Frango não sente embargos por Newcastle; ovos têm pior outubro desde 2019

A avicultura brasileira encerra outubro com pressão sobre os preços e demanda mais fraca. Apesar disso, os embargos relacionados à doença de Newcastle ainda não provocaram impactos expressivos no mercado interno de carne de frango.
Já no setor de ovos, a queda nas vendas levou os preços ao menor nível real para outubro desde 2019.
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Segundo relatórios do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgados nesta sexta-feira (30), o mercado de frango mantém relativa estabilidade. Isso ocorre mesmo após a identificação de mais dois casos da doença em Santa Catarina e a manutenção das restrições comerciais.
De acordo com os pesquisadores, a demanda mais fraca explica as recentes quedas nos preços. Esse movimento costuma ocorrer no fim de cada mês.
Embargos sanitários ainda não afetam o mercado interno
Até o momento, o Cepea não identificou aumento expressivo no envio de carne de frango da Região Sul para o mercado paulista. O cenário difere dos surtos de gripe aviária de 2025, quando produtores destinaram parte significativa da produção ao consumo interno.
No mercado externo, México e Malásia mantêm restrições à entrada de produtos avícolas de todo o Brasil, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Por outro lado, Arábia Saudita, China e Chile limitam as compras de produtos originários de Santa Catarina.
Embora os impactos ainda sejam pequenos, agentes consultados pelo Cepea alertam para os riscos de uma possível ampliação dos embargos.
Caso as restrições continuem ou outros países adotem medidas semelhantes, os exportadores poderão buscar novos compradores internacionais.
No entanto, se não encontrarem novos destinos, os produtores poderão direcionar parte da produção ao mercado brasileiro. Como resultado, o aumento da oferta poderá intensificar a pressão sobre os preços da carne de frango.
Ovo atinge menor valor real para outubro em sete anos
No mercado de ovos, a redução das vendas no fim do mês também pressiona os preços. Segundo o Cepea, a baixa liquidez afeta as negociações tanto de ovos brancos quanto de vermelhos.
Em Bastos, no interior de São Paulo, os preços das duas categorias registraram queda. A cidade representa uma das principais referências para o setor.
Até o dia 28, as médias de preços ficaram abaixo dos níveis de setembro. Além disso, os valores atingiram o menor patamar desde fevereiro de 2026.
Na comparação exclusiva entre os meses de outubro, os preços alcançaram o menor nível real desde 2019. Para o cálculo, o Cepea utilizou o IGP-DI de setembro de 2026 como referência.
A queda também reduziu a diferença de preços entre ovos brancos e vermelhos. Em Bastos, essa diferença atingiu o menor valor real desde fevereiro de 2022.
Novembro pode trazer fôlego ao consumo
As negociações de ovos continuam fracas, principalmente devido à redução das compras dos consumidores. Entretanto, agentes consultados pelo Cepea esperam uma recuperação da demanda no início de novembro.
Isso porque o pagamento dos salários costuma estimular o consumo e aumentar a movimentação do mercado.
Enquanto isso, o setor de carne de frango acompanha a evolução dos embargos sanitários. A principal preocupação envolve uma possível ampliação das restrições e o redirecionamento da produção ao mercado interno.
Assim, outubro termina com demanda enfraquecida para ambos os produtos. No entanto, a carne de frango ainda enfrenta riscos relacionados aos possíveis efeitos futuros dos embargos provocados pela doença de Newcastle.
(Com BP Money)











