Boletim Climático

O que esperar do clima em agosto?

Alguns chamam agosto de o mês do desgosto. Outros de o mês do cachorro louco. Fato é que também no clima agosto não é um mês ordinário. Costuma ser marcado por toda a sorte de extremos no tempo, seja na temperatura como em precipitação no Sul do Brasil. O mês no passado já teve grandes enchentes, como as que castigaram a Metade Norte do Rio Grande do Sul em 1965. E grandes nevadas, como a enorme de 1965 no Sul do Brasil, a de 1984 que trouxe neve até em Porto Alegre, e a mais recente de 2013, a maior neste século até agora no Sul do Brasil.

No Brasil Central, historicamente, agosto é o pico da estação seca e é marcado como um mês de muito baixa umidade do ar com escassa precipitação e tardes não raro excessivamente quente em estados principalmente do Centro-Oeste com máximas acima de 40ºC, sobretudo no Mato Grosso. A combinação de prolongada falta de chuva, umidade baixa e tempo quente favorece aumento das queimadas.

Amanhecer gelado pelo país tem mínimas de -7º C

No Cerrado, agosto é o mês com a segunda maior média mensal de queimadas do ano. O mesmo ocorre no Pantanal. Nos dois biomas, setembro tem a maior média de focos de calor entre todos os meses do ano.

Nos Campos de Cima da Serra do Rio Grande do Sul e no Planalto Sul Catarinense, agosto é um mês de queima frequente do campo e que é usada como controversa técnica, o que traz fumaça nas cidades destas regiões e avança não raramente para outras áreas dos dois estados, como o litoral.

O PACÍFICO EM AGOSTO

A tendência é que o quadro de neutralidade no Pacífico se mantenha em agosto, ou seja, com a continuidade do padrão que se observa desde o outono de ausência de La Niña e El Niño, o que, no entanto, não significa normalidade no clima.

CHUVA EM AGOSTO

Agosto é tradicionalmente um mês mais chuvoso ao Sul do Brasil, sobretudo no Rio Grande do Sul, uma vez que o Paraná nesta época tem regime de precipitação que se aproxima mais do clima do Centro do Brasil com menos precipitação.

Diferentemente da maioria dos últimos anos, o clima neste agosto não terá a influência do El Niño que favorece excesso de chuva ou de La Niña.

Sob condição de neutralidade, como de agora, não há uma tendência predisposta para chuva acima ou abaixo da média e podem ocorrer sinais mistos. A tendência é que agosto neste ano tenha precipitação perto ou abaixo da média na maioria das áreas do Sul do Brasil com maiores volumes de chuva no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Mas mesmo neste dois estados a chuva pode ficar acima da média de forma pontual, como em pontos mais a Oeste.

No Paraná, chuva perto ou abaixo da média na maior parte do estado com chance de valores acima da média em locais próximos do Oeste.

No Centro-Oeste e no Sudeste do Brasil, a maioria das áreas deve ter um agosto com precipitação perto ou abaixo da média. Algumas cidades situadas mais perto da costa em São Paulo e no Rio de Janeiro, contudo, podem registrar chuva perto ou acima da média. O mesmo pode ocorrer em pontos do Leste de Minas Gerais enquanto a maior parte do estado mineiro seguirá com precipitação perto ou abaixo da média histórica. Devido à propagação da chamada Oscilação de Madden-Julian (OMJ), a última semana de agosto pode ter uma condição mais favorável à instabilidade e ao registro de tempo severo com chuva no Sul do Brasil.

FRIO OU CALOR EM AGOSTO?

A tendência no Sul do Brasil é de um mês de agosto sem frio persistente ou que possa se considerado gelado. Não repetirá o absurdo agosto de 2012 com altíssima frequência de dias de calor e vários por demais quentes, mas terá jornadas de temperatura alta. Tampouco será um mês muito frio, com muito menor frequência de madrugadas geladas que junho e julho.

Desenha-se um mês mais ao Sul do Brasil sem grandes desvios das médias históricas de temperatura no cômputo mensal com algumas áreas apresentando anomalias positivas, sobretudo mais a Oeste, e outras desvios negativos da média, principalmente perto da costa. A primeira metade do mês deve ser mais fria ao passo que na segunda metade do mês são esperado mais dias de temperatura agradável ou acima da média, inclusive com calor em estados do Sul. Tradicionalmente, a segunda metade do mês tem dias quentes, e alguns até de forte a intenso calor para o inverno.

O Centro-Oeste vai ter um agosto de temperatura perto e acima da média. Devem ser esperados muitos dias de temperatura alta, por exemplo, em Campo Grande. Em Cuiabá, a frequência de dias com temperatura perto ou acima de 40ºC será elevada.

No Sudeste, o calor será sentido com mais força durante o mês no interior de São Paulo e no Oeste de Minas Gerais, na região do Triângulo Mineiro, com dias de muito baixa umidade e temperatura bastante alta, alguns excessivamente quentes. Na costa do Sudeste e áreas próximas, como a cidade de São Paulo, a temperatura terá maior variabilidade com o ar seco favorecendo noites frias e tardes quentes.

COMEÇA A ÉPOCA DOS TEMPORAIS

Estados mais ao Sul do Brasil, principalmente o Rio Grande do Sul, costumam ter um aumento dos temporais a partir de agosto pela maior variação de massas de ar frio e quente na comparação com junho e julho e à medida que se aproxima a primavera.

Há um incremento, em especial, das ocorrências de granizo, mas cresce também o risco de vendavais e de episódios de chuva muito intensa em curto período com alta frequência de raios. Com temperatura em muitos momentos acima da média e uma maior perspectiva de chuva e ainda o ingresso de incursões de ar mais frio, há o risco alto de que agosto neste ano no Centro-Sul do Brasil registre temporais, em especial na segunda metade do mês.

O mês ainda tem um histórico de ciclones extratropicais mais intensos nas latitudes médias do Atlântico Sul, o que favoreceu fortes incursões de ar polar e episódios de neve do passado que foram expressivos.

Em agosto neste ano, entretanto, como é normal, ciclones vão se formar no Atlântico Sul. A tendência é que estes ciclones se formem mais ao Sul, mas a última semana do mês ou o começo de setembro exige atenção por uma condição mais favorável a ciclogênese.

VEJA AQUI A PREVISÃO DO TEMPO

(Com METSUL e Ronaldo Coutinho)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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