Imagem de dentro da cooperativa mostra momento exato da explosão

Débora Damasceno

Débora Damasceno

Na manhã dessa segunda-feira (31) os trabalhos se mantém nas buscas pela última vítima da explosão registrada na cooperativa em Palotina, Oeste do Paraná na última quarta-feira (26).

Parelo às buscas, a Polícia também trabalha nas investigações para chegar às causas do acidente. O delegado Rodrigo Baptista concedeu entrevista dando detalhes de como está esse processo. Até agora o gerente de segurança e medicina do trabalho da C.vale e o chefe da Defesa Civil de Palotina foram ouvidos, eles foram os primeiros a chegar no local depois do acidente.

“A polícia civil iniciou a investigação na sexta-feira e ainda a prioridade é encontrar essa última vítima. Inclusive estou em contato direto com o pessoal da criminalidade de Curitiba que nós temos que ver uma situação em relação a se há algum prontuário odontológico dessa vítima tendo em vista quando esse corpo for achado dependendo se há ou não será direcionado a um local ou a outro, dependendo do que nós conseguirmos. Na própria sexta-feira ouvimos duas pessoas sobre esses fatos, o principal, o gerente de segurança e medicina do trabalho aqui da C.Vale ele foi uma dos primeiros a chegar no local assim como chefe da Defesa Civil Municipal também chegou rapidamente a esse local ele nos ofertou as informações ali de que todos os EPIs e todos os treinamentos estariam de acordo. Nós temos já uma uma linha de investigação principalmente nesse sentido da qualificação e treinamento desses funcionários porque a gente sabe que é um um um trabalho que tem o risco e com isso normas tem que ser cumpridas. A empresa nos apresentou toda documentação pertinente inclusive os alvarás dos bombeiros em princípio pelo que nos foi relatado está tudo ok, mas a nossa investigação é buscar identificar se houve ou não a falha mecânica e se há responsabilização de alguém ou não”, disse o delegado.

explosão
Foto: Sirlei Benetti/Sou Agro

Uma gravação de dentro da cooperativa divulgada pela Polícia Civil mostra o exato momento da explosão registrada na última quarta-feira (26). Na imagem é possível observar a imensidão do acidente e o desespero de quem estava no local. A Polícia diz que o trabalho de investigação é muito minuncioso.

“Em princípio a perícia ali a entre o armazém três e quatro que é a principal destruição quando a gente vai lá e consegue enxergar. O principal hoje é buscar essa última vítima e também ver o que há em volta dessa última vítima pode ser de suma importância para os laudos periciais. Mas o que já foi constatado a explosão teria sido no túnel, no subsolo. Vamos aguardar os laudos da criminalística eu estive com eles ali, estão fazendo um um estudo que muito provavelmente vão adentrar ao local e pode ser que tenhamos novidades hoje ao final do dia em relação a as perícias. O Corpo de Bombeiro está todo empenhado e a nossa parte agora é a investigação. Verificação de documentos oitivas de testemunhas de suma importância principalmente as pessoas que sobreviveram, que estavam no local, que presenciaram aquela situação ocorrendo. Então, é de suma importância pra nós entender aquele momento e também os momentos anteriores. O porquê cada pessoa estava em cada local, o porquê que a última vítima estava dentro do túnel. Então tudo isso cabe a nós Polícia Civil investigar e entender e de acordo com o que for apurado se há ou não condutas a serem responsabilizadas”, detalhou o delegado.

A investigação sobre o que causou a explosão é delicada e envolve uma verdadeira força-tarefa: “Eles vão produzir esses laudos, o laudo de morte, de local de morte, vai ser produzido primeiro, que eles já vão conseguir realizar esse primeiro laudo. Agora em relação as causas, destruição, como tudo isso começou, eles estão usando algumas tecnologias que vão poder reproduzir da forma mais fiel possível para que nos forneça essas informações e que também dê um norte pra nossa investigação”, disse.

Visita do Ministro

O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, esteve neste sábado (29) em Palotina, no Oeste do Paraná. Ele visitou a C.Vale. e foi recepcionado pelo presidente da cooperativa, Alfredo Lang.

Durante a visita, o ministro manifestou a solidariedade do Governo Federal com as vítimas do trágico acidente no silo de grãos ocorrido na última quarta-feira, dia 26, e se colocou à disposição para auxiliar no que for necessário.

A visita de Paulo Teixeira ocorre depois da explosão registrada na cooperativa na última quarta-feira (26), que resultou na morte de oito pessoas, além de deixar 11 pessoas feridas. Ainda há uma vítima desaparecida sob escombros e toneladas de grãos de milho.

As autoridades estaduais e federais estão mobilizadas para investigar e auxiliar na recuperação da região afetada pela tragédia.

C.Vale
Comitiva do Governo federal visita local do acidente – Foto: Portal Palotina

A EXPLOSÃO:

O acidente registrado na unidade de grãos da C.Vale terminou com oito mortes, 11 feridos e um desaparecido. Ele estaria abaixo de aproximadamente 10 toneladas de grãos de milho. E agora o foco é retirar toda essa carga: “Os trabalhos são referentes a retirada do volume de grãos de milho do silo 3 para se garantir acesso até a última vítima. A retirada do milho é realizada de maneira mecânica de forma lenta e gradual e não será interrompida até o encerramento da operação”, detalhou o major do Corpo de Bombeiros Zajac.

armazém
Vista aérea dos armazéns neste domingo (29) – Foto: Sirlei Benetti/Sou Agro

O fato aconteceu nos barracões que ficam no complexo ao lado da sede da cooperativa e do hipermercado. O Corpo de Bombeiros foi chamado ao local para auxiliar no atendimento e equipes de socorro de outras cidades também foram acionadas. O helicóptero do Samu também está auxiliando no atendimento. Os moradores sentiram tremor em vários pontos da cidade, logo depois começaram a surgir vídeos mostrando a fumaça e os destroços do barracão. Após o incidente, o incêndio, causou a nuvem de fumaça que se espalhou pela cidade.

Os sete trabalhadores haitianos vítimas do acidente foram velados de forma coletiva no Ginásio da Umesp, na área central do município. O brasileiro Saulo da Rocha Batista foi sepultado às 10h da sexta-feira (28) em Palotina.

VÍTIMAS:

Haitianos

Reginald Gefrard, de 30 anos
Louis Michelet, de 41 anos
Jean Michee Joseph, de 29 anos
Jean Ronald Calix, de 27 anos
Donald St Cyr, de 24 anos
Alfred Lesperance, 44
Eugenio Meteleus, 52 anos

Brasileiro
Saulo da Rocha Batista, 53 anos

 

POSSÍVEL CAUSA

poeira combustível, também conhecida como poeira explosiva, é um subproduto criado a partir de processos de fabricação que envolvem matérias-primas combustíveis. Esses materiais incluem madeira, metais leves, vários tipos de produtos químicos, mas também produtos agrícolas, como grãos, especiarias e tabaco.

E essa pode ter sido a causa da explosão na unidade de grãos. A informação foi dada pelo capitão do Corpo de Bombeiros Guilherme Rodrigues: “Provavelmente essa é uma explosão por pó. Então esse é um ambiente confinado, ele é extremamente perigoso, existem partículas de pó em suspensão no ar, essas partículas são combustíveis, então qualquer fagulha pode gerar uma explosão. Então essa primeira explosão, feita próximo ao armazém número três, gerou explosão nos outros quatro armazéns próximos. Então nós temos quatro armazéns com explosões e estruturas colapsadas”, disse.

O que é uma explosão de poeira?

As partículas de poeira combustível são praticamente invisíveis ao olho humano, mas são um perigo em muitos locais de trabalho e indústrias. A explosão de poeira é o resultado de altas concentrações de partículas de poeira combustível queimando rapidamente dentro de um espaço fechado.

Quando misturadas com oxigênio, essas partículas finas podem ser inflamadas ao entrar em contato com uma faísca, brasa de metal, ponta de cigarro ou outra fonte de ignição. Este processo de combustão rápida é conhecido como deflagração e resulta numa onda de ar de alta pressão.

Conforme a onda de ar explode para fora do seu espaço fechado, provavelmente irá desalojar ou levantar poeira combustível em outras partes da instalação. Isso irá misturar a poeira com o oxigênio do ar, o que tornará a explosão maior e, potencialmente, alimentará uma segunda explosão de poeira – ou mesmo várias.

Algumas delas podem ocorrer dentro de outras máquinas ou recipientes, conforme a onda de pressão e o fogo se propagam pelo sistema de condutas.

*Entrevista do delegado gravada pelo Portal Nova Santa Rosa

Autor: Débora Damasceno

Débora Damasceno

Autor no site Sou Agro.

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