Soja e café garantem superávit; milho e carne despencam

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Magnific

As exportações brasileiras de soja e café cresceram em setembro e ajudaram o País a registrar um superávit comercial equivalente a R$ 38,9 bilhões, resultado 146,4% superior ao do mesmo mês de 2025. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as vendas externas da agropecuária aumentaram 4,8%, alcançando o equivalente a R$ 35,1 bilhões.

A receita com as exportações de soja avançou 11,9% na comparação anual, enquanto a de café não torrado cresceu 8,7%. Os resultados mostram a contribuição das duas culturas para o comércio exterior, embora o principal impulso ao crescimento das vendas brasileiras no mês tenha vindo da indústria extrativa, especialmente do petróleo.

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Na indústria de transformação, o grupo que reúne farelos de soja, outros alimentos para animais e farinhas de origem animal apresentou alta de 47,7%. Essa categoria inclui produtos vinculados ao processamento agroindustrial e amplia a participação das cadeias do campo nas exportações para além dos grãos e dos produtos vendidos sem transformação.

Por essa razão, os R$ 35,1 bilhões registrados na categoria agropecuária não representam todas as exportações do agronegócio. Carnes, açúcar, farelos e outros produtos processados aparecem em classificações industriais no levantamento do Mdic. A distinção é importante para dimensionar a contribuição do setor ao resultado nacional.

O desempenho, entretanto, foi desigual entre as cadeias. Enquanto soja e café ampliaram a receita externa, as vendas de milho recuaram 17%. Na indústria de transformação, as exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada caíram 30,6%, e as de açúcares e melaços diminuíram 24,9%. Os percentuais se referem ao valor exportado, sem significar necessariamente uma variação equivalente no volume embarcado.

No conjunto da economia, o Brasil exportou o equivalente a R$ 172,8 bilhões em setembro, crescimento de 12,9%, e importou R$ 133,9 bilhões, queda de 2,4%. A combinação ampliou a diferença positiva entre vendas e compras internacionais e produziu o segundo maior superávit para setembro na série histórica, atrás apenas de 2023.

Entre os destinos, as exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 31,9% no mês. A recuperação, contudo, ainda não compensou o desempenho anterior: de janeiro a setembro, as vendas para o mercado americano acumulam redução de 6,5%. Esses números abrangem todos os setores da economia.

No acumulado dos nove meses, China e União Europeia ampliaram as compras de produtos brasileiros. As vendas para o mercado chinês cresceram 12%, atingindo o equivalente a R$ 425,1 bilhões. Para o bloco europeu, o avanço foi de 20%, com R$ 221,6 bilhões. Também nesses casos, os valores correspondem à pauta brasileira completa.

Apesar do resultado de setembro, o Mdic reduziu sua previsão de superávit para 2026, de aproximadamente R$ 451,8 bilhões para R$ 423,7 bilhões, considerando a revisão das perspectivas para os preços do petróleo. Até setembro, o saldo positivo acumulado equivale a R$ 313,2 bilhões, alta de 34,8%.

Para o produtor, o crescimento da receita de exportação precisa ser acompanhado junto com preços, custos e câmbio. Uma venda externa maior não se traduz automaticamente em margem maior na propriedade: o resultado depende da cotação recebida, das despesas da produção e das condições de comercialização.

(Com Pensar Agro)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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