Falsa couve: Após consumo família vai para UTI

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação

O que seria apenas uma confraternização familiar no interior de Minas Gerais terminou em tragédia: quatro pessoas passaram mal após ingerirem uma planta tóxica conhecida como “fumo bravo”, confundida com couve durante o preparo do almoço. Três das vítimas permanecem internadas em estado grave na UTI da Santa Casa de Misericórdia de Patrocínio, no Alto Paranaíba. Uma mulher de 37 anos chegou a sofrer uma parada cardiorrespiratória e foi reanimada às pressas.

Segundo o Corpo de Bombeiros, os sintomas começaram minutos após a refeição: mal-estar generalizado, dormência nas pernas, fraqueza muscular, dificuldade respiratória e visão turva. A planta, altamente tóxica, é popularmente conhecida como “fumo bravo” e cresce de forma espontânea em muitas áreas rurais — e o mais perigoso: tem folhas muito semelhantes às da couve comum, largamente consumida em todo o país.

Um erro comum — e perigoso

De acordo com a Secretaria de Saúde do município, a suspeita é de envenenamento acidental. A planta foi encontrada ao lado da cozinha da residência rural onde o almoço foi preparado. O material foi recolhido pela Polícia Civil e será analisado por peritos para confirmar a espécie e os compostos tóxicos presentes.

“Visualmente, ela lembra muito a couve manteiga, principalmente quando colhida ainda jovem. Mas trata-se de uma planta extremamente perigosa”, alertou Luciana Rocha, secretária de Saúde de Patrocínio. A polícia investiga o caso como envenenamento acidental por ingestão de planta tóxica.

O que é o “fumo bravo”?

Embora tenha nomes populares diferentes em diversas regiões do país, o “fumo bravo” refere-se geralmente a espécies da família Solanaceae, a mesma do fumo-de-rolo, mas com alta toxicidade. Algumas dessas plantas contêm alcaloides tropânicos, como atropina, escopolamina e hiosciamina, substâncias que atuam no sistema nervoso central e podem ser letais, mesmo em pequenas quantidades.

Esses compostos são capazes de causar intoxicação aguda, levando à falência respiratória, paralisia muscular e alterações neurológicas severas. Não é a primeira vez que casos como esse são registrados em zonas rurais brasileiras.

Um alerta ao agronegócio e à população rural

Para especialistas em agricultura e toxicologia, a situação reforça a importância de identificação correta de plantas alimentícias não convencionais (PANCs) e também de espécies espontâneas que crescem em hortas e sítios.

“No campo, é comum o aproveitamento de plantas que brotam naturalmente. Mas, sem o conhecimento adequado, esse hábito pode ser fatal”, comenta o engenheiro agrônomo Luiz Andrade, que atua com educação rural na região do Triângulo Mineiro.

Andrade também destaca que o problema não se limita a produtores: “Feiras livres, quitandas e até entregas de produtos orgânicos podem, sem saber, estar comercializando plantas erradas. É preciso treinamento e atenção redobrada.”

Como evitar?

* Evite colher folhas que você não tenha certeza da origem.
* Não consuma plantas silvestres sem confirmação da espécie.
* Capacite funcionários de sítios e chácaras sobre identificação de plantas.
* Se tiver dúvidas, consulte agrônomos ou extensionistas rurais.
* Em caso de suspeita de intoxicação, procure atendimento médico imediatamente.

 

 

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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