Disputa de terra: Conflito entre PM e indígenas deixa 11 feridos

Fernanda Toigo

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Foto: Reprodução

Uma operação da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul (PMMS) deixou ao menos 11 indígenas feridos nesta sexta-feira (18), na área de retomada da comunidade indígena Guyraroká, zona rural do município de Caarapó (MS). Os ferimentos foram provocados por balas de borracha disparadas pela Tropa de Choque, segundo relatos dos próprios indígenas e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

A ação policial ocorreu um dia após os indígenas bloquearem uma estrada vicinal para impedir a entrada de máquinas de arrendatários da fazenda Ipuitã. Segundo o Cimi, os produtores estariam tentando retomar atividades agrícolas na área e teriam lançado agrotóxicos de forma indiscriminada sobre a comunidade Guyraroká.

Versão da Polícia Militar

Em nota oficial, a Polícia Militar do Mato Grosso do Sul afirmou que realizou a Operação Campo Seguro com o objetivo de “restaurar a ordem pública e garantir segurança na região”. A corporação informou ter atendido a um boletim de ocorrência relatando a presença de indígenas armados impedindo o acesso à área por parte de funcionários da fazenda.

Segundo a PMMS, durante a operação, houve “investida” dos indígenas contra as viaturas policiais, que teriam sido danificadas. A polícia afirma que, para conter os ataques, fez uso de “meios não letais”, como agentes químicos e balas de borracha (elastômeros), seguindo os protocolos operacionais da corporação. Duas armas de fogo, supostamente em posse dos indígenas, foram apreendidas durante a ação.

A PM reforçou seu compromisso com a legalidade e disse atuar de forma “técnica, legal e proporcional” para garantir a segurança e a ordem pública.

Ministério dos Povos Indígenas acompanha situação

O Ministério dos Povos Indígenas (MPI), por meio do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas (Demed), acompanha o caso em conjunto com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Em nota, o MPI repudiou qualquer ato de violência contra os indígenas e afirmou estar acionando os órgãos responsáveis para garantir a proteção da comunidade e a apuração dos fatos.

Luta por território

A comunidade Guyraroká retomou a área da fazenda Ipuitã no dia 21 de setembro de 2025, reivindicando o fim da pulverização de agrotóxicos e a demarcação definitiva de seu território tradicional. Os Guarani e Kaiowá lutam pela terra desde 1999.

Em 2009, o governo federal reconheceu oficialmente que a área pertence aos indígenas. Contudo, essa decisão foi revertida em 2016, e o processo segue em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto a decisão final não sai, os indígenas vivem em um acampamento provisório com condições precárias.

De acordo com relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a área reivindicada tem cerca de 11 mil hectares, mas hoje aproximadamente 200 indígenas vivem em apenas 50 hectares.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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