Não guarde os casacos: Frio ainda vai continuar!

O frio resiste no Sul do Brasil e o calor vai demorar para se firmar, conforme análises da MetSul Meteorologia. O padrão de temperatura abaixo da média desta época do ano tende a persistir com sucessivas incursões de ar mais frio nas latitudes médias da América do Sul.
Em Porto Alegre, a temperatura mínima média é de 15,7ºC e máxima média histórica de 25,2ºC em outubro. Neste mês, entretanto, a temperatura máxima somente superou a média máxima histórica em apenas dos dias: no dia 3 (27,6ºC) e no dia 7 (31,0ºC).Agora, nova massa de ar frio traz mais uma sequência de dias de temperatura abaixo da média histórica com mínimas e máximas neste começo de semana inferiores às normais históricas mensais.
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Neste domingo (18), o Rio Grande do Sul registrou temperaturas mínimas de 1,5ºC em Soledade; 2,3ºC em Capão Bonito do Sul; 3,5ºC em São José do Ouro; 3,9ºC em Santana do Livramento; 4,1ºC em Espumoso; 4,2ºC em Quaraí, 4,5ºC em Getúlio Vargas; 4,6ºC em São José dos Ausentes e Fontoura Xavier; 4,7ºC em Ronda Alta; e 4,9ºC em Pinhal da Serra e André da Rocha.
Já em Santa Catarina, termômetros indicaram neste domingo temperaturas mínimas de 0,8ºC em Bom Jardim da Serra; 1,3ºC em Urupema; 2,6ºC em Urubici; 3,4ºC em Lebon Régis; 3,7ºC em São Joaquim; 3,8ºC em Fraiburgo; 4,0ºC em Caçador; 4,5ºC em Curitibanos; e 4,7ºC em Painel. O Paraná anotou 2,3ºC em General Carneiro.
MAIS DIAS AMENOS OU FRIOS E MENOS DE CALOR NAS PRÓXIMAS SEMANAS
À medida que a primavera avança, a tendência é que o número de dias de frio diminua e os de calor aumente, mas não é o que vem ocorrendo. Os dados analisados pela nossa equipe apontam que a tendência é a temperatura seguir abaixo do normal.
Os mapas a seguir mostram as anomalias de temperatura projetadas para as próximas quatro semanas do modelo de clima do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF), em que se observa como a tendência é de a temperatura seguir abaixo da média no que resta de outubro e mesmo em parte de novembro.




Destacamos que temperatura abaixo da média nos meses de outubro e novembro não necessariamente significa frio, uma vez que as médias climatológicas mensais já são mais altas nesta época do ano, embora sejam previstas algumas noites frias.
Com a tendência de mais chuva do que o habitual e a chegada de ar frio, haverá uma frequência maior de dias amenos ou agradáveis do que se costuma observar na segunda metade de outubro e em parte de novembro. A influência de ar frio será maior no Sul e no Leste gaúcho, onde o contraste térmico com ar frio no oceano deve trazer algumas tardes ventosas. Também Santa Catarina e o Paraná vão enfrentar mais dias amenos e menos de calor, especialmente em cidades mais perto da costa.
PADRÃO QUE DESTOA DE UM EL NIÑO INTENSO
O fato desta primavera apresentar temperaturas muito abaixo da média até agora não é compatível com a expectativa de um período predominantemente mais quente em um cenário de El Niño intenso e histórico, como se observa agora no Pacífico. A aparente contradição, entretanto, pode ser compreendida quando se considera que o clima regional resulta da atuação simultânea de diferentes mecanismos de variabilidade atmosférica e oceânica, que interagem entre si e nem sempre produzem efeitos na mesma direção.
Embora o El Niño altere a circulação atmosférica tropical e influencie os padrões de chuva e temperatura na América do Sul, seus efeitos não são determinísticos. Outras variáveis e teleconexões podem modificar ou até se sobrepor temporariamente aos sinais associados ao aquecimento do Pacífico equatorial.
Entre as chamadas teleconexões está a Oscilação Antártica, também conhecida como Modo Anular Sul (SAM), que representa variações na pressão atmosférica entre as latitudes médias e altas do Hemisfério Sul.
Em sua fase negativa, a Oscilação Antártica pode favorecer o deslocamento do cinturão de ventos de Oeste em direção ao Equador e alterar as condições para o avanço de sistemas frontais e massas de ar polar sobre a América do Sul, embora seus efeitos dependam da configuração atmosférica e da época do ano.
Além disso, a Oscilação de Madden-Julian, a variabilidade dos padrões de circulação em médias latitudes, o posicionamento de bloqueios atmosféricos e a dinâmica dos ciclones extratropicais podem influenciar a frequência, a trajetória e a intensidade das incursões de ar frio. A interação e soma destes fatores pode estabelecer um padrão regional que não corresponda à resposta climática mais frequentemente associada ao El Niño, tal como se vê em 2026.
(Com METSUL)











