Algas forçam parada de Usina Hidrelétrica e acendem alerta no setor agroenergético

Fernanda Toigo

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Foto: Reprodução CTG

O avanço descontrolado de algas e plantas aquáticas no reservatório da Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias, a UHE Jupiá, tem provocado sucessivas paradas nos geradores e levou a concessionária a pedir autorização para ampliar o limite de horas de paralisação. O pedido está em análise pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Localizada no rio Paraná, na divisa entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, a usina enfrenta um cenário ambiental cada vez mais crítico. Segundo a Rio Paraná Energia S.A., concessionária responsável pela operação, o acúmulo de algas, aliado à presença do mexilhão-dourado, comprometeu diretamente o funcionamento das turbinas, bloqueando grades de proteção e exigindo interrupções prolongadas na geração de energia.

Dados técnicos apontam que, somente em 2024, a usina acumulou mais de 7,5 mil horas de trabalho dedicadas à limpeza das grades e ao controle das plantas aquáticas. Mesmo com ações constantes de retirada da vegetação, os problemas persistiram e se intensificaram ao longo do ano.

A posição da usina, abaixo das hidrelétricas de Três Irmãos e Ilha Solteira, favorece águas mais paradas. Além disso, a falta de saneamento básico em municípios da região contribui para o aumento de nutrientes no rio, criando condições ideais para a proliferação de plantas aquáticas.

Outro ponto destacado nos relatórios técnicos é a mudança no perfil do sistema elétrico nacional. Com o avanço de fontes como a energia solar e eólica, as hidrelétricas passaram a operar com maior frequência em vazão mínima. Esse regime reduz a circulação da água e favorece a multiplicação de algas no reservatório.

No início de 2024, a retirada de grandes volumes de vegetação não foi suficiente para evitar novos danos. Em setembro, ventos fortes e a retomada da geração após meses de vazões reduzidas provocaram novos bloqueios. Uma das turbinas chegou a ser contaminada por resíduos de vegetação em decomposição e pelo mexilhão-dourado, agravando ainda mais a situação operacional.

Diante desse cenário, a concessionária protocolou pedido administrativo junto à Aneel para afastar ou ampliar o limite de horas de paralisação permitidas. A solicitação busca dar respaldo regulatório às interrupções forçadas por fatores ambientais, enquanto soluções de médio e longo prazo são avaliadas.

O caso da UHE Jupiá reforça o alerta para os impactos ambientais sobre a geração hidrelétrica e levanta preocupações também para o setor agro, que depende diretamente da estabilidade energética e da gestão sustentável dos recursos hídricos na bacia do rio Paraná.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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