Florestas comerciais viram opção viável no meio rural

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Divulgação Seapi

 

Você sabe o que são florestas comerciais? Cada vez mais presentes no campo, elas vêm se consolidando como uma alternativa econômica viável para a agricultura familiar no Rio Grande do Sul, especialmente para produtores de gado de leite e de corte, além de agricultores tradicionais, como plantadores de soja. Planejadas e manejadas com foco produtivo, essas áreas reflorestadas têm ciclo de vida definido e são destinadas à geração de matéria-prima para fins econômicos, sempre com base no manejo sustentável.

Além disso, o plantio de árvores pode ocorrer em áreas da propriedade menos aptas para lavouras tradicionais, como terrenos inclinados ou com solos de menor fertilidade, ampliando o aproveitamento produtivo da terra sem competir diretamente com culturas como milho e feijão.

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ATER É ALIADA ESTRATÉGICA NO PLANEJAMENTO FLORESTAL A LONGO PRAZO

Um dos fatores que impulsionam a adoção desse sistema é o trabalho da Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Ater), que funciona como uma verdadeira ponte entre o conhecimento científico e o produtor. Como o cultivo de árvores exige planejamento de longo prazo, o acompanhamento técnico é fundamental para evitar prejuízos ao agricultor.

Nesse contexto, a Emater/RS-Ascar desempenha papel estratégico ao orientar agricultores familiares em todas as etapas da implantação das florestas comerciais. O trabalho inclui desde recomendações sobre espaçamento adequado das mudas, controle de formigas e adubação, até orientações sobre regularização ambiental, legislação vigente e gestão da propriedade. A Instituição também reforça a importância da diversificação das culturas, da segurança alimentar e da sucessão familiar no meio rural.

Segundo o extensionista rural Sérgio Morgensten, do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Novo Barreiro, no Norte do Estado, o sistema de integração florestas-pecuária (silvipastoril) por meio de florestas comerciais também contribui para o bem-estar animal. “É uma alternativa para o produtor trabalhar com sombreamento para o gado de leite e de corte. Além disso, representa uma importante fonte de geração de renda”, explica. Morgensten destaca que o pinus, por exemplo, possui múltiplas finalidades, podendo ser utilizado na produção de móveis, pallets, caixas, palanques e até como fonte de energia e combustível.

A Instituição participa atualmente, dentre outras iniciativas, do projeto Integra RS – uma parceria da Rede ILPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta), Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Embrapa e empresas da cadeia produtiva da madeira. Conforme o extensionista rural e coordenador da área de silvicultura e sistemas agroflorestais da Emater/RS-Ascar, Antonio Carlos Leite de Borba, o objetivo é implementar capacitações de técnicos e agricultores, estabelecer unidades de referência em florestas plantadas e integração floresta e pecuária (leite e corte), nas diferentes regionais da Instituição, como forma de apresentar alternativas viáveis e sustentáveis de manejo e uso da terra, incorporando o componente florestal nos sistemas de produção característicos das diferentes regiões do Estado.

EUCALIPTO, PINUS E ACÁCIA-NEGRA LIDERAM FLORESTAS COMERCIAIS NO RS

No Estado, as espécies mais cultivadas em florestas comerciais são o eucalipto, o pinus e a acácia-negra. O eucalipto concentra-se principalmente na Metade Sul e na região da Costa Doce, sendo utilizado na produção de celulose, papel e energia. Já o pinus é mais comum na Serra Gaúcha e no Litoral Médio, com uso predominante em serrarias, fabricação de móveis e extração de resina. A acácia-negra, por sua vez, tem forte presença no Vale do Caí e na Região Sul, sendo destinada majoritariamente à extração de tanino para a indústria do couro e à produção de cavacos para exportação.

Outra alternativa que vem ganhando espaço é o fomento florestal. Por meio desse sistema, o agricultor familiar recebe mudas de alta qualidade e assistência técnica e, ao final do ciclo produtivo, comercializa a madeira a preços de mercado, garantindo maior segurança econômica ao investimento.

Diferentemente das florestas nativas, as florestas comerciais são implantadas com planejamento e objetivos bem definidos. São plantadas, cuidadas e colhidas de forma controlada, conciliando produção, renda e sustentabilidade.

(Com Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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