Fruticultura: Evento destaca oportunidades e desafios da atividade

Teve início nesta quarta-feira (9), em Curitiba, o 4º Encontro Paranaense de Fruticultura, evento que reúne especialistas, produtores e autoridades para debater os rumos da atividade agrícola que mais cresce no estado. Promovido pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) em parceria com a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a Federação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná (Feapr) e a AEPR-Curitiba, o encontro ocorre até sexta-feira (11) com uma programação técnica voltada à valorização da produção frutífera paranaense.
Dados preliminares da Seab revelam um avanço expressivo da fruticultura no Paraná. Em 2024, o Valor Bruto de Produção (VBP) atingiu R$ 3,9 bilhões, um crescimento de 37% em comparação ao ano anterior. Atualmente, são cerca de 27 mil fruticultores cultivando uma área total de 53,6 mil hectares, com produção anual estimada em 1,3 milhão de toneladas de frutas. São 38 espécies frutíferas e 21 tipos de mudas cultivadas no território estadual, com destaque para a lima ácida tahiti, goiaba, abacate, caqui e banana — muitas delas já em expansão para o mercado internacional.
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🧪 Pesquisa e inovação como pilares do desenvolvimento
Segundo Vânia Moda Cirino, diretora de Pesquisa do IDR-Paraná, a fruticultura é prioridade institucional e encontra-se distribuída por todas as regiões do estado, abrangendo desde espécies tropicais até temperadas. Vânia também enfatizou o crescimento da citricultura, que transformou o Paraná no segundo maior exportador nacional de suco de laranja, fruto do manejo eficiente e da autorização concedida pelo Ministério da Agricultura para o cultivo no estado.
🚧 Principais desafios abordados
Na abertura do evento, os engenheiros agrônomos Paulo Andrade (Seab) e Mauro Brasil Dias (UFPR) destacaram entraves que dificultam o avanço da atividade:
Falta de mão de obra especializada;
Comércio ilegal de mudas;
Preferência da população por alimentos processados;
Migração de moradores rurais para centros urbanos.
O greening, doença considerada a mais grave entre os citros, também foi pauta do encontro. Técnicos e autoridades discutiram medidas de prevenção e controle, dado o impacto da doença sobre a produção de laranjas.
🚛 Comercialização e estrutura de abastecimento
João Buso, diretor da Ceasa Paraná, reforçou o papel da instituição na garantia do abastecimento alimentar, informando que entre 70% e 75% das frutas, verduras e legumes comercializados no estado passam pelas cinco unidades da Ceasa.
🍎 Ideias criativas para atrair o consumidor
Dentre as iniciativas de estímulo à produção e ao consumo, o coordenador do Programa de Fruticultura do IDR-Paraná, Clandio Medeiros da Silva, apresentou um projeto inovador nos pomares de maçã. Para enfrentar a escassez de mão de obra, estão sendo testados novos sistemas de condução das macieiras e, como diferencial de valor agregado, foi criada uma “tatuagem” decorativa nas frutas — feita com adesivos aplicados antes da colheita, deixando uma marca visível e atrativa especialmente para o público infantil.
Segundo Silva, a ideia já mostrou alta aceitação entre crianças, o que pode influenciar positivamente o consumo familiar de frutas e impulsionar o mercado interno. “Começar pelas crianças é uma forma estratégica de fomentar hábitos alimentares mais saudáveis e beneficiar produtores locais”, destacou.
📆 Programação diversa
Ao longo dos três dias, o evento aborda produções específicas como frutas vermelhas, mirtilo, maracujá, tangerina e uva, além de temas técnicos voltados ao melhoramento genético, manejo sustentável e estratégias de comercialização.











