CNA levanta custos de produção de café, peixes, cana e leite

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Arquivo

Os técnicos do projeto Campo Futuro realizaram, de segunda (13) a sexta (17), levantamentos de custos de produção de cana-de-açúcar, café, peixes e leite. Os encontros ocorreram nos estados de Rondônia, Mato Grosso e Paraná.

Os painéis para coletar as informações sobre a realidade produtiva das regiões contaram com a participação de produtores rurais, representantes de sindicatos, federações estaduais de agricultura e entidades de pesquisa.

PR pode produzir até 750 mil sacas de café

Novo vazio sanitário da soja traz benefícios para o produtor

Confira os destaques para cada cultura:

Cana (Jacarezinho e Cianorte – PR): Em Jacarezinho, a propriedade modal definida foi de 72 hectares de área própria de produção, com produtividade média estipulada para a safra 2024/25, de 81 toneladas por hectare, com qualidade de matéria-prima de cerca de 130 quilogramas de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana.

Painel de custos realizado em Jacarezinho (PR)Painel de custos realizado em Jacarezinho (PR)

O painel realizado em Cianorte apontou uma propriedade modelo de 50 hectares, produtividade de 82,64 toneladas por hectare e 125 quilos de Açúcar Total Recuperado (ATR) por tonelada de cana. Em ambos os sistemas, a colheita é 100% mecanizada.

Café robusta (Cacoal – RO): De acordo com os dados levantados, a propriedade modal em Cacoal possui 3,5 hectares de café robusta amazônico, produzido em sistema irrigado. Comparado ao último levantamento realizado em 2022 no município, a produtividade da região aumentou, passando de 50 sacas/ha para 67 sacas/ha.

Ao analisar os custos de produção, o maior desembolso na colheita, secagem e beneficiamento do café elevaram o Custo Operacional Efetivo (COE) em 17,8%. Entretanto, os melhores preços de comercialização do café superaram esse aumento nos custos, resultando em margens positivas.

Peixe Tambatinga (Alta Floresta – MT): A propriedade modal determinada pelos produtores dos municípios de Carlinda, Apiacás, Paranaíta e Alta Floresta possui, em média, 50 hectares de área total, com 7 hectares destinados a área de piscicultura e com 3,5 ha de lâmina d’água (área em produção de peixes).

Os alevinos são alojados com peso aproximado de 4 gramas em viveiros berçários e saem em 90 dias com 200g para os viveiros de engorda atingindo peso final de 2 quilos em 7 meses. Nesta propriedade modal, os custos operacionais com ração, mão-de-obra e administrativo correspondem a 56%, 23% e 15%, respectivamente.

Leite (Cascavel, Umuarama e Castro – PR): O levantamento de custos de produção da pecuária de leite em Cascavel apontou novamente o sistema compost barn, com cerca de 2 mil litros de leite por dia, com vacas produzindo, em média, 28 litros/dia.

A receita obtida pelo leite foi suficiente para remunerar os desembolsos da atividade, mas não o pró-labore e a depreciação da atividade. Os custos com a alimentação comprometeram a maior parte dessa receita, em torno de 51%, com o concentrado tendo a maior participação, respondendo por cerca de 30% da receita obtida com o leite.

Painel de custos em Cascavel (PR)Painel de custos em Cascavel (PR)

Já em Umuarama a propriedade possui média baixa tecnologia, com a utilização de mão de obra familiar e captação em torno de 250 litros por dia. O sistema é baseado em pastagem, com a suplementação de volumoso e também a utilização de concentrado. A produção leiteira do município permitiu remunerar os desembolsos.

Em relação ao pró-labore do produtor e a depreciação da sua infraestrutura, a atividade exige ajustes técnicos para conseguir renovar a sua estrutura no médio prazo. O principal item foi o desembolso com a alimentação, que comprometeu 39% da receita obtida com o leite.

Painel de custos em Umuarama (PR)Painel de custos em Umuarama (PR)

Em Castro, foram caracterizadas propriedades de alto nível tecnológico, onde a produção de cerca de 6 mil litros dia foi capaz de remunerar tanto os desembolsos da atividade quanto a depreciação e o pró-labore do produtor.

Os animais são da raça holandesa pura e produzem em torno de 32 litros por dia em um sistema free-stall (áreas com camas individualizadas, corredores de acesso e pistas de trato). A alta tecnologia empregada na atividade permitiu uma taxa de remuneração do capital em torno de 7,5%, superando o investimento comum em poupança.

Painel de custos em Castro (PR)Painel de custos em Castro (PR)

A elevada produtividade da mão de obra chamou a atenção, uma vez que o elevado volume de produção permitiu diluir os gastos com esse item de produção, que girou em torno de 950 litros por homem ao dia.

(Com Assessoria CNA)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

Mais Notícias