Galo de estimação recebe autorização para acompanhar paciente em Hospital do Paraná

Fernanda Toigo

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Foto: Divulgação

O galo Paçoca mexeu com a rotina do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, em Curitiba. O animal pertence à Aymee Sophie, uma garotinha de 12 anos, que mora em Cascavel (PR). A menina tem a síndrome do espectro autismo, e o galo, hoje com dois anos é o seu animal de apoio. São inseparáveis e por conta desta necessidade é que o galo foi parar no Hospital Evangélico. 

A mãe da menina, Janete Soares de Almeida aguardava uma cirurgia pelo SUS há 12 anos. Recorreu a Justiça para destravar o processo e conseguiu. A cirurgia foi marcada e aí outros detalhes precisaram ser planejados. A mãe não tinha como se separar da filha, e por sua vez, a Aymee não tinha como ficar longe do galo. Para ajudar neste processo, a família recorreu à Defensoria Púbica do Estado, que atuou para que a liberação da presença do galo no hospital fosse liberada. A ação obteve êxito. A Janete foi internada para o procedimento, e junto com ela, a irmã, a filha e o Paçoca. 

Aymee e o animal de apoio
Foto: Divulgação

 

O galo virou astro

No Hospital o galo foi muito bem recebido e foi até afamado. O animal quebrou a rotina e atraiu o carinho da equipe de funcionários. Todo mundo quis registrar o inusitado, afinal, não é todos os dias que um galo é “internado” no Hospital Universitário da capital paranaense. Foram muitas selfies. O Paçoca se tornou o galo mais famoso do Paraná. Os enfermeiros ficaram surpresos com a visita. 

Paçoca é o fiel amigo da garotinha autista

Cães e gatos como animais de apoio são bem mais comuns. O caso do Galo chama a atenção. O Paçoca passou a fazer parte da vida da menina quando ele ainda era um “bebê”, praticamente um pintainho. O animal se tornou em um parceiro de vida e as saídas de casa ficaram mais fáceis. Com ele por perto, a Aymeé fica menos ansiosa e se sente segura. A mãe temia a não aceitação do galo no momento da cirurgia, mas foi surpreendida positivamente. 

“Encontrei nesse hospital o acolhimento surpreendente. Poder estar com a minha filha ao lado, com o Galo Paçoca que traz a tranquilidade e o conforto pra ela, e a minha irmã também comigo, é imensurável”, diz Janete, mãe de Aymee.  

Segundo a Assessora Jurídica da Defensoria Pública do Estado, ainda não há regulamentação legal, mas também não há nada que proíba. “A atuação foi nesse sentido. Trata-se de um animal de apoio, que vinha realmente acompanhando a menina. Ela não poderia ficar em Cascavel, na cidade de origem, uma vez que a mãe estaria em Curitiba para a cirurgia”, explicou Simone Maia. 

A advogada animalista Evelyne Paludo também destaca detalhes importantes. “Toda a pessoa que tem a necessidade de suporte emocional descrita em laudo psiquiátrico de que existe o vínculo e o suporte para a garantia da saúde psíquica dessa pessoa, ela tem o direito de ingressar com esse animal em diversos locais, até mesmo no transporte público”. 

Conscientização e ajuda 

Janete, mãe de Aymee, se tornou uma referência nas lutas pelas políticas públicas voltadas a pessoas com autismo. “Desejo uma grande evolução de conceitos, de sensibilidade e de implementação de medidas para que autistas e suas famílias tenham cada vez mais acessibilidade. É uma questão de dignidade”, pontua. 

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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