Proposta busca otimizar escoamento de grãos e reduzir custos

Uma nova proposta, discutida por pesquisadores e especialistas do setor agropecuário, visa melhorar a eficiência do escoamento de grãos...

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Feagro

Uma nova proposta, discutida por pesquisadores e especialistas do setor agropecuário, visa melhorar a eficiência do escoamento de grãos no Brasil, um dos maiores desafios logísticos do país. A medida principal inclui a criação de um sistema de agendamento nos terminais para evitar congestionamentos e otimizar o fluxo de caminhões e cargas, com monitoramento desde as rodovias até o embarque nos navios. O objetivo é identificar gargalos na infraestrutura portuária e direcionar investimentos necessários para reduzir os custos logísticos, que impactam diretamente o preço final dos produtos.

A dependência do transporte rodoviário tem aumentado, especialmente com o crescimento da produção de grãos no país. De acordo com dados do Grupo de Pesquisa em Logística da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-LOG), em 2024, 54,2% da produção foi escoada por caminhões, uma evolução considerável desde 2010, quando essa porcentagem era de 44,7%. Essa dependência das rodovias expõe vulnerabilidades estruturais que geram custos adicionais aos produtores, os quais acabam sendo repassados ao preço final dos produtos.

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O tempo de espera para o carregamento de navios é uma das principais consequências dessa fragilidade. O produtor de soja Tiago Cinpak, de Lucas do Rio Verde (MT), enfrenta dificuldades devido à falta de armazéns e à concentração de grãos nas rodovias, o que resulta em atrasos no escoamento. Apesar de ter investido em armazéns próprios, muitos produtores ainda dependem de cerealistas, que não têm capacidade para atender ao ritmo da colheita.

O impacto desses gargalos logísticos também se reflete no custo do transporte. O transporte de soja de Mato Grosso até o Porto de Xangai, via Porto de Santos, teve um custo de US$ 116,47 por tonelada em 2024, sendo que 73% desse valor correspondeu ao trajeto terrestre. Além disso, a escassez de caminhões e o aumento do preço do diesel devem elevar os custos de frete de 15% a 20% em 2024, tornando ainda mais desafiador o cenário logístico para o agronegócio.

Embora as rodovias ainda sejam predominantes, as ferrovias, que representam apenas 2,46% do total de operações, surgem como uma alternativa viável para aliviar a pressão sobre as rodovias. No entanto, o uso limitado da malha ferroviária e a falta de investimentos continuam sendo obstáculos para a ampliação dessa modalidade de transporte. A distância média entre as fazendas e os terminais ferroviários, que varia de 600 a 700 km, também limita a eficiência do sistema.

Outro problema significativo é a falta de capacidade de armazenagem no Brasil. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a capacidade atual dos armazéns não é suficiente para armazenar toda a produção de grãos, especialmente considerando o crescimento da safra, que deverá alcançar 322 milhões de toneladas em 2024/2025. A escassez de espaço para armazenamento prejudica a negociação dos grãos, forçando os produtores a venderem suas colheitas a preços mais baixos quando entregam diretamente às tradings.

A solução para esses desafios passa por investimentos em infraestrutura, incluindo a construção de mais armazéns e melhorias nas malhas ferroviária e rodoviária. Além disso, a implementação de tecnologias que integrem o sistema de transporte e ofereçam maior previsibilidade e rastreabilidade das cargas pode melhorar significativamente a eficiência logística. É fundamental que o governo federal adote políticas públicas voltadas para o desenvolvimento do setor, com incentivos à construção de armazéns privados e à ampliação da capacidade de transporte, a fim de garantir que o Brasil continue competitivo no mercado global.

A iniciativa envolve os Ministérios da Agricultura, Transportes e Portos e Aeroportos, além de órgãos como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

(Com Feagro)

(Fernanda Toigo/Sou Agro)

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