Brasil enfrenta crise no mercado de tilápia com tarifas dos EUA e concorrência do Vietnã

O setor da tilapicultura brasileira atravessa um dos momentos mais delicados da última década. A imposição de tarifas de exportação pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em especial o filé fresco de tilápia, e a autorização contínua da importação de tilápia congelada do Vietnã, estão pressionando duramente a cadeia produtiva nacional.
Atualmente, o Brasil ocupa o segundo lugar entre os maiores exportadores de filé fresco de tilápia para os EUA, e o estado do Paraná é responsável por mais de 50% dessas exportações. A tarifa americana afeta diretamente esse mercado, criando um cenário de incertezas para empresas e produtores.
“Pegos de surpresa”: setor cobra resposta do governo
Representantes do setor afirmam que o impacto das tarifas não estava previsto em nenhum planejamento de médio ou longo prazo. A reação do governo federal, segundo eles, tem sido insuficiente. “Desde o início, pedimos que o governo negociasse com os EUA, o que não aconteceu”, diz Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR.
Agora, a principal demanda é clara: a suspensão imediata da autorização de importação de tilápia do Vietnã, país cujos processos industriais, segundo o setor, não seriam permitidos no Brasil, mas garantem uma competitividade desleal aos produtos vietnamitas.
Safra recorde e preços baixos acentuam a crise
O problema se agrava com a supersafra registrada neste inverno. A alta oferta pressionou os preços pagos ao produtor, que estão entre os mais baixos dos últimos anos. “Mesmo com esse cenário interno difícil, o governo continua permitindo a entrada do produto vietnamita”, pontua Francisco.
A importação do Vietnã é vista como prejudicial não apenas pela concorrência direta, mas também pelas diferenças nos processos industriais utilizados no país asiático, considerados irregulares para os padrões brasileiros.
Setor pede isenção de impostos e ICMS
Além da suspensão das importações, o setor também reivindica medidas fiscais para aliviar os impactos da crise. Entre elas estão:
- Retirada do PIS/COFINS sobre a comercialização da tilápia;
- Redução ou isenção do ICMS, em articulação com os governos estaduais.
“Essas medidas são urgentes para evitar o colapso do setor e garantir a continuidade dos empregos e da renda gerada pela cadeia produtiva”, reforçam.
Produção não pode parar: o peixe já está na água
A urgência é agravada pelo próprio ciclo de produção da tilápia. “Se pararmos hoje de alojar os peixes, o impacto só será sentido daqui a nove meses. Ou seja, os peixes já estão na água e precisam ser levados até o final”, explicam os produtores.
Por isso, o setor reforça que não há tempo a perder. A cadeia produtiva – composta por produtores, cooperativas, frigoríficos e exportadores – pede uma resposta imediata e coordenada entre governos estadual e federal.











