Chuvas favorecem a semeadura da soja; condições variam entre os estados

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Imagem: Aprosoja/MS

A previsão do modelo COSMO/INMET para o período de 14 a 21 de outubro indica chuva com distribuição irregular sobre a Região Centro-Oeste. Em conjunto com o armazenamento médio de água no solo previsto para o período, os dados apontam condições distintas para o avanço da semeadura da soja na safra 2026/2027 (Figura 1).

Em Mato Grosso, os acumulados de chuva deverão variar entre 20 e 60 mm, com os maiores volumes previstos para as porções sudoeste e noroeste do estado (tons em verde e amarelo na Figura 2).

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Esta condição, tende a ampliar o armazenamento de água no solo, que ainda apresenta expressiva variabilidade espacial, com menores disponibilidades hídricas observadas principalmente nas porções norte e leste (tons em azul na Figura 3).

As temperaturas tendem a permanecer elevadas, com médias variando entre 26°C e 30°C, favorecendo o aumento da demanda evapotranspirativa. Dessa forma, a continuidade da semeadura da soja deverá ser favorecida nas áreas com maior disponibilidade de água no solo, enquanto, nas regiões com menores volumes de chuva, recomenda-se cautela para reduzir os riscos de falhas na germinação e na emergência das plantas.

Segundo o monitoramento das lavouras divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), até 9 de outubro a semeadura alcançava 25,2% da área prevista no estado (Figura 1).

Figura 1. Percentual de área semeada com soja nos estados da Região Centro-Oeste, em comparação com a média dos últimos cinco anos. Fonte: CONAB, 2026.

 

Em Mato Grosso do Sul, o cenário deverá permanecer mais favorável ao estabelecimento das lavouras. A atuação de áreas de baixa pressão e a elevada disponibilidade de umidade na atmosfera deverão manter o tempo instável sobre o centro-sul do estado nos próximos dias. Entre os dias 14 e 15 de outubro, há vigência de aviso laranja de perigo para tempestades, com previsão de acumulados de chuva entre 50 e 100 mm por dia, além da possibilidade de ocorrência de queda de granizo.

Ao longo da semana, as chuvas deverão continuar expressivas, com volumes entre 40 e 80 mm, podendo atingir 100 mm em localidades do norte e do sul do estado. As temperaturas tendem a permanecer mais amenas, especialmente no sul, onde as médias deverão variar entre 18°C e 24°C, em função da maior nebulosidade e da ocorrência mais frequente de chuva.

O armazenamento de água no solo segue elevado nas principais áreas produtoras, com valores predominantemente entre 60% e 90%, favorecendo a manutenção da umidade necessária à germinação, emergência e desenvolvimento inicial das plantas.

Apesar das condições hídricas favoráveis, a persistência das chuvas poderá provocar interrupções temporárias nas operações mecanizadas. Segundo a Conab, o plantio no estado alcançou 25,0% da área prevista, percentual superior à média dos últimos cinco anos, 21,8%, indicando o avanço satisfatório da semeadura.

Em Goiás e no Distrito Federal, a previsão indica acumulados de chuva entre 10 e 40 mm, com volumes mais expressivos em áreas do leste e sul do estado. Já as temperaturas, deverão permanecer elevadas, especialmente no norte de Goiás, contribuindo para uma maior demanda atmosférica por água.

Neste contexto, o armazenamento de água no solo para os próximos dias deverá variar entre 20 e 50% da Capacidade de Água Disponível (CAD), embora valores inferiores a 15% da CAD sejam previstos somente para o norte goiano.

Apesar da tendência de melhora das condições para o plantio, a irregularidade na distribuição espacial das chuvas ainda recomenda cautela na expansão da semeadura em áreas de sequeiro. De acordo com a Conab, o plantio alcançava 7,0% da área prevista em 9 de outubro, valor inferior à média dos últimos cinco anos (8,6%).

De forma geral, embora a Região Centro-Oeste esteja em fase de consolidação do período chuvoso, a combinação entre precipitação espacialmente irregular, temperaturas elevadas e reservas hídricas ainda limitadas em parte de Mato Grosso e Goiás exige atenção no planejamento das operações agrícolas.

Para o produtor, a decisão de avançar com a semeadura deve considerar não apenas os volumes acumulados previstos, mas também a regularidade das chuvas e a umidade efetivamente disponível na camada de implantação. Em áreas com baixa reserva hídrica e temperaturas mais elevadas, a ocorrência de chuvas isoladas podem estimular a germinação sem garantir a sustentação da emergência, aumentando o risco de desuniformidade do estande. Assim, o acompanhamento contínuo das previsões e dos avisos meteorológicos do INMET é de fundamental importância para o planejamento e a redução dos riscos produtivos.

Figura 2. Precipitação acumulada prevista entre 14 e 21 de outubro de 2026. Fonte: INMET.

Figura 3. Armazenamento médio de água no solo entre 14 e 19 de outubro de 2026. Fonte: INMET/SISDAGRO.

(Com INMET)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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