelos canadense (mapa abaixo) e britânico divergem quanto a região de potencial de maiores acumulados de chuva. O modelo canadense ( CMC) projeta entre 100 a 200 mm, com núcleos de 300 mm, entre a Campanha, Centro, Leste e Nordeste do Estado. Projeção de chuva acumulada nos proximos dez dias pelo modelo canadense disponível na área de assinantes.   A previsão do modelo britânico  se estende até o dia 29 a noite e por isso não considera os dias 30 e 31 na conta dos acumulados. Na projeção concentra os maiores volumes na faixa de 100 a 200 mm entre o Centro e o Leste do Estado, incluindo a região metropolitana de Porto Alegre.

Projeção de chuva acumulada nos próximos sete dias pelo modelo Britânico disponível na área de assinantes.

 

(Com METSUL)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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