Simepar classifica tornado de Piraí do Sul como F3 na escala Fujita

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Simepar

O Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, concluiu a análise de fenômeno que atingiu a zona rural de Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná, no dia 8 de agosto deste ano. Trata-se de um tornado severo classificado como F3 na Escala Fujita, associado a rajadas de vento estimadas entre 253 km/h e 332 km/h. A análise integrada de inspeções de campo, imagens de radar e aerofotogrametria por drone confirmou uma trajetória contínua de destruição de pelo menos 17,3 km.

A formação da supercélula que originou o tornado teve como “combustível” a presença de ar quente e úmido vindo do Norte do Brasil devido a atuação de um sistema de baixa pressão sobre o Paraguai. O deslocamento de uma frente fria pelo Sul do país intensificou a umidade, e o cisalhamento do vento, ou seja, aumento e/ou mudança de direção do vento em relação à altura, entre a tarde e o início da noite do dia 8 de agosto favoreceu a formação de tempestades organizadas no Oeste, Centro Sul e Campos Gerais, com ambiente favorável para ocorrência do tornado.

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A reconstrução da trajetória do tornado e a estimativa da intensidade dos ventos foram feitas através da análise integrada de vistorias de campo, imagens de radar meteorológico e levantamentos realizados com drone, em um esforço conjunto entre o Simepar e a Defesa Civil do estado do Paraná. Imagens enviadas pela população, feitas no momento da passagem do fenômeno, ajudaram a compreender a formação, intensificação, deslocamento, interação com a superfície e dissipação do tornado. Os vídeos e visitas à campo também foram importantes para compreender a movimentação de detritos, deformação da vegetação e deslocamento de objetos.

A estimativa da intensidade dos ventos foi realizada com base nos critérios da Escala Fujita, considerando as características e a severidade dos danos observados em campo, como por exemplo colapso estrutural severo de edificações de alvenaria, madeira, e até mesmo uma torre de transmissão de energia elétrica. As análises permitiram observar que pedaços de madeira, fragmentos de telhas cerâmicas e galhos de araucárias foram arremessados com força suficiente para penetrar o solo e incrustar em troncos de árvores.

Araucárias e outras árvores de grande porte tiveram seus troncos decepados em meia altura, áreas de pastagem ficaram com ranhuras e houve remoção localizada da cobertura vegetal e da camada superficial do solo associada à ação dos ventos intensos. A classificação representa uma estimativa da intensidade máxima do tornado com base nos danos observados, e não uma medição direta da velocidade dos ventos.

O rastro do tornado estendeu-se por, pelo menos, 17,3 km ao longo da zona rural de Piraí do Sul, passando por localidades como Jararaca, Fundão e Boa Vista, onde foram capturados dados fotográficos, coordenadas geográficas dos danos e ortomosaicos aéreos. O processamento e o georreferenciamento dessas evidências em parceria com as equipes de Infraestrutura e Geointeligência do Simepar permitiram traçar com precisão o caminho contínuo do tornado.

(Com Simepar)

 

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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