Resultados de pesquisa devem auxiliar no controle da infecção de ouvido em bovinos

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Erasmo Pereira/Epamig

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) tem avançado em estudos sobre a otite parasitária que acomete bovinos da raça Gir em todo o país. A infecção de ouvido é um dos grandes desafios para o manejo da raça, pois gera redução do desempenho dos rebanhos e pode evoluir para quadros com transtornos neurológicos, ocasionando a morte dos animais contaminados.

Segundo pesquisadores da Empresa, a infecção de ouvido está presente em cerca de 90% dos rebanhos de Gir no Brasil, mas que, apesar da alta freqüência, o conhecimento sobre a enfermidade ainda é muito limitado. A otite é causada pelo parasito Rhabditis spp., um nematoide que adentra a orelha dos bovinos e se alimenta do cerume e, possivelmente, de microrganismos presentes no conduto auditivo.

A orelha afetada apresenta secreção purulenta de odor desagradável, o animal fica incomodado e estressado, batendo a cabeça, e acaba perdendo o apetite, o que faz com que seu desempenho caia, tanto em termos de peso quanto de produção de leite.

Foto: Daniel Sobreira/Epamig

“A raça Gir apresenta orelhas longas e pendulosas, com um pavilhão auditivo comprido, o que favorece a retenção de secreção e cria um ambiente propício ao desenvolvimento do parasita”, explica o pesquisador da EPAMIG, Daniel Sobreira Rodrigues. “É importante destacar que o sintoma da otite é decorrência de uma infecção secundária, que acontece após a infestação da orelha do animal. O parasito se estabelece no conduto auditivo, se alimenta e começa um processo de colonização, o que favorece a infecção secundária, e aí se transforma no quadro de otite”, completa.

Doença pode levar animais a óbito

Por conta da proximidade anatômica entre o ouvido interno e o cerebelo dos bovinos Gir, os quadros clínicos de infecção de ouvido podem evoluir para sintomas neurológicos, como paralisia de nervos faciais, olhos e lábios caídos, convulsões, dificuldades de locomoção e acúmulo de pus na região interna da cabeça, geralmente levando os animais a óbito.

“Quando ocorre o rompimento da membrana timpânica, ocorre uma evolução da infecção pelo sistema nervoso e os animais desenvolvem um quadro neurológico praticamente irreversível. Até hoje, não tive notícia de animal que tenha sobrevivido quando desenvolveu tal quadro neurológico”, comenta Daniel Sobreira.

Foto: Daniel Sobreira/Epamig

Pesquisa pode auxiliar no tratamento

O pesquisador coordena o projeto “Rhabditis spp. em rebanho de animais da raça Gir: ocorrência, isolamento, identificação e cultivo in vitro”, que tem como objetivo a realização de um diagnóstico molecular do parasito causador da doença e avaliar sua prevalência no rebanho Gir da EPAMIG, localizado no Campo Experimental Getúlio Vargas, em Uberaba (MG).

“Ainda não há comprovação científica sobre o porquê e como o nematoide se estabelece na orelha dos animais, há apenas hipóteses. Além disso, grande parte das propostas de tratamento e controle avaliadas até o momento se mostraram pouco ou nada eficazes. Por isso, muito ainda precisa ser feito no campo da pesquisa”, acrescenta.

Foto: Daniel Sobreira/Epamig

O trabalho de identificação e diagnóstico molecular do Rhabditis spp., bem como o seu cultivo in vitro, em laboratório, já estão sendo realizados, e a equipe de pesquisadores pretende iniciar experimentos com diferentes medicamentos para testar suas eficácias no controle do parasito. O projeto está previsto para ser concluído em 2025 e conta com parceria entre EPAMIG e o Programa de Pós-Graduação em Parasitologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado (Fapemig).

A próxima etapa da pesquisa consiste em coletar material de todo o rebanho Gir do Campo Experimental Getúlio Vargas para um diagnóstico completo. “Vamos avaliar todos os animais para podermos identificar, por exemplo, qual é a faixa etária em que se inicia a contaminação, qual a prevalência por idade e quais animais apresentam otite ou não. Em seguida, vamos selecionar alguns bovinos para conduzirmos experimentos sobre tratamento e controle”, conclui Daniel Sobreira.

(Por EPAMIG)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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