Mesmo estando no cardápio, alimentos correm risco de extinção

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Slow Food Brasil

Quando nos deliciamos com frutas ou produtos naturais, nem pensamos que talvez esses alimentos estejam na corda bamba de extinção no Brasil.  Através do movimento “Arca do Gosto” criado pelo Slow Food é possível identificar quais produtos correm esse risco.

O catálogo vem com o objetivo de localizar, descrever, divulgar e preservar frutos, queijos, castanhas e outras iguarias que cooperam para a riqueza culinária do Brasil. No site do Slow Food Brasil vemos que os critérios são: qualidades gastronômicas especiais, ligação com a área geográfica local, produção artesanal e com ênfase na sustentabilidade, e o risco de extinção. “O movimento Slow Food baseou suas convicções na filosofia e abriu caminho para a construção de uma nova gastronomia”, garante Carlo Petrini, jornalista italiano fundador do movimento. 

10 ALIMENTOS COM POSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO:

Pinhão: fruto com produção líder nas regiões paranaenses, corre o risco devido a grande busca pela madeira das Araucárias. 

Batata-doce roxa: apesar de fazer parte da alimentação diária de muitas pessoas, seu cultivo é restrito e difícil de encontrar. As principais regiões produtoras no Brasil são Nordeste, Sul e Sudeste. 

Pitanga: o espaço foi reduzido devido à urbanização, tendo como consequência a dificuldade de transportar a fruta. A pitangueira é uma árvore nativa da Mata Atlântica brasileira, mas pode ser produzida desde a Paraíba até o Rio Grande do Sul. 

Pimenta-rosa: com grande importância na Mata Atlântica, está na lista devido ao desmatamento.

Queijo da canastra: com origem e produção de Minas Gerais, da Serra da Canastra, o queijo pode ser extinto por conta das dificultosas normas sanitárias com o uso de leite cru.

Palmito juçara: agradando o paladar de muitos brasileiros, a palmeira nativa também da Mata Atlântica sofre graves consequências em razão do extrativismo clandestino. 

Pequi: o pequizeiro originado do Cerrado brasileiro enfrenta degradação do 

ambiente. Por fazer muito sucesso em Goiás e região, movimentos estão sendo feitos para protegê-los. 

Castanha de baru: nativo da vegetação do cerrado brasileiro e das faixas de transição da Mata Atlântica para o cerrado, o fruto exige práticas sustentáveis para não cessar. 

Pirarucu: o peixe encontrado na bacia Amazônica precisa de proteção em consequência à sua pesca predatória.

Goiabada cascão: sucesso no Sul de Minas, a produção caseira está desaparecendo devido a oferta de versões industrializadas. 

GERAÇÃO FAST-FOOD

O que percebemos, é que a extinção de alguns alimentos não se dá apenas a fatores de desmatamento ou degradação, mas também por conta da industrialização dos produtos e da falta de interesse no que é artesanal.  Esse fator preocupante se dá devido ao aumento da ingestão de ultraprocessados. 

“Colocar a ciência do prazer alimentar ao serviço de uma natureza preservada conduzirá o homem à produção da melhor alimentação possível. É uma aspiração tão legítima quanto natural,” cita Carlo Petrini.

 

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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