Agro puxa exportações e Brasil fecha semestre com superávit

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

APPA bate em outubro/2017 recorde na exportação de soja. Foto: Ivan Bueno/APPA

O comércio exterior brasileiro registrou desempenho positivo no primeiro semestre de 2025, com exportações que somaram cerca de R$ 949 bilhões, segundo dados preliminares do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

No mesmo período, as importações totalizaram aproximadamente R$ 776 bilhões, resultando em um superávit de R$ 173,6 bilhões e uma corrente de comércio de R$ 1,725 trilhão. Os números refletem a força do setor externo brasileiro, mesmo diante de um cenário internacional desafiador.

Mapa amplia investigação de mortes de equinos

Analisando os destinos das vendas externas, a China permanece como principal parceiro, comprando cerca de R$ 109,5 bilhões em produtos brasileiros no primeiro trimestre, seguida pela União Europeia (R$ 61,4 bilhões) e pelos Estados Unidos (R$ 53,7 bilhões). Outros compradores relevantes no semestre incluem Argentina, Países Baixos e Espanha, que juntos representaram parcela significativa das exportações. Entre os compradores de carnes e ovos, além dos EUA também se destacam países como México, Filipinas, Coreia do Sul e União Europeia.

No recorte específico do agronegócio, as exportações brasileiras somaram cerca de R$ 520 bilhões no primeiro semestre de 2025, representando mais de 54% do total exportado pelo país no período. Produtos como soja, carne bovina, milho, café e suco de laranja lideraram os embarques, com destaque para o crescimento expressivo das vendas de carne bovina e derivados cítricos. A China se manteve como o maior destino das commodities agrícolas, seguida pelos Estados Unidos, União Europeia e países do Sudeste Asiático. O desempenho robusto do setor reforça seu papel como motor do comércio exterior brasileiro, mesmo em um cenário global de incertezas e pressões comerciais.

No setor agroindustrial, houve avanços importantes: as exportações de ovos cresceram 41,8% no início de 2025, alcançando 4.884 toneladas no bimestre, motivadas pela alta demanda internacional, enquanto as vendas de carne de frango subiram 0,5%, atingindo 2,6 milhões de toneladas no semestre. Já o óleo de soja, apesar de queda de preço, viu seu produto derivado — o farelo — atingir volume recorde de 5,4 milhões de toneladas apenas no primeiro trimestre.

Ainda que o comércio como um todo tenha registrado crescimento, setores míticos da indústria e de produtos semi-industriais enfrentam dificuldades. Relatório da Amcham Brasil apontou que segmentos como celulose, autopeças, motores e máquinas amargaram retrações expressivas nas exportações para os EUA — parte delas atribuída a barreiras tarifárias específicas . A corrente de comércio bilateral cresceu, mas a competitividade de certos produtos manufaturados já foi afetada.

Especialistas estimam que essas restrições podem impactar o crescimento do PIB e pressionar a demanda interna. Estimativas indicam que as barreiras podem resultar em perdas de até R$ 36 bilhões em exportações no ano, e até R$ 91 bilhões em 2026, com possível redução de até 0,5 ponto percentual no crescimento do PIB.

Para o produtor rural, o cenário exige cautela e reação estratégica. Com a China e a União Europeia firmes como principais destinos, há espaço para diversificação, mas o caminho deve ser trilhado com inteligência logística e comercial. A qualidade dos produtos, a abertura de novos mercados e o fortalecimento de canais diplomáticos e institucionais surgem como fatores-chave para garantir a estabilidade diante de um ambiente externo que, apesar de promissor em números, já começa a mostrar sinais de tensão setorial.

(Com Pensar Agro)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

Mais Notícias