Importação de MAP recua 18,3% no quadrimestre, enquanto potássio avança 16,5%

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Assessoria

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 12,30 milhões de toneladas entre janeiro e abril de 2026, alta de 1,6% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, a produção nacional de fertilizantes intermediários recuou 14,4%, para 1,92 milhão de toneladas, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). No comércio exterior, o comportamento dos principais produtos analisados foi distinto.

Levantamento realizado a partir de dados do Comex Stat, plataforma oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aponta que as importações de MAP — fosfato monoamônico — recuaram 18,3% no primeiro quadrimestre de 2026, enquanto as compras externas de cloreto de potássio cresceram 16,5% no mesmo período. O Comex Stat é a base oficial de estatísticas detalhadas do comércio exterior brasileiro. A comparação em diferentes janelas mostra que tanto o MAP quanto a ureia registraram retração em todos os períodos analisados, embora em intensidades distintas.

Ciclones trarão chuva, ventos, frio abaixo de zero e ressaca do mar

O movimento do MAP chama atenção também pela evolução dos preços. De acordo com o levantamento realizado a partir do Comex Stat, o valor médio FOB de importação passou de US$ 621,70 para US$ 736,61 por tonelada na comparação de 12 meses, avanço de 18,5%. Em junho de 2026, atingiu US$ 844,29 por tonelada, maior patamar observado na série de 24 meses analisada.

Os dados da ANDA reforçam um cenário de mudanças no abastecimento. No primeiro quadrimestre, enquanto as entregas cresceram 1,6%, a produção nacional de intermediários caiu 14,4%. No primeiro trimestre, o movimento havia sido semelhante: as entregas avançaram 3,8%, para 9,76 milhões de toneladas, enquanto a produção nacional recuou 16,2%, para 1,41 milhão de toneladas.

As importações de intermediários, por sua vez, caíram 4% no período, para 8,15 milhões de toneladas. A própria ANDA relaciona parte da retração da produção nacional às dificuldades enfrentadas pelos fosfatados. Segundo a associação, a alta contínua do enxofre — matéria-prima utilizada nesse processo produtivo — tem pressionado a fabricação doméstica. A entidade também fez uma ressalva metodológica: no primeiro trimestre, nem toda a produção nacional foi capturada pelas estatísticas em razão de mudanças na estrutura societária de empresas e da retomada de ativos produtivos.

Os números de comércio exterior, isoladamente, não permitem determinar como a redução das compras de MAP foi compensada dentro das estratégias de manejo nutricional das lavouras. Eles mostram, entretanto, um ambiente em que custos, disponibilidade de matérias-primas, crédito e eficiência na utilização dos nutrientes ganham relevância na tomada de decisão do produtor.

Nesse contexto, soluções de nutrição complementar, entre elas os fertilizantes líquidos, podem ser utilizadas em diferentes etapas e vias de aplicação, como tratamento de sementes, aplicação foliar e via solo, de acordo com as necessidades agronômicas de cada cultura. O mercado brasileiro de biofertilizantes e fertilizantes especiais faturou R$ 25,4 bilhões em 2025, retração de 5,5% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário Brasileiro de Tecnologia para Produção Vegetal 2026, da Abisolo. A aplicação via folha respondeu por R$ 15,44 bilhões, constituindo a principal via de aplicação em faturamento do setor naquele ano.

Para Douglas Vaz-Tostes, especialista em fertilizantes da GIROAgro, a escolha da tecnologia precisa considerar não apenas a concentração declarada de nutrientes, mas também as características da formulação. “Aqui está o ponto central para o produtor: a qualidade da matéria-prima e o processo de fabricação mudam completamente o desempenho do produto.

Fatores como o grau de quelatização dos micronutrientes, a compatibilidade com defensivos e outros insumos na mistura de calda, a viscosidade e a estabilidade da suspensão determinam se o fertilizante vai entregar o nutriente de forma eficiente”, afirma.

O especialista ressalta, entretanto, que diferentes estratégias nutricionais exercem funções complementares dentro do manejo. “A nutrição líquida tem papel complementar, não substitutivo, à adubação de base. O foliar é especialmente eficiente para corrigir deficiências pontuais e agir rapidamente em momentos críticos do ciclo, como floração e enchimento de grãos, mas não substitui a construção da fertilidade do solo ao longo do tempo”, completa Vaz-Tostes.

(Com PressFC)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

Mais Notícias