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Senado discute estratégias para minerais críticos

Os minerais críticos, considerados essenciais para a transição energética, o avanço tecnológico e a segurança das cadeias globais de suprimentos, foram tema de debate na Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado Federal. A audiência pública reuniu especialistas, representantes do governo e do setor produtivo para discutir os desafios e as oportunidades de uma política nacional capaz de ampliar a participação do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

O encontro foi conduzido pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado e autora do Requerimento nº 12/2026, que deu origem ao debate. Ao abrir os trabalhos, a parlamentar destacou que minerais como lítio, nióbio, grafita, cobalto e terras-raras passaram a ocupar posição central na nova geoeconomia mundial, impulsionados pela expansão das energias renováveis, da inteligência artificial, da digitalização e das tecnologias de defesa.

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Segundo a parlamentar, o Brasil precisa transformar seu potencial geológico em desenvolvimento econômico, inovação, competitividade e geração de empregos qualificados. “Temos diante de nós uma oportunidade histórica de converter vantagens geológicas em vantagens econômicas, de transformar recursos naturais em conhecimento, tecnologia, emprego qualificado e capacidade industrial”, afirmou.

Para ela, o tema deve ser tratado como estratégico para o futuro da economia brasileira, com foco em segurança jurídica, pesquisa, agregação de valor e fortalecimento da indústria nacional.

Experiências internacionais e agregação de valor

O secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixador Mauricio Lyrio, ressaltou que os minerais críticos passaram a ocupar papel central nas disputas geopolíticas e nas estratégias industriais das principais economias do mundo. Segundo ele, países como Estados Unidos, China, Chile e Indonésia têm adotado políticas para estimular o processamento local e ampliar a agregação de valor.

Como exemplo, Lyrio citou a experiência da Indonésia, que restringiu a exportação de níquel bruto para atrair investimentos na cadeia de baterias. “A Indonésia, a fim de produzir baterias no seu país, proibiu a exportação de níquel e conseguiu atrair investimentos privados ao ponto de poder entrar, hoje, na cadeia de valor na produção de baterias numa posição mais privilegiada”, explicou.

Governança e segurança jurídica

O senador Esperidião Amin (PP-SC), integrante da FPA, relatou na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) o Projeto de Lei 4443/2025, de autoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Durante a audiência, Amin afirmou ser favorável à construção de uma política que reduza a exportação de matéria-prima sem processamento e estimule a agregação de valor no país.

O parlamentar também demonstrou preocupação com a estrutura de governança prevista na proposta e defendeu mecanismos de transparência para o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. “Admitamos a ideia do conselho, tem que ter algum sistema de prestação de contas, não só ao Tribunal de Contas, mas ao Congresso Nacional”, afirmou.

A presidente do Conselho de Administração da Associação de Minerais Críticos (AMC), Marisa Cesar, reconheceu avanços na proposta [PL 2780/2024] aprovada pela Câmara dos Deputados, mas alertou para a necessidade de maior clareza sobre as competências e os critérios a serem adotados pelo futuro conselho. Para ela, a falta de definições objetivas pode gerar insegurança jurídica e dificultar a atração de investimentos. “Quando falamos desse conselho, nós precisaríamos realmente ter uma definição mais clara e específica desde o momento do projeto”, observou.

Pesquisa, tecnologia e competitividade

O pesquisador do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Marcus Flavio Chiarini, defendeu o fortalecimento da pesquisa mineral e a ampliação de investimentos em infraestrutura, tecnologia e produção de conhecimento geológico. Segundo ele, a política nacional deve equilibrar soberania e competitividade para evitar a perda de investimentos.

“A soberania é o cerne dessa política, mas a atratividade econômica é essencial para valorizá-la. Não restringir, e sim incentivar o desenvolvimento de tecnologia nacional e agregação de valor parece um caminho razoável”, destacou.

A representante da Sociedade Brasileira de Geologia (SBGeo), Márcia Abrahão Moura, ressaltou que o Brasil possui capacidade científica reconhecida internacionalmente em toda a cadeia dos minerais críticos e estratégicos. Para ela, o país precisa transformar esse conhecimento em política pública permanente, com investimentos em pesquisa, formação de especialistas e inovação tecnológica voltada ao desenvolvimento da indústria mineral.

(Com Agência FPA)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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