Rabobank projeta queda de 8,2% nas vendas de adubos no Brasil

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Forbes Brasil

As vendas de fertilizantes aos produtores brasileiros deverão cair 8,2% em 2026 em relação ao recorde de 2025, ficando ainda mais baixas do que o previsto anteriormente, com os efeitos da guerra no Irã e da situação da inadimplência recorde de agricultores no Brasil, afirmou o Rabobank em relatório nesta quarta-feira.

Caso essa projeção se confirme, o volume cairia para 45,1 milhões de toneladas, a menor entrega de fertilizantes aos produtores do país desde 2022, quando o mercado foi impactado pela invasão da Ucrânia pela Rússia.

Onça-pintada circula por ruas de cidade

Em abril, o Rabobank havia previsto uma redução na demanda anual de cerca de 2 milhões de toneladas em 2026, para 47,2 milhões de toneladas, já considerando os preços mais altos dos insumos pela guerra no Irã, que fechou o Estreito de Ormuz, importante rota de transporte do produto, e elevou os preços do petróleo.

“Devemos observar uma retração na demanda em 2026. Além dos elevados preços dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores aqui no Brasil também terá impacto na menor procura por fertilizantes”, afirmou o banco.

O relatório destacou como ponto de atenção a inadimplência do agronegócio, que continua a atingir patamares recordes, citando dados do Banco Central de abril de 13,3% dos volumes emprestados à taxa de mercado.

Ainda que os preços da ureia tenham voltado a patamares anteriores ao conflito, enquanto há sinais de acordo para encerrar a guerra e também há a reabertura de Ormuz, pressionando também os preços do petróleo, o Rabobank afirmou que o “estrago na demanda global já está feito”.

O banco afirmou que a trajetória dos preços da ureia teve trajetória muito semelhante à verificada em 2022: “seis semanas para atingir o pico e outras dez para retornar o patamar inicial”.

Já os preços do fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais usados, estabilizaram-se em patamar mais alto, apontou relatório do banco.

Exportações de milho em queda

O banco holandês projetou, em relatório, uma queda de 3 milhões de toneladas nas exportações de milho do Brasil em 2026 na comparação com o ano passado, para 39 milhões de toneladas.

Segundo o Rabobank, um real mais valorizado frente ao dólar é fator que limita a competitividade do cereal brasileiro, em contexto de forte concorrência com os Estados Unidos e Argentina.

Custos de frete rodoviário elevados também afetam as exportações nacionais do país, que tem sido o segundo exportador global, atrás dos EUA e à frente da Argentina, nos últimos anos.

Por outro lado, a demanda interna deverá crescer 5% para 97 milhões de toneladas, por maior consumo das indústrias de ração e de etanol.

(Com Forbes Brasil)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

Mais Notícias