Sistema que derrete granizo antes de chegar ao solo vira a salvação das maçãs em Santa Catarina

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: AGF Antigranizo Fraiburgo Ltda/Divulgação

No mínimo inusitado. E inovação é outra palavra que cabe aqui. Uma tecnologia desenvolvida em Santa Catarina é capaz de “combater” o granizo em meio a tempestade. Como? O sistema antigranizo , que usa iodeto de prata, diminui de tamanho ou até elimina as pedras de gelo antes que elas atinjam as plantações. Maçãs a salvo. Notícia boa para o estado líder na produção da fruta. O cultivo de maçãs em Santa Catarina corresponde a 54,6% da produção nacional. Por ano, são cultivadas no estado 572,4 mil toneladas de maçã.

Treze municípios da região Oeste já contam com a tecnologia. Mas como ela funciona?

O granizo se forma, a medida que as gotas passam por um núcleo de condensação dentro da nuvem. Elas crescem e congelam. E aí entra em cena o aparato catarinense.

Verificou-se que com a queima do iodeto de prata, ele sobe para atmosfera e forma mais núcleos de condensação, e aí, em vez de ter um granizo grande, serão vários pequenininhos, ou seja, de menor potencial ofensivo. Na queda eles se dissolver a ponto de virar apenas uma água gelada.

Mas como essa queima é possível?

Na região catarinense o granizo sempre foi um pesadelo para agricultores que investiam na fruta. Em 1989 uma associação de produtores foi fundada em Fraiburgo e foi aí que a tecnologia nasceu, inspirada em uma experiência da Argentina, que já contava, na região de Mendoza com um sistema de antigranizo com foguete. O caminho partiu para uma infraestrutura com radar, a partir de uma equipe internacional para treinamento, com argentinos e russos também. Assim foi até 1995, quando os foguetes passaram ficar onerosos demais.

Na busca por novas alternativas chegou-se a um novo modelo, dessa vez francês, usando um gerador com iodeto de prata. E deu certo. Está operante. O monitoramento pelo radar é fundamental, e é ele quem diz a hora de acionar o equipamento antigranizo.

O sistema de controle de grazino implementado no Meio Oeste catarinense poderá servir de modelo para as demais regiões de Santa Catarina.

O deputado federal Rafael Pezenti (MDB/SC) esteve em Fraiburgo e Lebon Régis, onde está instalada a base de operação do sistema, para conhecer o método utilizado e reconhecido pela Organização Mundial de Meteorologia.

“Fiz questão de conhecer a tecnologia e ouvir os produtores que são beneficiados. O método funciona. Nosso objetivo agora é conseguir o apoio dos governos federal e estadual para implementar um projeto piloto no Alto Vale do Itajaí, com possibilidade de expandir para outras regiões. Já solicitei audiência para levar todas as informações ao Ministro da Agricultura e tenho conversado com o secretário Colatto, que será um parceiro nessa luta”, explicou Pezenti.

Os 13 municípios que usam a tecnologia são:

Caçador, Calmon, Lebon Régis, Macieira, Matos Costa, Rio das Antas, Timbó Grande, Fraiburgo, Videira, Tangará, Pinheiro Preto, Campos Novos e Monte Carlo

(Com Assessoria)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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