Queijeiros medalhistas participam de imersão na Serra da Mantiqueira

Os dez vencedores da categoria Super Ouro da 2ª edição do Prêmio Queijos Paraná participaram, entre 17 e 30 de maio, de uma missão técnica promovida pelo Sistema FAEP por São Paulo e Minas Gerais. A iniciativa reuniu produtores de queijo e representantes de laticínios paranaenses em uma imersão pela Serra da Mantiqueira, com visitas a propriedades rurais, queijarias artesanais, laticínios, experiências gastronômicas e regiões tradicionais da produção queijeira brasileira.
A viagem faz parte do processo de continuidade da valorização dos queijos produzidos no Paraná. Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o objetivo é proporcionar uma experiência prática de aprendizado aos participantes, troca de conhecimento e contato direto com diferentes realidades produtivas.
IAT prorroga por mais 40 dias proibição para pesca em Represa
“O Prêmio Queijos Paraná reconhece a qualidade dos nossos produtos lácteos, mas também abre caminhos para que os produtores ampliem conhecimento, fortaleçam sua gestão e tenham contato com experiências que podem inspirar avanços dentro das propriedades”, destaca Meneguette. “O Sistema FAEP acredita no movimento de reconhecer, capacitar e aproximar o produtor, contribuindo com o desenvolvimento da atividade e possibilitando novas formas de agregar valor ao queijo”, complementa.
Ao longo da programação, o grupo passou pelas cidades de Jundiaí, Serra Negra, Amparo, Lambari, Itanhandu, Passa Quatro, Alagoa, Cruzília, Tiradentes, Ouro Preto e Belo Horizonte. O roteiro incluiu visitas a espaços como a Queijaria Capriolês, Cabanha Campestre, Fazenda Atalaia, Capril do Bosque, Instituto Curadoria do Queijo, Rancho Maranata, Queijaria 50, Queijaria Pérola da Serra, Queijaria 2M, Queijaria Jacuba e Fazenda Coqueiro.
Do prêmio à prática
Entre os participantes, a experiência foi recebida como uma oportunidade de observar diferentes formas de produzir queijo com identidade territorial. Rosane e Genilson Borosky, da Queijaria Meu Propósito, de Marechal Cândido Rondon, tiveram a viagem como um impulso para acreditar ainda mais no próprio produto. “Aprendemos detalhes que podemos aprimorar em casa, principalmente na maturação. A bagagem está cheia de ideias”, relataram.
Para mãe e filha, Elis e Cristina Colombi Rosso, da Produtos Elis, localizada em Diamante D’Oeste, a missão teve um significado familiar, além do profissional. “É uma oportunidade de conhecer outras realidades. Aprendemos sobre maturação e formas diferentes de trabalhar. Dá vontade de voltar para casa e colocar muita coisa em prática”, afirmaram.

Solange Liller e Ordilei José Dufch de Souza, da Tia Nena Produtos Coloniais, que fica em Cantagalo, destacaram o impacto da troca com produtores de São Paulo e Minas Gerais. Para eles, a viagem mostrou realidades diferentes, mas com aprendizados aplicáveis à propriedade. “A gente não volta querendo copiar, mas levando exemplos. Tem coisas que abrem a mente e ajudam a pensar em melhorias, principalmente na maturação. Também serve de inspiração para, quem sabe, criar um novo queijo para o próximo Prêmio Queijos do Paraná”, disseram.
Diferentes realidades, novos caminhos
Além dos produtores artesanais, a missão também envolveu representantes de laticínios e cooperativas. Para Cintia Fabiana Pereira Mora, representante da Frimesa, de Marechal Cândido Rondon, o contato com pequenas propriedades permitiu enxergar aspectos que, muitas vezes, não aparecem no ambiente industrial. “Ver o amor que os produtores têm pelo próprio queijo é muito válido. Quero levar isso para a empresa e mostrar ao pessoal esse carinho com o produto”, afirmou.
A experiência ampliou a visão de Rafaelle Cristine Mendes, da Cooperativa Witmarsum, em Palmeira, sobre o papel do queijo na cadeia produtiva. “Como queijista, é a viagem dos sonhos. Além dos queijos e das queijarias, é possível explorar o mundo do queijo como um conceito que vai além da produção, envolvendo turismo, conhecimento e experiência”, disse.
Na avaliação do casal Tatiane Jussara e Alcélio Bombacini, da Granja Santo Expedito, em Palotina, a missão permitiu observar diferenças culturais, técnicas e aspectos legais entre os Estados. “São realidades totalmente diferentes. A gente analisa erros e acertos, absorve bastante coisa e leva ideias para implantar na queijaria. Nunca conseguiríamos visitar tantas queijarias em tão pouco tempo sem uma organização como essa”, destacaram.
Para Luciana Shizue Matsuguma, técnica do Departamento de Organização e Gestão da Execução do Sistema FAEP, mais do que uma viagem, a iniciativa consolidou uma etapa de formação, intercâmbio e valorização dos queijos paranaenses premiados. “O objetivo é que o conhecimento adquirido pelos vencedores retorne às propriedades em forma de inovação, melhoria de processos, fortalecimento da identidade dos produtos e novas oportunidades para o setor queijeiro do Paraná”, conclui.
(Com FAEP)











