Calamidade em Juiz de Fora; Chuva continua em várias partes do país

Temporal causou ao menos 14 mortes e deixa 440 desabrigados em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, entre a noite de segunda-feira (23) e a madrugada desta terça (24), provocando uma tragédia na cidade.
Diante da gravidade da situação, a prefeita Margarida Salomão decretou estado de calamidade pública. As aulas foram suspensas em todas as escolas da rede municipal, e equipes da Defesa Civil estadual e nacional foram acionadas para reforçar o atendimento às ocorrências.
Caminhão de ração colide próximo à esmagadora da C. Vale
Um dos pontos mais críticos foi o Morro do Cristo. Deslizamentos atingiram trechos da Rua Halfeld e vias próximas no Centro. Lama e pedras desceram pela encosta e alcançaram também as ruas Constantino Paleta e Olegário Maciel. Moradores foram orientados a deixar suas casas devido ao risco de novos desabamentos.
No Parque Burnier, várias casas desabaram. Segundo os bombeiros, há desaparecidos na região. Nove pessoas foram resgatadas com vida, e equipes com cães de busca atuam nas áreas atingidas. As mortes foram registradas nos bairros JK e Santa Rita, com quatro vítimas em cada. Também houve dois óbitos na Vila Ideal e registros nos bairros Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa.
O temporal começou no fim da tarde de segunda-feira e provocou o transbordamento do Rio Paraibuna e de córregos. Pontes e acessos ao Centro foram interditados. Na manhã desta terça-feira (24), o cenário é de destruição em pontos de Juiz de Fora com destroços e muita lama nas ruas em consequência das enxurradas e das inundações repentinas na cidade.
QUANTO CHOVEU
Dados de sensores indicam que a chuva foi extrema em Juiz de Fora. A rede do Centro Nacional de Desastres (Cemaden) indicou acumulados de 100 mm a 200 mm em vários pontos da cidade do Sul de Minas Gerais em 24 horas. O maior acumulado até o início da manhã desta terça se deu no pluviômetro de Nossa Senhora de Lourdes com 191 mm. Neste ponto de medição, a precipitação em apenas três horas passou de 100 mm no começo da madrugada desta terça.
INMET emite alerta laranja de chuvas intensas com risco de alagamentos
Chuvas intensas atingem quase todo o país até sexta-feira. Em São Paulo, o gabinete de crise segue mobilizado. Os temporais no estado já causaram 19 mortes desde dezembro do ano passado.
Os últimos óbitos foram o de uma criança de 11 meses, de Pirassununga, que morreu após a queda de uma árvore sobre uma residência. O outro foi o de um idoso, de Natividade da Serra, que faleceu após ser soterrado pelo desabamento de uma casa.
Nos últimos dias, mais de 400 pessoas tiveram de deixar suas casas por causa das chuvas. Em Peruíbe, 230 pessoas foram acolhidas em três abrigos humanitários. A cidade registrou acumulado de 400 milímetros de chuva e teve ruas e casas alagadas.
A previsão do Inmet é de chuvas intensas em quase todo o país até sexta-feira. Apenas Roraima terá tempo seco. O alerta é laranja em 14 estados e vale para áreas do Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Maranhão, Piauí e Bahia.
A instabilidade atinge também todo o estado do Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e o Distrito Federal. O volume total de chuva pode chegar a 100 milímetros em 24 horas, com ventos de até 100 quilômetros por hora. Há risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.
(Com METSUL e INMET)tragédia











