Sistemas agroflorestais juntam plantio e regeneração de ecossistemas

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: SEMIL

Estimular a produção de alimentos e o manejo da terra ao mesmo tempo e no mesmo espaço em que se recupera a vegetação nativa pode parecer inconciliável, mas, na verdade, já é uma realidade nas propriedades que adotam Sistemas Agroflorestais (SAFs) no Estado de São Paulo.

Este modelo de cultivo, estimulado pela Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), tem contribuído para mudar a realidade da agricultura familiar pela capacidade de produzir uma quantidade maior de metros quadrados do que os sistemas tradicionais, além de permitir a regeneração de ecossistemas a partir da reintrodução de espécies nativas, e garantir a redução da aplicação de defensivos agrícolas.

O conceito do Sistemas Agroflorestais é relativamente simples: as árvores nativas convivem em harmonia com espécies que têm relevância agronômica, como plantas frutíferas ou hortaliças, e com espécies forrageiras, utilizadas para alimentar os rebanhos. Assim, o solo é recuperado, ganha mais nutrientes, a cada ciclo de colheita, e fica mais resistente aos eventos climáticos extremos; o escoamento da água para o lençol freático é ampliado e, como consequência, há um reequilíbrio da fauna e da flora.

“Esse é o princípio que norteia a nossa ação, a regeneração da floresta, por meio de uma economia viável e mais sustentável”, avalia o subsecretário de Meio Ambiente, Jônatas Trindade.

Adepto do sistema desde 2011, o produtor José Ferreira da Silva, do Assentamento Mário Lago, em Ribeirão Preto, resume as agroflorestas em três princípios – cobertura de solo, sucessão e estratificação – “São intervenções que permitem muitas espécies por metro quadrado, vamos manejando e deixando as que queremos”, acrescenta ele, que foi um dos participantes de uma das oficinas oferecidas pela Semil.

Nesta combinação, vegetais são cultivados em um mesmo espaço, e de acordo com o seu ciclo de vida (sucessão); árvores nativas são inseridas para maior proteção das espécies menores e do solo (estratificação); e o solo é enriquecido ou protegido de chuvas e do sol com folhas, galhos, raízes e cascas da própria agrofloresta ou até mesmo com rejeitos de podas urbanas. A sucessão também gera as chamadas placentas – plantas com ciclo de vida de, no máximo, um ano que, depois de dar frutos ou tubérculos, podem ser aproveitadas para cobertura de solo.

Outro ganho ambiental importante é a quase inexistência de agrotóxicos, considerados necessários na maioria das monoculturas. “O segredo é plantar com adubação verde e ter placenta para preparar o solo. Também uso muita poda. É isso, além de diversidade e planejamento, que se quer para cada sistema: fruta, horta, madeira ou animais”, afirma o produtor, que produz diversas frutas e leguminosas em quatro hectares próximo a uma cabeceira de nascente.

“É um modelo que copia a natureza, gosto de chamar de biomimética”, complementa Gilberto Ohta de Oliveira, produtor rural em Sete Barras, no Vale do Ribeira, que começou a deixar a monocultura de banana e gengibre, em 1999, e hoje produz diferentes variedades de banana, jussara, palmito pupunha, grumixama, pitanga, cajá-manga, limão e cambuci.

Além do cultivo, Otha também abriu quase 3 mil metros de ecotrilha, onde podem ser observadas exemplares da flora da Mata Atlântica, e viabilizou o que ele mesmo define como “agro relaxo”: deixa a natureza se encarregar do processo, fazendo pequenas intervenções. “Assim eu tenho mais ócio e qualidade de vida, que são coisas que não entram na conta”, brinca.

Ohta, que é associado da Cooperativa da Agricultura Familiar de Sete Barras, aponta outras vantagens dos Sistemas Agroflorestais: a margem de lucro é melhor, pois o custo de produção por metro quadrado tende a cair com a agrofloresta consolidada, e o sistema favorece o associativismo, o empreendedorismo e a emancipação dos produtores rurais.  “É preciso ter uma organização da sociedade para ter continuidade. Nos sistemas agroflorestais, geralmente os agricultores se organizam em cooperativas e negociam direto com o atacadista ou o varejista”, explica.

(Por SEMIL)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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