Renegociação das dívidas do agro trava e recuperações judiciais sobem 22%

O agronegócio brasileiro somou 474 pedidos de recuperação judicial nos primeiros três meses de 2026, um crescimento de 21,9% na comparação com as 389 solicitações registradas no mesmo intervalo de 2025.
Os números constam de levantamento da Serasa Experian sobre o desempenho do setor entre janeiro e março.96 no 1T26, um salto de 73,5%. Já os produtores Pessoa Física seguiram na direção oposta: foram 182 casos no período, recuo de 6,7% frente ao ano anterior.
Soja e Mato Grosso concentram os pedidos
Entre as atividades, a cultura da soja reuniu o maior volume de solicitações, com 137 pedidos no trimestre. A criação de bovinos apareceu com 42 registros. A cadeia estendida do agronegócio, por sua vez, contabilizou 96 pedidos, avanço de 18,5% em relação aos 81 casos do 1T25.
No recorte geográfico, Mato Grosso lidera a lista, com 135 solicitações de recuperação judicial no período. O estado é seguido, no ranking do setor, por Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná.
Juros altos pressionam o caixa
Entre os fatores que ajudam a explicar o movimento está o custo do crédito. A taxa Selic, definida pelo Banco Central, permanece em 14% ao ano, o que encarece financiamentos e aperta o fluxo de caixa dos produtores.
Instrumentos como o Financiamento para Garantia de Preços ao Produtor (FGPP), as cédulas de produto rural (CPRs), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e os Fiagros compõem a estrutura de financiamento do setor, ao lado de garantias como a alienação fiduciária e o penhor de safra.
A recuperação judicial no agronegócio é regida pela Lei de Falências, atualizada pela Lei nº 14.112, que prevê mecanismos como o stay period. Para o setor financeiro, a resposta ao aumento dos pedidos passa pela adoção de modelos preditivos com inteligência artificial, voltados à avaliação de risco. como medida extrema de preservação da atividade, e não como primeira opção de gestão’.
(Com BP Money)











