Imagem: Canva
O setor leiteiro brasileiro atravessa um de seus períodos mais desafiadores da história recente. O que começou como uma retração sazonal em março de 2025 transformou-se em uma crise estrutural que se estende pelo início de 2026, levando produtores ao limite da sobrevivência financeira.
Em Minas Gerais, uma das principais bacias leiteiras do país, o cenário é de desolação. Segundo o produtor José Mauro Stabile, de Coromandel, a desvalorização do produto foi agressiva e ininterrupta nos últimos meses.
A comparação entre o final de 2024 e o final de 2025 revela a gravidade do cenário:
“Desde março de 2025, o leite sofre baixas consecutivas. Em dezembro, chegamos a ter quedas de R$ 1,00 por litro em relação ao ano anterior”, relata Stabile. Enquanto o preço pago ao produtor despenca, os custos de produção — ração, medicamentos e energia elétrica — seguem em alta, esmagando a margem de lucro.
Um dos principais vilões apontados pelo setor é o aumento desenfreado da importação de leite em pó, vindo principalmente da Argentina e do Uruguai. O relato de produtores mineiros indica que laticínios estariam hidratando o leite importado para venda direta nas gôndolas, prática que satura o mercado interno e derruba o preço do leite nacional.
> “Muitos produtores já desistiram e outros vão abandonar a atividade. A alta que sinalizam agora está muito aquém da nossa necessidade”, lamenta o produtor de Coromandel.
Diferente da paralisia em algumas regiões, o Paraná tem se destacado na tentativa de blindar seus produtores. O governo paranaense, atento à concorrência desleal, implementou medidas tributárias e de fiscalização para desestimular a entrada massiva de lácteos importados.
* Decretos de Incentivo: O PR alterou regras do ICMS, retirando benefícios fiscais de empresas que compram leite importado em detrimento do produto local.
* Fiscalização Sanitária: O estado intensificou barreiras para garantir que o leite de fora cumpra rigorosamente os mesmos padrões exigidos dos paranaenses.
* Transparência no Rótulo: Medidas que exigem clareza sobre a origem do produto, evitando que o consumidor compre leite reconstituído sem saber.
Além da questão cambial e tributária, o setor enfrenta uma crise social. A escassez de mão de obra no campo forçou o aumento de salários e encargos, tornando o custo operacional insustentável para quem não tem ganho de escala. Enquanto o grande produtor sobrevive pelo volume, o pequeno e o médio produtor, base da economia de municípios como Coromandel, estão desaparecendo.
A pergunta que fica para 2026 é se o governo federal adotará medidas de salvaguarda similares às do Paraná ou se o Brasil assistirá à desintegração de suas bacias leiteiras mais tradicionais.
(Da redação)
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