APICULTURA

Produção de mel tem ganhado cada vez mais espaço na agricultura familiar

#souagro| A relação entre a agricultura familiar e a apicultura é fundamental na região administrativa de Santa Rosa, Rio Grande do Sul. As famílias produzem anualmente, segundo a Emater/RS-Ascar, em torno de 400 toneladas de mel ao ano.

Para quem pretende investir na apicultura, é cada vez mais necessário se profissionalizar, melhorar o manejo das colmeias, buscar a melhor localização dos apiários e atentar-se ao manejo sanitário e alimentício. Também cresce a necessidade de uma organização associativa de produtores, com atenção especial à legalização e implantação de agroindústrias, o que permite atender a diferentes demandas. O mel comercializado sem a devida Inspeção Sanitária do produto dificulta o acesso a determinados mercados, de modo especial a programas governamentais como o Programa de Aquisição de Alimentos e o Programa Nacional de Alimentação Escolar.

Além da possibilidade de geração de renda, o extensionista do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, médico veterinário Jorge João Lunardi, destaca a contribuição das abelhas para a manutenção da agrobiodiversidade. “A Fronteira Noroeste e as Missões possuem diversificadas floradas, nas diferentes épocas do ano, através de árvores, capoeiras, campos nativos, jardins e com possibilidades diversas de associar esta atividade com outros cultivos e criações, dentro de um processo de diversificação, necessário à sustentabilidade da agricultura familiar”, observa o veterinário.

Apicultor de Cândido Godói, Egídio Pich reflete que um dos principais aspectos que move os apicultores em seus afazeres é a paixão pelo o que se faz, com o fascínio de observar o comportamento das abelhas que se movem de um lado a outro e sempre fazem trabalhos educativos com escolares. Próximo à sua residência o produtor possui as abelhas sem ferrão, atraindo a curiosidade de pessoas de diferentes faixas etárias.

Em seus apiários estão as abelhas com ferrão, cuidando de 80 colmeias. “Todas as abelhas que estão ao redor das nossas casas e nos apiários são especiais. As abelhas polinizam, e de flor em flor colaboram com o cruzamento e aumentam o número de grãos, de frutos e de qualidade das espécies do nosso ecossistema”, afirma Pich, que trabalha com apicultura há 40 anos, com o apoio de sua esposa Nelcinda, sendo seus passos iniciais incentivados pela Emater/RS-Ascar. Ele lembra que, para além da renda e da contribuição com a agrobiodiversidade, vale o destaque para as propriedades terapêuticas do mel. A própolis, o pólen, a cera e a geleia real são outros subprodutos da agricultura com importantes benefícios.

Cuidados com os enxames

É necessária a atenção em relação ao uso indiscriminado de agrotóxicos e à falta de adequado manejo alimentar suplementar, que ocasionam o enfraquecimento e a mortandade de abelhas.

Em épocas de aplicação de químicos para controle de doenças e pragas em lavouras, é importante que haja muita atenção e cuidados por parte do aplicador. “Para isso, os vizinhos precisam saber dos apiários, até para se prevenir de acidentes e comunicar quando da aplicação de químicos. É uma relação recíproca de comunicação”, orienta Lunardi. As colmeias de um apiário podem buscar pasto apícola em até 707 hectares.

No inverno, normalmente, e também em outras épocas do ano, pode faltar alimento para as abelhas. Nestas situações, as abelhas necessitam receber alimentação de subsistência. A alimentação artificial evita a morte das abelhas, a interrupção da postura da rainha, a chamada diapausa, e mantém a colmeia forte. Tudo isso favorece enxames fortes com a produção de mel a partir das primeiras floradas. As abelhas também devem ser alimentadas quando os enxames são capturados, são feitos núcleos ou divisões.

Se existir pólen, ofereça alimentação do tipo energética, a exemplo do xarope de açúcar invertido. Se não existir pólen a alimentação deve ser do tipo proteica, estando entre as opções a “torta proteica”.

Os escritórios municipais da Emater/RS-Ascar dispõe de indicações de receitas diversas para alimentação e suplementação apícola. Também existem produtos comerciais que podem ser associados a complexos vitamínicos/minerais/aminoácidos/probióticos. A proteína também pode ser aproveitada a partir de folhas secas moídas de ora-pro-nóbis, alfafa, mandioca, moringa, entre outros.

(Com Emater/RS)

Débora Damasceno

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