Riscos para a safra: Chuva no Sul e seca no Norte

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: reprodução/pensaragro

O início da safra 2026/27 coloca produtores brasileiros diante de problemas opostos: falta de água para semear em parte do país e previsão de chuva volumosa em áreas que precisam avançar com o plantio e a colheita. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê acumulados pontuais superiores a 200 milímetros no Sul até segunda-feira (26), enquanto grande parte do Nordeste deve continuar sem precipitação expressiva.

No Sul, os maiores volumes são esperados no norte e noroeste gaúcho, em áreas de Santa Catarina e no Paraná. A previsão indica de 70 a 150 milímetros em cinco dias, com pontos acima de 200 milímetros. No Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro e sul do Espírito Santo devem receber de 30 a 80 milímetros, principalmente entre quinta-feira (22) e segunda-feira (26).

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No Centro-Oeste, predominarão pancadas irregulares. O extremo sul de Mato Grosso do Sul terá risco de temporais, com raios, vento e eventual granizo, entre quinta-feira e domingo, com 20 a 80 milímetros. No Norte, o oeste amazonense terá pontos acima de 100 milímetros na semana; Tocantins, Rondônia e Roraima terão acumulados isolados de até 40 milímetros. No Nordeste, as pancadas no interior de Bahia, Maranhão e Piauí não devem garantir volumes relevantes de forma generalizada. Esses números integram a previsão nacional do Inmet para 19 a 26 de outubro.

A diferença regional exige decisões também distintas dentro das propriedades. Em avaliação divulgada no dia 14, o Inmet já alertava que a combinação de calor, chuva irregular e pouca reserva de água em partes de Mato Grosso e Goiás exigia cautela na semeadura. Uma pancada isolada consegue iniciar a germinação, mas não assegura umidade suficiente para sustentar as plantas nos dias seguintes.

Em Mato Grosso do Sul, o mesmo acompanhamento apontava maior disponibilidade de água nas principais áreas produtoras, favorecendo o estabelecimento da soja. A contrapartida era a possibilidade de interrupção das operações mecanizadas pela persistência das chuvas. Portanto, ter água para a lavoura e ter condições de entrar com as máquinas são situações diferentes.

Para as culturas próximas da colheita, a preocupação inclui a qualidade do produto. O acompanhamento de setembro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) registrou ajustes na retirada do trigo no Paraná para aproveitar intervalos sem chuva, maior pressão de doenças em Santa Catarina e comprometimento da qualidade dos grãos em São Paulo. São ocorrências anteriores à previsão desta semana, mas que mostram a vulnerabilidade das lavouras ainda no campo diante de novos períodos de umidade elevada.

No Tocantins, o problema acumulado é a seca. O Decreto nº 7.251, publicado na terça-feira (20), cita registros do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), segundo os quais aproximadamente 95% do território estadual apresentava algum grau de seca em agosto. A parcela sob seca moderada passou de 33,57% para 57,44% entre julho e agosto.

O texto publicado determina o levantamento dos prejuízos agropecuários e prevê que os documentos oficiais subsidiem pedidos de apoio financeiro, prorrogação ou renegociação de obrigações. A aprovação depende da análise das instituições responsáveis e das regras aplicáveis a cada operação.

Para organizar os próximos trabalhos, o produtor precisa combinar a previsão do município com a umidade efetiva do solo e a fase da cultura. Nas áreas secas, o cuidado é evitar que uma chuva passageira leve à semeadura sem água suficiente para o estabelecimento das plantas. Onde houver precipitação persistente, a prioridade é acompanhar as condições de tráfego e as oportunidades de colheita.

(Com Pensar Agro)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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