Brasil enfrenta crise no mercado de tilápia com tarifas dos EUA e concorrência do Vietnã

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

FOTO: Jonathan Campos/AEN

O setor da tilapicultura brasileira atravessa um dos momentos mais delicados da última década. A imposição de tarifas de exportação pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em especial o filé fresco de tilápia, e a autorização contínua da importação de tilápia congelada do Vietnã, estão pressionando duramente a cadeia produtiva nacional.

Atualmente, o Brasil ocupa o segundo lugar entre os maiores exportadores de filé fresco de tilápia para os EUA, e o estado do Paraná é responsável por mais de 50% dessas exportações. A tarifa americana afeta diretamente esse mercado, criando um cenário de incertezas para empresas e produtores.

“Pegos de surpresa”: setor cobra resposta do governo

Representantes do setor afirmam que o impacto das tarifas não estava previsto em nenhum planejamento de médio ou longo prazo. A reação do governo federal, segundo eles, tem sido insuficiente. “Desde o início, pedimos que o governo negociasse com os EUA, o que não aconteceu”, diz Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR.

Agora, a principal demanda é clara: a suspensão imediata da autorização de importação de tilápia do Vietnã, país cujos processos industriais, segundo o setor, não seriam permitidos no Brasil, mas garantem uma competitividade desleal aos produtos vietnamitas.

Safra recorde e preços baixos acentuam a crise

O problema se agrava com a supersafra registrada neste inverno. A alta oferta pressionou os preços pagos ao produtor, que estão entre os mais baixos dos últimos anos. “Mesmo com esse cenário interno difícil, o governo continua permitindo a entrada do produto vietnamita”, pontua Francisco.

A importação do Vietnã é vista como prejudicial não apenas pela concorrência direta, mas também pelas diferenças nos processos industriais utilizados no país asiático, considerados irregulares para os padrões brasileiros.

Setor pede isenção de impostos e ICMS

Além da suspensão das importações, o setor também reivindica medidas fiscais para aliviar os impactos da crise. Entre elas estão:

  • Retirada do PIS/COFINS sobre a comercialização da tilápia;
  • Redução ou isenção do ICMS, em articulação com os governos estaduais.

“Essas medidas são urgentes para evitar o colapso do setor e garantir a continuidade dos empregos e da renda gerada pela cadeia produtiva”, reforçam.

Produção não pode parar: o peixe já está na água

A urgência é agravada pelo próprio ciclo de produção da tilápia. “Se pararmos hoje de alojar os peixes, o impacto só será sentido daqui a nove meses. Ou seja, os peixes já estão na água e precisam ser levados até o final”, explicam os produtores.

Por isso, o setor reforça que não há tempo a perder. A cadeia produtiva – composta por produtores, cooperativas, frigoríficos e exportadores – pede uma resposta imediata e coordenada entre governos estadual e federal.

 

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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