ExpoLondrina exibe o melhor na seleção genética de Nelore

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

FOTO: Fernando Cremonez

Parte de um tripé que envolve também a nutrição e as condições sanitárias dos animais, o melhoramento genético é um grande aliado da atividade pecuária na busca constante para oferecer ao mercado consumidor o que há de melhor na carne produzida no País.

Esse resultado da atuação cada vez mais forte da ciência para o desenvolvimento do setor pode ser visto na ExpoGenética, pela primeira vez presente na ExpoLondrina 2024. Os cerca de 40 bovinos de pura origem da raça Nelore, entre matrizes, reprodutores e garrotes, estão expostos nos pavilhões Maharajá of Bhavnagar e Willie Davids.

O diretor de pecuária da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Luigi Carrer Filho, destaca que o espaço é uma grande oportunidade de criadores e produtores que não utilizam a transferência genética conhecerem de perto a técnica que permite elevar a produtividade em suas propriedades.“A maioria dos produtores brasileiros criam os animais para serem abatidos – ou as vacas para criarem e aumentar o rebanho – e aqui está o que há de melhor dentro dessa seleção genética que vai ser transmitida”, afirma.

Carrer Filho diz que os benefícios do melhoramento genético na pecuária têm o mesmo impacto da introdução do plantio direto para a agricultura. A começar pela precocidade no abate do rebanho. “Antigamente se abatia um boi gordo com cinco, seis anos, hoje temos animais precoces que são abatidos em torno de 20 a 24 meses, e aqueles que a gente chama de hiperprecoces, que são abatidos em torno de 12 a 14 meses. Ou seja, com a genética e as características do animal não só produzimos uma carne com o menor tempo, mas com uma qualidade muito maior, que envolve características como o marmoreio e a espessura de gordura, por exemplo”.

A genética associada à nutrição e às condições sanitárias do animal são, na avaliação do diretor da SRP, o tripé que envolve uso de tecnologias, avaliação dos animais em aspectos como habilidade materna, precocidade sexual, intervalo entre partos e stay habilit (tempo de confinamento da fêmea na propriedade). “Com essa avaliação se faz o melhoramento genético e a seleção dos animais pelas habilidades deles”, pontua.

 Produtividade que torna a carne paranaense mais competitiva no mercado internacional

Um dos criadores presentes na ExpoGenética, o pecuarista José Carlos dos Reis afirma que o espaço atende a uma reivindicação de produtores que consideram o melhoramento genético fundamental para a produtividade do rebanho e a consequente competitividade da carne brasileira no mercado internacional.

“O melhoramento genético é o upgrade que você dá ao animal para que ele se torne mais precoce. Estamos dando um passo muito grande na pecuária, e isso faz com que fiquemos muito competitivos no mercado internacional, que é um mercado muito exigente”, pontua.

Reis destaca a importância da ExpoGenética na feira promovida pela Sociedade Rural do Paraná. “Precisamos mostrar para o Brasil que o Paraná tem genética, e genética boa, nós mandamos nosso gado para leilões do Brasil inteiro. Havia um movimento isolado de criadores com genética no estado e nós nos juntamos para mostrar essa força.”

Ele também pontua que as técnicas de melhoramento genético na pecuária também tendem a possibilitar uma produtividade similar a de outras atividades do agronegócio, como as culturas de soja, trigo e milho. “Antes o produtor colhia 100 sacas por alqueire, hoje são 180, e isso é o quê? Boa semente, genética. A pecuária é igual, tem que caminhar junto. Hoje um boi com boa genética sai do confinamento seis meses antes do outro e isso é uma vantagem porque a alimentação dele é cara e o pecuarista vê tudo isso. Quanto mais cedo o boi vai para o mercado, menos ele come, gasta e o giro é muito mais rápido”, valoriza.

Todos os animais presentes na ExpoGenética fazem parte dos três principais programas de melhoramento genético que existem: PMGZ, Geneplus (Embrapa) e da ANCP (Associação Nacional dos Criadores e Pesquisadores).

O leilão da ExpoGenética está marcado para o dia 14 de abril, às 12 horas, no recinto Abdelkarim Janene. Além dele, haverá duas edições do Leilão Virtual Super Nelore, dias 10 e 11 de abril, para a venda de 50 reprodutores e 50 fêmeas, respectivamente.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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