Rio Voador: Chuva volta ao RS com grandes acumulados

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

A chuva retorna ao Rio Grande do Sul no fim de semana e deve ter altos acumulados de precipitação em parte do estado, embora sem marcas tão extremas como as observadas no final de abril e no começo de maio, antecipa a MetSul Meteorologia.

Mesmo assim, o cenário é de atenção porque o estado ainda sofre as consequências das enchentes de maio com rios assoreados, sistemas de macrodrenagem urbana afetados, muito lixo nas ruas e pessoas que seguem fora de casa.

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Os volumes de chuva não serão altos em todo o território gaúcho, mas em pontos do estado a chuva somada entre o sábado e o começo da próxima semana pode atingir marcas perto e acima de 100 mm, podendo trazer problemas como alagamentos em alguns municípios.

Não será um dia apenas de instabilidade no Rio Grande do Sul. A chuva de forma mais ampla tem início no sábado e o tempo não vai firmar no estado por vários dias com novas ocorrências de precipitação, cuja distribuição vai variar conforme o dia.

RIO VOADOR

Este quadro de instabilidade por dias seguidos será acompanhado pela formação de um rio atmosférico, a Leste dos Andes, pelo interior do continente, que trará muita umidade para o Rio Grande do Sul com correntes de vento de Norte. Esse “rio voador” transporá grande quantidade de umidade da região amazônica e também do Atlântico Tropical, que está superaquecido, pelo interior do continente, até as latitudes do Sul do Brasil, recurvando para Leste justamente sobre o Rio Grande do Sul.

Assim como se via no começo de maio, há uma grande massa de ar seco e quente persistente com um bloqueio atmosférico no Centro do Brasil, o que faz com que a umidade amazônica seja canalizada por áreas do interior da América do Sul em direção ao Sul até o Rio Grande do Sul. Como o ar quente tropical avança junto para Sul, forma-se uma combinação de umidade abundante com atmosfera aquecida, o que trará áreas de instabilidade com chuva forte e risco de temporais isolados em parte do estado no fim de semana e no começo da semana que vem.

Os dados dos modelos indicam que este rio atmosférico atuará no Rio Grande do Sul entre os dias 15 e 20 de junho, mas um segundo poderia de organizar entre os dias 22 e 23 por ocasião de um sistema frontal. Os mapa a seguir, com as projeções do modelo norte-americano GFS/NOAA, mostram os valores de água precipitável na América do Sul em que se pode observar como este rio atmosférico vai se formar pelo interior do continente até o Rio Grande do Sul, gerando a chuva no estado.

Os rios atmosféricos são regiões longas e concentradas na atmosfera que transportam ar úmido dos trópicos para latitudes mais altas. O ar úmido, combinado com ventos de alta velocidade, produz chuva pesada e neve, conforme a região no mundo. Esses eventos extremos de precipitação, em alguns casos, podem levar a inundações repentinas, deslizamentos de terra e danos catastróficos à vida e à propriedade, como se viu no fim de abril e no começo de maio. Embora os rios atmosféricos tenham muitas formas e tamanhos, aqueles que contêm as maiores quantidades de vapor de água podem criar chuvas e inundações extremas, muitas vezes parando sobre bacias hidrográficas vulneráveis a inundações, exatamente como se viu semanas atrás.

No Brasil, estes rios atmosféricos se originam principalmente da região amazônica. Na maioria das vezes, um corredor de umidade se forma e avança pelo interior da América do Sul no sentido Sul até alcançar as latitudes médias e trazer chuva para o Sul do país. O Sul do Brasil tem a influências destes rios atmosféricos em qualquer época do ano. No Centro-Oeste e no Sudeste, estes corredores de umidade atuam mais nos meses quentes do ano.

PARANÁ

No Paraná, segundo Ronaldo Coutinho, a chuva chega só depois do fim de semana. Após o dia 21 de junho as áreas de safrinha serão abençoadas com a chuva. Quanto às temperaturas, tem veranico. No Estado elas chegam a variar entre 27ºC e 32ºC.

(Com Metsul)

 

 

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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