Conflito por terra: Indígenas ocupam mais uma propriedade

Na manhã desta terça-feira (22), uma nova etapa na disputa por terras no interior do Rio Grande do Sul foi registrada, após a ocupação de uma área rural na comunidade de Ventarra, no município de Erebango. A ação foi iniciada na noite de segunda-feira (21), por um grupo de indígenas que reivindica o território como tradicional.
De acordo com informações da Brigada Militar, os ocupantes instalaram barreiras nas estradas de chão que dão acesso à propriedade, bloqueando a entrada de veículos e de pessoas. A movimentação surpreendeu os moradores locais e gerou preocupação entre os produtores rurais da região, que temem por possíveis impactos na produção agrícola.
A Brigada Militar foi acionada e esteve no local para acompanhar a situação. Além disso, os policiais participaram de uma reunião no Sindicato Rural de Getúlio Vargas, entidade que representa os agricultores da área. Em nota oficial, a corporação informou que a situação permanece sob monitoramento, destacando que até o momento não há registros de confrontos ou violência.
As autoridades reforçam que o objetivo é buscar uma solução pacífica para o conflito, apoiada por medidas de mediação e, se necessário, por decisões da Justiça Federal. A expectativa é que o diálogo continue de forma a evitar escaladas e garantir a segurança de todos os envolvidos.
A Brigada Militar foi acionada e esteve presente no local, além de participar de uma reunião no Sindicato Rural de Getúlio Vargas, que representa os agricultores da região. Em uma nota oficial, a corporação informou que continua monitorando a área e que, até o momento, a situação está considerada estável, sem registros de confrontos. Os esforços das autoridades estão focados na busca por uma resolução pacífica do conflito, apoiada por medidas de mediação e, se necessário, por decisões da Justiça Federal.
O presidente do Sindicato Rural de Getúlio Vargas, Luiz Carlos da Silva, pediu cautela e destacou a importância de manter a serenidade: “A emoção não pode se sobrepor à razão”. Ele contou ao repórter Leandro Vesoloski que a entidade está apoiando os produtores e orientando que tudo seja feito dentro da legalidade. “Fizemos uma reunião com nossa diretoria, produtores e a Brigada Militar. O momento é tenso, mas precisamos de serenidade. O produtor da área deve entrar ainda hoje com um pedido de reintegração de posse na Justiça Federal”, explicou.
Luiz Carlos reforçou que o principal objetivo é evitar qualquer tipo de confronto: “A Brigada Militar está pronta, mas só poderá agir se houver uma decisão judicial. Muitos moradores vivem próximos à área e podem ser prejudicados. É natural que, no calor do momento, surjam impulsos, mas a razão precisa prevalecer”. Além disso, o sindicato está atento a possíveis novas invasões e orienta outros produtores da região a buscarem a proteção jurídica adequada.
Vídeos que circulam nas redes sociais, gravados pelos próprios indígenas, mostram o momento em que um trabalhador rural é abordado por mais de dez pessoas do grupo indígena enquanto operava um trator na área. Nas imagens, um dos líderes do grupo se manifesta de forma clara: “Dá uma parada aí. Querem recorrer à Justiça, podem recorrer. Aqui é nosso. Todo mundo já sabe. Ainda deixamos plantar todos esses anos. Agora é melhor dar uma parada, que quem vai aproveitar somos nós. Amanhã ou depois vamos botar o pessoal pra acampar, morar, fazer suas casas. Tá dado o recado. Se tu acha que tem direito na Justiça, pra nós não tem problema nenhum, vamos juntos. Bora lá, piazada, armar suas casinhas aí.”
Em outro vídeo, o mesmo homem convoca indígenas de outras regiões a se juntarem à ocupação e pede apoio de instituições públicas: “Os parentes ao redor de Ventarra, Ligeiro, o pessoal do INCRA, se quiserem nos ajudar, estão convidados. Essa é a nossa retomada. Há mais de 30 anos estão plantando essa terra. Hoje decidimos que não vamos deixar mais plantar. Vamos fazer nosso acampamento aqui. Queremos aqui a Funai, a CESAI, o Ministério Público. Os órgãos que sempre nos ajudaram quando precisamos. A terra é nossa, o chão é nosso. Estamos juntos.”
A Brigada Militar reforça que, até o momento, não houve registros de agressões físicas ou confrontos diretos, mas que a situação está sendo acompanhada em tempo real. A Justiça Federal deve avaliar o pedido de reintegração de posse, que será apresentado pelo proprietário da área nas próximas horas.
Esse caso tem mobilizado órgãos como o Ministério Público Federal e a Funai, que podem se manifestar oficialmente sobre a ocupação.
Até agora, não há confirmação oficial se o homem que aparece nas imagens é cacique ou líder reconhecido formalmente pela comunidade indígena ou pela Funai. A comunidade de Ventarra, onde vivem dezenas de famílias produtoras, permanece em alerta, enquanto lideranças indígenas anunciam que começarão a montar acampamentos no local.
(Com informações Rádio Uirapuru)











