ATeG transforma gestão e amplia resultados nas propriedades rurais

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Faep
Em 2025, as primeiras turmas da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema FAEP formaram 85 produtores rurais espalhados por quatro municípios do Paraná: Rio Branco do Sul, Cerro Azul, Mandirituba e São José dos Pinhais. Os grupos eram compostos por produtores da olericultura, com cultivo de morango, mandioca e hortaliças como alface, tomate, cenoura e berinjela. No período de dois anos (2023 e 2024) de acompanhamento técnico e gerencial, o lucro médio das propriedades atendidas passou de R$ 492 mil para R$ 1,03 milhão, variação de 109% entre o primeiro e o segundo ciclo do programa. A produtividade média apresentou aumento de 59%, passando de 156,5 mil quilos no primeiro ciclo para 249,4 mil quilos no segundo. A renda bruta média cresceu 34%, enquanto a margem líquida média registrou alta de 92%.

“Os resultados demonstram como a assistência técnica e gerencial contribui para a organização da propriedade. Com acompanhamento contínuo, o produtor passa a ter mais clareza sobre custos, produção e planejamento”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Apesar de pouco tempo ainda, é possível afirmar que a ATeG vai transformar o meio rural do Paraná”, complementa.

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O projeto-piloto foi estruturado para testar e adaptar a metodologia à realidade paranaense, com visitas periódicas, diagnósticos técnicos e econômicos e definição de metas em conjunto com cada produtor. Além das orientações técnicas, o programa reforçou o acompanhamento gerencial. Os participantes passaram a adotar caderno de campo, controle de fluxo de caixa e monitoramento de indicadores produtivos e econômicos, ferramentas que auxiliam na tomada de decisão e no planejamento das próximas safras.

Nos municípios de Rio Branco do Sul e Cerro Azul, os grupos iniciaram o trabalho com foco em mandioca e hortaliças e, ao longo do programa, ampliaram a atuação para outras culturas olerícolas. Já em Mandirituba e São José dos Pinhais, as turmas foram formadas por produtores de morango e hortaliças.

Segundo a coordenadora da ATeG do Sistema FAEP, Vanessa Reinhart, os indicadores refletem o trabalho desenvolvido ao longo dos dois anos. “O aumento está diretamente ligado ao acompanhamento técnico sistemático, com diagnóstico da propriedade, definição de metas e orientações ajustadas à realidade de cada produtor”, afirma.

Ao final do ciclo, cada participante realizou uma revisão das metas e um planejamento para o período seguinte, mesmo após o encerramento das visitas técnicas.

A experiência das turmas-piloto serviu de base para a expansão do programa no Paraná, com a abertura de novos grupos em diferentes regionais do Estado. Hoje, o Sistema FAEP conta com mais de 100 turmas espalhadas pelo Paraná, envolvendo quase 6,4 mil propriedades.

Mudança de rotina

A ATeG marcou uma nova etapa na organização das propriedades em Rio Branco do Sul. Entre os 17 produtores que integraram a turma-piloto, Diego Rausis e Ebson Lucas Geffer, a partir das visitas técnicas periódicas, organizaram informações produtivas e financeiras do negócio e estabeleceram metas de curto e médio prazos.

Diego Rausis administra uma propriedade de nove hectares ao lado do pai, Dionisio Rausis, tendo o leite como sua principal atividade. Ele já havia plantado mandioca anteriormente, mas interrompeu a cultura por falta de mão de obra. Ao ingressar na ATeG, decidiu retomar o cultivo. Atualmente, mantém cerca de 1,3 mil metros dedicados à cultura, e projeta ampliar a área para 1 hectare na próxima safra.

Diego Rausis retomou o cultivo de mandioca em sua propriedade

Segundo Rausis, a principal mudança ocorreu na gestão. A propriedade passou a registrar entradas e saídas mensais, calcular custos de produção e acompanhar indicadores de rentabilidade. Isso permitiu identificar que a primeira plantação de mandioca resultou em lucro médio de R$ 500 mensais. Já na segunda safra, o resultado dobrou, alcançando R$ 1 mil por mês.

“A primeira colheita já deu retorno, mas a segunda melhorou bastante. Quando a gente organiza e aplica o que foi orientado, o resultado aparece”, afirma o produtor.

Na lavoura, também houve alteração na produtividade. Antes do acompanhamento técnico, a média era de aproximadamente três quilos por pé de mandioca. Ao final do ciclo, a produção alcançou cerca de seis quilos por planta, com ajustes na adubação e no manejo do solo.

“A ATeG permite enxergar a propriedade como empresa. Antes eu produzia, mas não sabia exatamente quanto estava sobrando. Agora consigo ter o controle”, afirma.

Outro ponto destacado por Rausis envolve a compreensão sobre a importância da gestão rural na tomada de decisões envolvendo a propriedade. O planejamento era desenvolvido com a participação do técnico de campo Mateus Henrique de Souza, que ajudou a mudar a forma de avaliar gastos e investimentos.

“Quando você entende a diferença entre custo e investimento, começa a decidir melhor onde colocar o dinheiro. Isso mudou não só a plantação de mandioca, mas também a atividade leiteira”, relata o produtor.

Férias merecidas

Ebson Lucas Geffer também participou da turma-piloto em Rio Branco do Sul. A propriedade soma 12 hectares, com produção de mandioca, milho, abóbora, hortaliças e sistemas em agrofloresta. A produção está concentrada principalmente na área orgânica da propriedade, com seis hectares, conduzida em sistema de agrofloresta. Nesse espaço, há 2 mil pés de berinjela, além de mandioca, pepino e abóbora. Também mantém um pomar implantado há quatro anos, com investimento de R$ 12 mil.

O produtor Ebson Geffer começou a planejar sua produção depois das orientações da ATeG

Durante as visitas da ATeG, o técnico de campo Mateus Henrique de Souza apresentou diferentes estratégias de manejo e adubação, além de auxiliar na organização da produção e no planejamento das áreas. Esse trabalho conjunto foi fundamental para estruturar as mudanças na propriedade, além de definir objetivos claros e manter a determinação no dia a dia para alcançar os resultados alcançados.

“O produtor precisa ter objetivo. Não dá para entrar na ATeG sem saber onde quer chegar. O técnico aponta os caminhos, orienta, mas quem faz acontecer é quem está no dia a dia” afirma Geffer.

Antes da ATeG, o produtor rural de Rio Branco do Sul chegou a “plantar tudo ao mesmo tempo”. Com a orientação técnica, passou a organizar melhor as decisões e o planejamento da produção. “Eu queria fazer tudo ao mesmo tempo. Hoje eu planejo, divido por área, vejo o que dá retorno primeiro e organizo o resto”, relata.

Durante o período, fazendo parte do serviço do Sistema FAEP, a renda da propriedade aumentou aproximadamente 35%. Isso graças à gestão, com registro dos custos com adubo, mudas, diárias, transporte e comercialização, além de calcular as margens por cultura. Além disso, a mudança na gestão do negócio permitiu algo inédito na rotina da família: tirar férias, resultado direto do controle financeiro e do planejamento da produção.

“Foi a primeira vez que eu consegui sair tranquilo. Deixei tudo organizado, sabia o que estava plantado, o que ia colher e quanto tinha para receber. Isso foi resultado do planejamento”, afirma.

A propriedade é conduzida com o apoio do filho, Wellington Kauan Geffer, que participou ativamente das visitas com o técnico de campo. O pai de Geffer também acompanha a rotina da propriedade e segue contribuindo com a experiência acumulada ao longo dos anos.

Com o encerramento das visitas técnicas, a família pretende dar continuidade ao planejamento estruturado ao final do ciclo, com metas definidas para as próximas safras e acompanhamento dos indicadores organizados ao longo do período.

“Ao ingressar na ATeG, o produtor rural está investindo seu tempo em melhorias para a atividade, para a propriedade e para a família”, afirma Souza, técnico de campo do Sistema FAEP.

ATeG se espalha pelo Paraná

Os resultados observados nas turmas-piloto reforçam a consolidação da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) no Paraná. A experiência nos municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) demonstra que o acompanhamento contínuo, aliado à organização das informações produtivas e financeiras, contribui para mudanças práticas na rotina das propriedades rurais e para a melhoria dos resultados econômicos.

Em 2025, a ATeG no Paraná fechou o ano com 109 turmas, envolvendo 6.397 propriedades em 253 municípios, que receberam 14.713 visitas técnicas ao longo do período. Inicialmente apenas na olericultura, o programa passou a contemplar outras cadeias produtivas, como apicultura, bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, cafeicultura, fruticultura, grãos e cereais, ovinocultura de corte e piscicultura.

A ATeG do Sistema FAEP envolve técnicas de manejo, organização financeira, avaliação de investimentos e planejamento de longo prazo, integrando produção e administração na rotina da propriedade.

(Com FAEP)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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