Quais os efeitos do calor no rebanho bovino?

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Erasmo Pereira/EPAMIG

As mudanças climáticas têm gerado alterações no bem-estar e na produtividade de bovinos. A onda de calor que atuou na última semana impôs diversos desafios aos animais, quanto à manutenção da temperatura corporal, frequência respiratória e parâmetros produtivos e reprodutivos.

Quando há combinação entre temperaturas elevadas e alta umidade relativa a situação pode piorar ainda mais. Nas criações de bovinos, a ocorrência de dias de calor extremo requer o monitoramento constante do rebanho. A identificação precoce de animais em condições de estresse térmico permite ações pontuais, para a reversão desse quadro crítico, promovendo o conforto e bem-estar dos animais.

Para o zootecnista e pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), Adriano de Souza Guimarães, algumas medidas refletem positivamente na produção e rentabilidade, mas alerta que, em muitos casos, essas intervenções não são possíveis devido a necessidade de infraestrutura mínima, cuidados específicos e planejamento.

“É preciso atentar para alguns conceitos de ambiência e bioclimatologia na pecuária, amenizando os efeitos do calor extremo ao gado. Entre elas, prover sombra e água fresca ao gado é o principal a ser feito. A água deve estar disponível em diferentes locais. É preciso abrigar os animais da exposição direta dos raios solares nas horas mais quentes do dia, seja através de sombra natural ou artificial”, explica o pesquisador. 

Outra medida é a adoção do manejo de banho em salas de resfriamento para vacas leiteiras, uma realidade em muitos empreendimentos pecuários. Ele também reforça a necessidade de alternar ciclos de aspersão de água com ventilação para evaporar a água, secando os animais.

“Bezerros recém nascidos e lactentes em fases iniciais também são suscetíveis a diferentes estresses. Nos períodos quentes, como na estação do verão, recomenda-se que esses animais sejam protegidos das condições de exposição prolongada de sol ou tenham a chance de se esconder da ação direta dos raios solares. A água servida aos bezerros deve estar à disposição desde o primeiro dia de vida”, pontua Adriano.

Ainda segundo ele, vacas de alta produção sofrem mais com o calor quando comparadas a animais de menor capacidade leiteira. Pelo fato de produzirem mais leite, ingerirem maior quantidade de alimento, possuem metabolismo mais elevado e geram maior calor endógeno, portanto, são mais suscetíveis a entrarem em estresse térmico, sobretudo nas regiões mais quentes.

“As vacas de raças europeias (taurinas) especializadas tendem a sofrer mais, já que são menos adaptadas ao calor. Isso não significa que vacas mestiças ou mesmo zebuínas puras não se beneficiem de medidas de proteção à elevação da temperatura ambiente, uma vez que esses genótipos sentem-se mais confortáveis em uma faixa de temperatura de médias mais altas (zona de termoneutralidade), comparadas às raças taurinas. Já o gado de corte também deve ser monitorado, pois, seguramente, se beneficia quando tem acesso à sombra, seja no confinamento ou no pasto”, conclui o profissional.

DA ASSESSORIA, EPAMIG

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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