Exportações do Brasil aos EUA caem pelo 9º mês seguido

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Arquivo

As exportações do Brasil aos EUA registraram, em abril, o nono mês consecutivo de queda. As vendas brasileiras ao mercado americano somaram US$ 3,1 bilhões, com recuo de 11,5% em relação ao mesmo mês de 2025.

Apesar do resultado negativo, o ritmo de retração perdeu força. Portanto, o comércio bilateral mostra sinais de acomodação, ainda que as incertezas sobre negociações entre os governos e possíveis novas tarifas continuem no radar.

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De janeiro a abril, a queda atingiu tanto os produtos sobretaxados quanto os bens isentos de tarifas extras. Segundo levantamento da Amcham, os itens sem sobretaxa recuaram 16,4%, enquanto os produtos sujeitos a tarifas caíram 17%.

Exportações do Brasil aos EUA recuam em abril

Entre os produtos atingidos pela Seção 232, cobre, caminhões e madeira registraram queda. Além disso, os itens sujeitos à sobretaxa de 10% tiveram retração de 23,7% no período.

O movimento ocorre após um ano já negativo para o comércio brasileiro com os Estados Unidos. Em 2025, as exportações do Brasil aos EUA caíram 6,6%, com recuo em todos os principais setores.

A indústria de transformação teve queda de 4,2%. Já a indústria extrativa recuou 19,2%, enquanto a agropecuária caiu 3,8%. De acordo com a Amcham, esse desempenho contrariou o avanço das vendas brasileiras para outros mercados.

Indústria brasileira sente impacto nas vendas

A indústria brasileira foi uma das áreas mais afetadas pela retração e registrou sua primeira queda desde 2020. Ainda assim, os Estados Unidos seguiram como o principal destino das exportações industriais do Brasil.

Em 2025, as vendas industriais ao mercado americano somaram US$ 30,2 bilhões. Esse valor representou 16% do total exportado pelo setor.

As importações brasileiras de produtos americanos também recuaram no primeiro quadrimestre de 2026, com queda de 13%. No entanto, em 2025, as compras do Brasil junto aos EUA cresceram 11,3% e chegaram a US$ 45,2 bilhões, o segundo maior valor da série histórica.

Além disso, os Estados Unidos permaneceram como a segunda principal origem das importações brasileiras, com participação de 16,1% no total.

China compensou parte da retração

Segundo Lia Valls, pesquisadora do FGV Ibre, a queda nas exportações aos Estados Unidos teve compensação parcial pelo aumento das vendas para a China no segundo semestre de 2025.

Entre agosto e dezembro, o volume exportado para os EUA caiu 21,3%. No mesmo período, as exportações brasileiras para a China cresceram 29,8%.

Com isso, muitas empresas passaram a direcionar suas vendas para outros mercados. De acordo com Valls, esse movimento ganhou força especialmente no segmento de commodities, diante das incertezas envolvendo o comércio com os Estados Unidos.

A balança comercial entre Brasil e EUA também piorou. O saldo passou de déficit de US$ 300 milhões em 2024 para US$ 7,5 bilhões em 2025. Segundo Valls, o principal fator foi a queda das exportações brasileiras ao mercado americano.

Serviços avançam apesar da queda no comércio de bens

Enquanto o comércio de bens perdeu força, o setor de serviços avançou em 2025. As importações brasileiras de serviços dos EUA somaram US$ 25,7 bilhões, com alta de 17%.

Já as exportações brasileiras de serviços para os Estados Unidos chegaram a US$ 14,3 bilhões, com crescimento de 11,7%.

Dessa forma, o resultado mostra uma divisão no comércio bilateral: perda de fôlego nas mercadorias e expansão nas trocas de serviços.

(Com BP Money)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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