CNA apresenta propostas do setor agropecuário para a COP31

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: CNA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou, na quinta (15), o posicionamento do setor agropecuário brasileiro para a 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 31), que será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antalya, na Turquia.

O documento “Agropecuária Brasileira no Acordo de Paris – COP 31” reúne propostas e prioridades do setor para as negociações internacionais sobre mudanças climáticas e representa uma contribuição dos produtores rurais brasileiros para os debates da Conferência.

Queijaria do Sudoeste incorpora turismo rural no negócio

O posicionamento foi entregue durante a reunião conjunta das Comissões Nacionais de Meio Ambiente e de Irrigação da CNA, que teve a participação de representantes do Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Agricultura e da Embrapa.

Debates – O vice-presidente da CNA, Muni Lourenço, que também preside a Comissão Nacional de Meio Ambiente da entidade e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), coordenou as discussões e apresentou o documento na reunião.

Muni afirmou que é preciso ter orgulho e defender os méritos da agricultura brasileira, que o produtor rural brasileiro preserva e que o agro é parte da solução para o enfrentamento das mudanças climáticas. “O documento de posicionamento da CNA reflete os anseios e pensamentos do agro brasileiro visando contribuir com as negociações da COP 31”.

Muni afirmou que, se por um lado a atividade agropecuária é impactada diretamente pelos fatores climáticos, por outro compõe a mais eficiente solução em mitigação e adaptação.

“A CNA, neste documento, parte da premissa que a agricultura ocupa papel central nas ações climáticas que integram as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) sobre as quais estão as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa”, disse.

Imagem

O 1º vice-presidente da CNA, Gedeão pereira, destacou o papel do país como exportador líquido de alimentos para o mundo, o papel do agro brasileiro para garantir a segurança alimentar e a atuação da CNA nas COPs mostrando para o mundo a sustentabilidade da agricultura brasileira.

O chefe da Divisão de Negociação Climática do Ministério das Relações Exteriores, Bruno Arruda, reforçou a importância do agro brasileira como solução para as mudanças climáticas e afirmou que as questões ligadas à segurança alimentar e aos biocombustíveis estão entre as principais prioridades nas negociações.

O chefe Assessoria de Relações Internacionais da Embrapa, Marcelo Morandi, lembrou todo o processo de negociação de ações para a agricultura, relatando os avanços e os desafios nos próximos anos. O pesquisador Gustavo Mozzer, também da Embrapa, ressaltou a atuação do agro nos debates para o avanço nas discussões sobre o clima.

O secretário de Desenvolvimento Rural do Mapa, Clecivaldo Ribeiro, avaliou que os produtores rurais sempre estiveram na vanguarda tanto nos debates quanto nas ações de boas práticas e produção sustentável.

Já o professor Daniel Vargas, da FGV, falou sobre as oportunidades econômicas que o agro brasileiro pode ter com a produção sustentável nas questões ligadas à agenda climática.

Por sua vez, o presidente da Comissão Nacional de Irrigação da CNA, David Schmidt, disse que a agricultura irrigada pode dar sua contribuição expressiva para a segurança alimentar e a produção sustentável, e defendeu a aglutinação de dados para quantificar o uso racional de recursos hídricos.

Acordo de Paris – O Acordo de Paris foi firmado em 2015, na COP21, em Paris, em que os países se comprometeram a assumir compromissos para manter o aumento da temperatura global abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, com esforço adicional de limite de 1,5°C.

As Partes também definiram a adoção de metas individuais de redução de gases de feito estufa, as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e o financiamento de ações de combate aos efeitos das mudanças climáticas a países em desenvolvimento pelas nações desenvolvidas.

Avanços concretos – Para a CNA, a COP 31 precisa marcar um avanço concreto na implementação do Acordo de Paris, que completou 10 anos em 2025.

Depois de anos de definição de metas e compromissos, o desafio é ampliar os resultados no campo, nas cidades e nos diferentes setores da economia.

Na prática, isso significa aumentar os recursos mobilizados para a agenda climática, tornar mais rápido e simples o acesso ao financiamento, ampliar a capacidade de estruturação de projetos, investir em capacitação e cooperação e estimular o comércio de tecnologias e produtos de menor pegada de carbono.

Essas são as condições que a CNA considera necessárias para transformar os compromissos internacionais em ações efetivas.

A entidade está integrada à agenda das COPs há anos e essa atuação se justifica por vários motivos. Na COP 30, por exemplo, realizada em Belém, o Sistema CNA/Senar ampliou essa participação. A entidade esteve presente na AgriZone, onde o Pavilhão AgroBrasil apresentou tecnologias, projetos e experiências da agropecuária sustentável brasileira.

A iniciativa buscou mostrar, com exemplos práticos, como os sistemas produtivos tropicais podem contribuir para as soluções climáticas e para a segurança alimentar e energética.

Agora, para a COP31, a CNA consolida e unifica o posicionamento do setor agropecuário brasileiro.

“As propostas buscam contribuir tanto para o avanço das negociações quanto para transformar a chamada Agenda de Ação, que reúne iniciativas concretas de governos, setor privado e sociedade, em resultados que efetivamente cheguem ao campo”, disse Muni Lourenço.

Imagem

Prioridades – O documento foi elaborado depois de uma ampla consulta da CNA aos produtores rurais, às Federações estaduais de agricultura e pecuária, sindicatos e entidades do setor.

Neste ano, a COP busca consensos para implementar o Acordo de Paris, sob a presidência cooperativa da Turquia, que será o país-sede e responsável pela Agenda de Ação, e da Austrália, que liderará a agenda de negociações.

O documento organiza o posicionamento da CNA em oito grandes eixos, que vão desde financiamento e adaptação até comércio internacional.

Em todos eles, a preocupação central é aproximar as decisões tomadas nas conferências climáticas da realidade dos produtores rurais.

(Com CNA)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

Mais Notícias