Irmãos se unem para seguir o legado da família

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Aprosoja

Os irmãos Ademar Sérgio Lopes e Adriano Marcos Lopes aprenderam desde cedo o valor do trabalho no campo. Associados ao núcleo do Araguaia Xingu da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), os irmãos contaram a trajetória e como foi assumir o legado da família em Mato Grosso. A história de aprendizado e persistência que começou no sul do Brasil, com o tempo, chegou em Canabrava do Norte, município localizado a 1.036 km de Cuiabá.

O primogênito de Aparecido Sérgio Lopes e Cleonice Aparecida Lopes contou sobre as dificuldades de quando iniciou na lida ainda criança. Ademar explica que morar na zona rural traz cobranças desde cedo e que o começo é sempre desafiador. Apesar das dificuldades, hoje Ademar tem a satisfação de seguir os passos de seus pais e ver o trabalho dando frutos.

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“É satisfatório, porque com todos os problemas que tivemos do começo até hoje, a gente só cresceu, mesmo com as dificuldades que ainda surgem. Então, isso é gratificante, ver que está dando certo, que você está conseguindo e apesar de tudo ir tocando a vida”, destacou.

Ao contrário do irmão mais velho, que sempre esteve envolvido nas atividades da lida, Adriano não queria sair do Paraná para expandir os negócios em outro estado, mas foi o primeiro a enxergar em Mato Grosso um lugar especial para morar. Ele foi o pioneiro da família a desbravar as terras mato-grossenses, trazendo toda a família para Canabrava do Norte em seguida. Os irmãos e o pai iniciaram a busca por um novo espaço em Tocantins, mas ao retornar para casa, passaram pelo município e encontraram terra fértil e esperança.

“Eu fiquei um período de 12 anos fora, de certa forma envolvido, mas distante da agricultura. Me encontrei de verdade, hoje nós podemos falar com toda certeza que a agricultura foi o melhor passo que nós demos, principalmente eu. Eu vim para cá e no começo a família ficou lá no sul, eu fiquei aqui um ano sozinho. Em seguida o pai veio, depois o meu irmão veio e olharam essa área que nós estamos aqui hoje, e acabamos comprando esse pedacinho aqui. Pedi para trazerem a colheitadeira, veio a colheitadeira para cá, e nós trabalhamos um período da safra aqui”, relembrou.

Mesmo com a criação semelhante, para Ademar foi natural seguir os passos dos pais na lida do campo no Paraná. Ele conta que sempre gostou muito de tratar e do dia a dia na fazenda e isso o incentivou a tomar gosto pela atividade.

Do mesmo jeito que os irmãos foram criados para tomar o gosto pela agricultura, Ademar e Adriano seguem fazendo com os filhos e sobrinhos. Eles explicaram que já introduziram toda a família nas atividades agrícolas. Ademar contou que desta forma os filhos já se acostumam com a vida no campo e mantém a tradição dos pais.

“Se os nossos filhos não seguirem o nosso legado, nós vamos ficar desanimados, porque o sacrifício é muito grande, envolve muito dinheiro que você movimenta e não que te sobra. Então, se você pensar que não vai ter um seguimento para frente, aí você pensa que é melhor eu parar com isso, vender e viver um pouco”, afirma.

Ao olhar a trajetória, Ademar afirma que tudo o que aprenderam e adquiriram veio através do esforço dos pais. O casal que iniciou a trajetória no campo prestando serviços para terceiros, com o tempo, foi conquistando seus próprios bens. O exemplo fez com que Ademar seguisse os passos do pai, assim como os filhos dele também o seguiram. Henrique Custódio Lopes e Lucas Custódio Lopes ajudam o pai e o tio nos afazeres da fazenda.

“Hoje os nossos filhos e sobrinhos já estão dominando tudo. Inclusive, tem o genro do meu irmão que chegou, que era vidraceiro e nós trouxemos ele para o campo também. Eu sinto muito orgulho de seguir esse legado. Além de me sentir orgulhoso, eu incentivo meus filhos e meus netos”, conta.

Assim como o irmão, Adriano incentiva os filhos Joice Comper Lopes e Kaike Comper Lopes a seguirem o legado da família. Ele afirma que tem muito orgulho de ver o resultado da lavoura e sente satisfação quando vê o resultado da produção.

“Você chegar na beirada da roça e falar: eu participei disso aqui. Aí você olha e ali está aquela lavoura bonita. Às vezes eu ando com a minha filha e falo algumas situações dessas para ela como forma de incentivo, meu menino também. Tem as horas difíceis e as horas mais tranquilas. Eu acho que você nasce ali, parece que está no sangue e você tem que gostar, porque na agricultura muita gente não tem a visão geral do que é essa atividade, mas a agricultura é uma coisa muito gostosa. Um dia eu brinquei com meu sobrinho aqui, eu falei que isso aqui proporciona uma sensação de liberdade e isso é muito bom”, finaliza.

Hoje, a família toda está unida trabalhando juntos na propriedade, assim como os pais iniciaram. Ademar e Adriano se realizaram na agricultura, de modo que a paixão pela atividade alcançou toda a família. Os irmãos permanecem no legado e transmitem o aprendizado às futuras gerações da família Lopes. Histórias como a da família Lopes mostram que a agricultura mato-grossense é feita de sonhos, amor e resiliência.

(Com Assessoria Aprosoja)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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