Amora preta diversifica produção agropecuária no Sul de Minas

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Emater -MG

Bocaina de Minas é um município do Sul de Minas, na divisa com o estado do Rio de Janeiro, e faz parte do Parque Nacional de Itatiaia. A pecuária, especialmente a produção de queijos artesanais, é a principal atividade entre pequenos produtores locais, mas a amora preta, uma frutinha escura e bem saborosa, também tem conquistado espaço em muitos sítios do lugar.
De acordo com a Emater-MG, em 2023, a produção média de amora preta em Bocaina de Minas foi de 96 toneladas, numa área total de 7 hectares.

A amora-preta é uma planta arbustiva de porte ereto ou rasteiro, produz frutos com cerca de 4 a 7 gramas, de coloração negra e sabor ácido. A fruta in natura é altamente nutritiva, com muita água e elevada quantidade de minerais e vitaminas C, B e A. Os frutos podem ser consumidos in natura ou em forma de geléias, sucos, doces em pasta e fermentados. Podem ser congelados e utilizados como polpa para fabricação de sorvetes, iogurtes e tortas.

Clima frio

O extensionista da Emater-MG, Rodrigo Cavalcanti Ferreira, explica que a região é famosa por suas belezas naturais e por isso atrai muita gente de fora, que tem sítio no local. “O pessoal vem e gosta de plantar frutas vermelhas para fazer sucos e geleias. Então o cultivo da amora preta não surgiu com uma proposta comercial, mas tem um bom potencial por ser uma região de clima frio e com vocação turística”, diz o técnico.

A cultura é uma ótima alternativa para pequenos produtores, que buscam diversificar sua produção, devido à facilidade de manejo e por não demandar grandes áreas. A atividade também pode ter seu valor agregado, com o beneficiamento da produção (doces, geleias e outros derivados).

O produtor Danilo Costa de Almeida, atual secretário de Agricultura do município, começou o cultivo de amora preta em dezembro de 2020, com a assistência técnica da Emater-MG. Atualmente, ele tem 300 pés de amora, numa área de dois mil metros quadrados. “A região tem o clima favorável para o cultivo. É uma planta robusta, de fácil manejo e que logo produz. Com um ano, você já tem colheita”, explica o agricultor.

Necessidade de congelar

Segundo Danilo, o mais complicado é se tratar de uma fruta muito perecível. “Você colhe de manhã e até meio dia tem de estar tudo congelado, senão perde. Então é preciso ter um freezer e fazer o transporte sem descongelar. Mas como a amora fica congelada, eu posso vender nas épocas de menor oferta e melhor preço”, explica Danilo. A amora tem o período de colheita de novembro a fevereiro.

Na região, a amora preta é comercializada por alguns agricultores através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e vendida em municípios próximos, especialmente em cidades do Rio de Janeiro que recebem muitos turistas como Visconde de Mauá.

Além de estragar com facilidade, outra dificuldade da amora, segundo o extensionista da Emater-MG, é a necessidade de uma poda anual da planta. “Muita gente não faz a poda direito por causa dos espinhos da planta. Mas no geral, ela é bem resistente, inclusive a geada, que é bem comum na região”, argumenta Rodrigo.

A produção brasileira das principais espécies frutíferas de clima temperado é insuficiente para atender a demanda interna, gerando uma crescente necessidade de importação de frutas que, a princípio, podem ser produzidas no Brasil.

A amoreira-preta (Rubus spp) é uma das espécies que tem apresentado sensível crescimento de área cultivada nos últimos anos no Rio Grande do Sul (principal produtor brasileiro) e tem elevado potencial para regiões com microclima adequado, como Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Sul de Minas Gerais.

Por Agência de Notícias MG

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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