Metade de produção de Estado não têm onde ser armazenada

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Canva

O avanço da produção de grãos em Mato Grosso continua a superar a capacidade de armazenagem disponível no estado. Segundo levantamento da Conab e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a safra 2024/25 de soja e milho deve alcançar aproximadamente 105,9 milhões de toneladas, mas a estrutura estática instalada comporta menos da metade desse volume, cerca de 49,4%.

O desequilíbrio é ainda mais evidente no milho, que tradicionalmente ocupa os armazéns após a soja, mas encontra espaços já tomados pela oleaginosa. Essa limitação força parte da produção a ser estocada em soluções temporárias, como silos-bolsa, ou mesmo a ser comercializada em momentos de preços menos favoráveis, apenas para liberar espaço.

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A concentração da colheita também amplia a pressão sobre a logística. Com janelas mais curtas, que em algumas regiões não ultrapassam 30 dias, ocorre um pico de oferta que congestiona armazéns, estradas e portos. O cenário tende a se agravar nos próximos anos: projeções do Imea indicam que o déficit de armazenagem pode atingir 77,5 milhões de toneladas até 2034, caso o ritmo de investimentos permaneça no atual patamar.

Para equilibrar a relação entre produção e estocagem, seria necessário um crescimento anual de 11,4% na capacidade estática em Mato Grosso, quase três vezes superior ao ritmo observado nas últimas safras. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil estima que somente o estado precisará escoar 145 milhões de toneladas de grãos até 2035, o que exigiria cerca de 4 mil novas unidades de armazenagem, em investimentos avaliados em mais de R$ 53 bilhões.

FERROVIA

A limitação na capacidade de armazenagem em Mato Grosso intensifica a urgência por soluções logísticas de maior escala, em especial da Ferrovia de Integração do Norte (Ferrogrão). Com aproximadamente 933 quilômetros de extensão, esse trecho ferroviário está projetado para ligar a região produtora de grãos no Centro-Oeste a um terminal portuário na Bacia Amazônica, oferecendo uma rota logística mais eficiente para exportação.

O empreendimento encontra-se suspenso desde 2021, devido a um questionamento judicial sobre a legalidade da alteração dos limites de um parque nacional para viabilizar o traçado ferroviário. O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não emitiu uma decisão definitiva, o que mantém o projeto temporariamente travado.

Apesar dos entraves legais, o planejamento segue em ritmo ativo. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) pretende enviar um novo traçado ao Tribunal de Contas da União até o final de 2025, com expectativa de publicação do edital de concessão no primeiro semestre de 2026. O cronograma indica que, cumpridas todas as etapas, a ferrovia pode começar a ser construída ainda em 2026 e ser concluída até 2035.

O projeto também é avaliado como potencialmente capaz de reduzir os custos do frete de grãos em pelo menos 20%, aliviando a dependência das rodovias e tornando o escoamento mais competitivo.

(Com Pensar Agro)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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