Produção de ervilha torta é alternativa rentável para agricultura familiar

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Reprodução/shutterstock

Com temperaturas mais amenas, o Sul de Minas é uma região onde a produção de ervilha torta se adaptou bem. Em Munhoz, por exemplo, são cerca de 180 hectares por ano dedicados à cultura, sendo que 100% dessas áreas são cultivadas por agricultores familiares, como o André Francisco das Chagas. “Há mais de 12 anos eu trabalho com a ervilha, e foi dando certo. É minha principal produção. Eu gosto de fazer o que eu faço, chegar na lavoura bem cuidada, sadia, é um dom de Deus”, comenta.

A ervilha vagem ou ervilha torta, como é mais conhecida na região, é originária do Oriente Médio, mas se adaptou bem em diversas regiões do Brasil. Em Munhoz, segundo o técnico local da Emater-MG, Juary José Moreira, os produtores conseguem colher a leguminosa o ano inteiro. “Aqui são regiões altas e a ervilha gosta de temperaturas mais amenas, menos de 23 graus. Então se consegue produzir durante todo o ano e o mercado principal é a grande São Paulo”, explica.

Vantagens e desvantagens

Uma vantagem da ervilha torta é ser uma planta rústica, de baixo custo, adequada à produção familiar. Mas também apresenta desafios. André Francisco conta que o período das chuvas é mais propício para o desenvolvimento de doenças, o que força o uso maior de defensivos agrícolas.

Outra questão é a necessidade de irrigação. “É uma cultura sensível à falta de água, em escassez hídrica ela corta a produção”, detalha Juary Moreira. O técnico também destaca que a maioria dos produtores em Munhoz cultiva em terras arrendadas, pela necessidade de se fazer um rodízio de culturas, com objetivo de evitar a infestação por doenças. “Então o produtor vai sendo nômade, vai mudando de lugar”.

Para o cultivo é preciso ainda o investimento na preparação do solo, com aração, calagem e adubação rica em fósforo. Quando a planta vai crescendo, ela deve ser conduzida por fitilhos, até chegar a altura de um 1,5 metro a 1,8 metro de altura, quando atinge seu pico de desenvolvimento. O ciclo da planta, conforme Juary Moreira, gira em torno de dois a dois meses e meio, ou seja, a colheita é possível em cerca de 45 dias.

Mão de obra

Um gargalo importante é a carência de mão de obra, na avaliação do técnico da Emater-MG. Mesmo sendo uma cultura adequada à produção familiar, muitos produtores precisam de ajuda na época de passar o fitilho e na colheita, “porque o trabalho é 100% manual”.

André Francisco faz o máximo que pode das atividades sozinho, mas também recorre à mão de obra contratada em alguns períodos. “A maior parte eu faço sozinho, tem funcionário que trabalha comigo sim, mas dependendo do serviço eu faço sozinho, para reduzir o custo”, reforça.

André também conta com assistência técnica da Emater-MG, tanto na orientação para condução da cultura, quanto para elaboração de projetos de crédito rural. “A Emater é importante para nós porque sempre que a gente tá precisando de um apoio, um auxílio, a gente procura o Juary. Tem época do ano que o problema é a falta de dinheiro, aí a gente recorre a Emater para conseguir o recurso para poder plantar”, conta. Contudo, entre vantagens e desafios, o produtor está satisfeito com a cultura da ervilha. “É uma produção que compensa, tem dado lucro, tô satisfeito e gosto muito de trabalhar com ela”.

(Por Agência Minas)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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