Mercado de feijão apresentou comportamentos distintos em julho

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: CNA

O mercado brasileiro de feijão apresentou comportamentos distintos entre as variedades ao longo de julho. A ampliação da oferta do carioca manteve pressão sobre as cotações, enquanto os preços do preto permaneceram mais estáveis, de acordo com o Indicador de preços Cepea/CNA.

Confira abaixo a análise completa para cada tipo de grão:

Feijão Carioca – Peneira 12 e Nota 9 ou Superior: O mercado do feijão carioca de melhor qualidade permaneceu pressionado em julho em razão do avanço da colheita da terceira safra, especialmente nas áreas irrigadas do Cerrado, que ampliou a oferta disponível.

Inteligência generativa já chegou ao campo

A entrada contínua de novos lotes reduziu o poder de negociação dos vendedores, enquanto os compradores mantiveram postura cautelosa, limitando as aquisições às necessidades de reposição e aguardando maior disponibilidade de produto.

Os preços médios desse tipo de feijão recuaram 11,68% em julho em relação ao mês anterior. Ainda assim, permaneceram 61,4% acima dos registrados no mesmo período de 2025. No curto prazo, a tendência é de continuidade da pressão sobre os preços, condicionada ao avanço da colheita da terceira safra e ao comportamento da demanda, que segue concentrada em compras pontuais de reposição.

Feijão Carioca – Notas 8 e 8,5: Os lotes de qualidade intermediária acompanharam o movimento de baixa observado nos grãos superiores. A maior oferta e a postura cautelosa dos compradores limitaram o ritmo das negociações, enquanto as indústrias intensificaram a seletividade na aquisição dos lotes.

Os preços médios dos grãos de notas 8 e 8,5 registraram retração de 9,74% frente a junho, permanecendo 72,1% acima dos observados em julho de 2025. Belo Horizonte (MG) foi a única praça a registrar valorização na última semana do mês, impulsionada pela demanda por lotes de coloração 8,5.

Feijão-Preto – Tipo 1: O mercado de feijão-preto apresentou maior estabilidade em relação ao carioca. A demanda permaneceu moderada, porém a expectativa de menor oferta nacional limitou movimentos mais intensos de baixa. Em julho, o preço médio do tipo 1 recuou apenas 0,64% em relação a junho, mantendo valorização de 63,2% frente a julho de 2025.

A perspectiva de oferta mais restrita é reforçada pelos dados do Deral/Seab, que estimam a produção paranaense de feijão em aproximadamente 518 mil toneladas na safra 2025/26, volume 41,4% inferior ao da temporada anterior. No mercado externo, a colheita argentina segue avançando, embora o excesso de umidade ainda retarde a secagem dos grãos e o ritmo dos trabalhos.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

Mais Notícias