Soja e café garantem superávit; milho e carne despencam

As exportações brasileiras de soja e café cresceram em setembro e ajudaram o País a registrar um superávit comercial equivalente a R$ 38,9 bilhões, resultado 146,4% superior ao do mesmo mês de 2025. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as vendas externas da agropecuária aumentaram 4,8%, alcançando o equivalente a R$ 35,1 bilhões.
A receita com as exportações de soja avançou 11,9% na comparação anual, enquanto a de café não torrado cresceu 8,7%. Os resultados mostram a contribuição das duas culturas para o comércio exterior, embora o principal impulso ao crescimento das vendas brasileiras no mês tenha vindo da indústria extrativa, especialmente do petróleo.
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Na indústria de transformação, o grupo que reúne farelos de soja, outros alimentos para animais e farinhas de origem animal apresentou alta de 47,7%. Essa categoria inclui produtos vinculados ao processamento agroindustrial e amplia a participação das cadeias do campo nas exportações para além dos grãos e dos produtos vendidos sem transformação.
Por essa razão, os R$ 35,1 bilhões registrados na categoria agropecuária não representam todas as exportações do agronegócio. Carnes, açúcar, farelos e outros produtos processados aparecem em classificações industriais no levantamento do Mdic. A distinção é importante para dimensionar a contribuição do setor ao resultado nacional.
No conjunto da economia, o Brasil exportou o equivalente a R$ 172,8 bilhões em setembro, crescimento de 12,9%, e importou R$ 133,9 bilhões, queda de 2,4%. A combinação ampliou a diferença positiva entre vendas e compras internacionais e produziu o segundo maior superávit para setembro na série histórica, atrás apenas de 2023.
Entre os destinos, as exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 31,9% no mês. A recuperação, contudo, ainda não compensou o desempenho anterior: de janeiro a setembro, as vendas para o mercado americano acumulam redução de 6,5%. Esses números abrangem todos os setores da economia.
No acumulado dos nove meses, China e União Europeia ampliaram as compras de produtos brasileiros. As vendas para o mercado chinês cresceram 12%, atingindo o equivalente a R$ 425,1 bilhões. Para o bloco europeu, o avanço foi de 20%, com R$ 221,6 bilhões. Também nesses casos, os valores correspondem à pauta brasileira completa.
Para o produtor, o crescimento da receita de exportação precisa ser acompanhado junto com preços, custos e câmbio. Uma venda externa maior não se traduz automaticamente em margem maior na propriedade: o resultado depende da cotação recebida, das despesas da produção e das condições de comercialização.
(Com Pensar Agro)









