Etanol de milho acende alerta em ano já desafiador para usinas

Fernanda Toigo

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Foto: Freepik

Em um ano em que o etanol surge como possível fonte de fôlego para as usinas, diante de preços e margens comprimidas do açúcar, a rápida expansão do biocombustível de milho desponta como mais um fator de preocupação para o setor sucroenergético.

O avanço desse biocombustível intensifica a concorrência no mercado. Uma maior oferta de etanol — somada a uma produção elevada de etanol de cana-de-açúcar e à perspectiva de um mix mais alcooleiro na safra 2026/27 — tende a pressionar as cotações e reduzir margens, em um ambiente já bastante desafiador para as usinas.

Europa ganha peso também nas vendas de etanol

Para o início da próxima safra, que começa em abril, a expectativa ainda é de preços mais firmes para o biocombustível, o que pode trazer algum alívio no curto prazo. No entanto, o cenário estrutural inspira cautela.

Na avaliação do professor do Insper, Marcos Jank, uma expansão excessiva do etanol de milho pode criar distorções no mercado, afetando diretamente a competitividade do etanol de cana e forçando o setor a direcionar mais cana para a produção de açúcar.

“A dúvida que fica é: há espaço para mais açúcar? O Brasil já responde por cerca de metade do mercado mundial, e o consumo interno não vai absorver volumes adicionais — o brasileiro já consome muito açúcar. Trata-se de um produto essencialmente voltado à exportação”, afirma Jank.

Segundo o professor, o aumento da produção de milho pode provocar um reordenamento relevante no setor de etanol e também na dinâmica das exportações brasileiras de açúcar.

Jank também chama atenção para a sustentabilidade da rentabilidade das plantas de etanol de milho no médio e longo prazo, à medida que novas unidades entram em operação.

“Há dúvidas sobre a continuidade dessa rentabilidade. Uma eventual queda no preço da gasolina pode ‘destruir’ a comercialização do etanol. São muitas variáveis interligadas, e tudo isso passa, cada vez mais, por gestão de risco e governança das empresas”, pondera.

Para a StoneX, a produção de etanol de milho deve fechar perto de 9,6 milhões de m³. Em 2026, a expectiva é para um volume em torno de 11,5-12 milhões de m³, aumento de 20% a 25%. Atualmente, o mercado crescente do etanol de milho representa 25% da produção anual do biocombustível brasileiro.

Nos próximos 10 anos, algumas estimativas mais otimistas apontam que esse número pode ser de 50%. Segundo a StoneX, esse número deve ser de 40% em 2035.

(Com Pasquale Augusto/Money Times)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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